sexta, 22 de janeiro de 2021

Música
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A dupla maranhense Criolina apresenta seu novo trabalho

André Luiz Maia / 02 de maio de 2017
A dupla maranhense Criolina, formada por Alê Muniz e Luciana Simões, apresenta em 2017 seu mais novo trabalho, o CD Radiola em Transe, o terceiro da carreira. Por 13 faixas, eles fazem um passeio por diversos ritmos e estilos musicais, sendo os mais preponderantes reggae e o rock psicodélico dos anos 1970.

"É como se fosse uma jukebox, aquele equipamento que contém uma infinidade de músicas, de vários estilos, e o ouvinte ficasse em transe ao explorar todas as possibilidades contidas ali dentro", explica Alê Muniz, em entrevista ao CORREIO. Logo na primeira faixa, "Transe", as guitarras psicodélicas se encontram com a soul music, revelando um pouco das incursões sonoras pelas quais as outras doze faixas irão se submeter. Os sintetizadores analógicos ajudam a construir o clima de nostalgia sonora, mas com produção requintada, que faz com que a produção não soe datada.

A produção do disco se deu entre São Luís e São Paulo. "Eu tenho um estúdio em casa e sempre que tinha uma ideia, ia lá e registrava algo. Isso ao longo de muitos anos. Mas depois que a gente decidiu sentar e selecionar umas 20 músicas para pensar no que entraria no disco, foi mais rápido", comenta Alê. Depois dessa pré-produção na capital maranhense, a Criolina partiu para São Paulo, gravando as canções nos estúdios Parede Meia e Canto da Coruja, durante o segundo semestre do ano passado. A direção ficou por conta do produtor Rovilson Pascoal e o álbum saiu pelo selo Sete Sóis.

Radiola em Transe dá continuidade à sonoridade construída nos discos anteriores (ver quadro abaixo), mas, desta vez, o processo de produção permitiu que Alê e Luciana avançassem artisticamente para onde desejavam há algum tempo. "Discutimos bastante a sonoridade do disco, passamos um dia inteiro só para decidir como seria o uso da bateria no registro. Amadurecemos as faixas da forma como a gente sempre quis, pois tivemos parceiros essenciais para que esse projeto se concretizasse.

Luciana Simões tem experiência no reggae, um gênero que se solidificou no Maranhão muito antes do boom do reggae brasileiro nos anos 2000. Ao longo da carreira, já passou por diversos grupos, inclusive o Natiruts, como backing vocal. Alê tem experiência em ritmos regionais, algo que o inspirava desde a década de 1990, quando propunha mesclas dessa música mais tradicional com batidas eletrônicas.

Embora sejam maranhenses, a dupla se formou de fato em São Paulo, em 2004. "Luciana e eu já nos víamos na cena de São Luís, lembro dela como membro da banda Mystical Roots, mas não tínhamos muito contato. Só quando eu fui a São Paulo, em 2004, para outro projeto, é que tive oportunidade de contatá-la e começarmos a fazer algo juntos. Ela tem um conhecimento jazzístico incrível também, foi uma interação muito boa", relembra Alê. Por três anos, tanto em São Paulo quanto no Maranhão, eles foram formatando o que hoje viria a se tornar a Criolina.

A direção musical da dupla se deu de maneira espontânea, já que ambos são de uma mesma região. "Somos da Baixada Maranhense, então desde pequenos ficamos expostos às manifestações culturais populares e ao reggae. Diferente de outras partes do país, em que o reggae é associado à galera do surf, aqui no Maranhão é um movimento de periferia, que cultua ícones da Jamaica da década de 1960 e 1970, figuras menos conhecidas que Bob Marley ou Peter Tosh. Então não foi um som que resultou de uma pesquisa ou de um interesse que surgiu pra gente depois de adultos, foi algo proveniente de algo que a gente sempre conviveu", completa o cantor e compositor.

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