segunda, 20 de maio de 2019
Música
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Os Fulano inauguram projeto que tenta criar uma agenda permanente de shows de forró

André Luiz Maia / 16 de janeiro de 2018
Foto: MARCUS MENDES/ DIVULGAÇÃO
Um novo espaço para o forró se abre em João Pessoa. O projeto Forró Parahyba, idealizado pela cantora Gabriella Grisi tem a pretensão de reunir periodicamente músicos e bandas do gênero para apresentações ao vivo no restaurante Pontal do Cabo, na orla da Capital. Quem abre o projeto é a banda paraibana Os Fulano.

A ideia é apresentar ao público uma nova leva de artistas que continuam fazendo forró nos moldes da tradição do gênero, fazendo com que essas iniciativas ganhem mais visibilidade. Os integrantes da banda Os Fulano estão percebendo que há uma crescente em relação ao interesse do público pelo gênero.

Jader Finamore é um dos músicos do grupo e ele conversou com o Correio sobre o momento atual da banda e o cenário do forró. "Na agenda d'Os Fulano a gente percebeu uma diferença grande. No verão, a gente sempre tocava menos e agora em janeiro a gente teve que negar show", afirma o músico, que afirma ter recebido dez convites para apresentações do grupo só no mês de janeiro.

A decisão por concentrar as tocadas é estratégica. "Como a cidade é pequena, a gente acredita que se a banda marcar muitos shows, isso vai acabar dispersando o público", justifica. Ao todo, serão seis shows, muitos deles em locais que o grupo ainda não havia tocado.

A banda surgiu em 2009 e já conta com dois EPs lançados e circulação por todo o Brasil. Atualmente, o grupo é formado por Lucas Dan (voz e acordeon), Thiago Melo (voz e zabumba), Betinho Lucena (voz, triângulo e efeitos) e Jader Finamore (voz e cavaquinho).

Em 2015, eles lançaram Forrobodó Parahyba, contando com a participação de nomes consagrados do forró como Antônio Barros e Cecéu e Pinto do Acordeon. No ano passado, veio Eta Forró, com mais seis canções. No show, eles devem apresentar uma mescla do repertório desses dois lançamentos e também a reinterpretação de clássicos do forró.

Para 2018, eles estão preparando algumas novidades. "Estamos preparando um show novo para apresentar ao longo do ano. Se tudo der certo, a gente também toca em algumas datas pela Europa", explica Jader. Também há a perspectiva de uma parceria com um novo expoente da MPB, mas o músico prefere manter segredo enquanto o martelo não estiver batido. "Mas deve sair até o São João", completa.

Ainda faltam os espaços

Em 2017, o forró ganhou destaque nacional, não por seus artistas, mas pela ausência deles nos principais festejos juninos do Brasil, que preferiram dar ênfase aos atos sertanejos. Isso tudo acabou gerando uma revolta por parte da população e muitas discussões afloraram, até mesmo entre artistas e figuras públicas. Tudo isso culminou no I Fórum Paraibano do Forró, realizado no fim do ano passado em João Pessoa.

Na opinião de Jader Finamore, toda essa polêmica acabou gerando uma movimentação na cena. No entanto, é preciso levar em consideração outros fatores nessa equação.

"Estamos notando uma abertura maior ao forró e esse movimento está vindo de fora para dentro. Através da dança, o forró tem ocupado espaços. Hoje, há mais de 40 festivais musicais pela Europa. Acho que, por conta da dança, de dançar agarrado, isso está ajudando a quebrar o gelo das culturas europeias, que não estão muito acostumadas com o contato físico. Por conta dessa expansão, eu vejo isso ter um retorno para cá. Os músicos do Nordeste estão indo tocar mais por lá e isso cria um ânimo que contagia as pessoas quando eles voltam para cá", explica.

O que ainda falta são espaços institucionalizados para que o forró toque. Se pensarmos no chorinho, João Pessoa conta com o projeto Sabadinho Bom, que abre espaço semanalmente para o gênero. No mesmo projeto, o samba tinha um horário, que foi limado. Ainda assim, espaços como o Recanto da Cevada, nos Bancários, se tornaram reduto dos artistas do samba.

Na opinião de Jader, a perspectiva é que isso se torne uma realidade para o forró, principalmente entre os artistas jovens que estão produzindo música atual dentro do gênero. "Até pouco tempo, a gente tinha dois ou três grupos tocando forró de maneira frequente na cidade. Hoje, acho que temos uns oito, entre trios pé-de-serra e grupos universitários. Acredito que isso é reflexo dessa crescente da viabilidade econômica", completa.

Os Fulano

Hoje, às 21h.

Pontal do Cabo (Av. Cabo Branco, 4912, Cabo Branco, João Pessoa – 3247.4336 – http://www.pontaldocabo.com.br).

Ingressos: R$ 15

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