segunda, 20 de maio de 2019
Música
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Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba cai no samba

André Luiz Maia / 02 de dezembro de 2018
Foto: Marcelo Máximo/Divulgação
Será que a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba (OSJPB) consegue cair no samba? O maestro Luiz Carlos Durier, regente titular da orquestra, garante que sim. No Dia Nacional do Samba, comemorado no dia 2 de dezembro, eles abrem espaço para celebrar o ritmo, que é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, com um concerto especial.

Ao lado dos jovens da sinfônica, o músico Potyzinho Lucena e os cantores convidados Polyana Resende, Kojak do Banjo, Salete Marrom e Mirandinha apresentam um repertório que mescla clássicos do gênero e composições autorais dos artistas paraibanos, mostrando sambas com nosso toque.

“Eu adoro desafios, mas aqueles que nos dão prazer. Fazer samba com um grupo sinfônico é uma coisa muito gostosa porque é uma oportunidade que a gente tem para desmistificar essa diferenciação que fazem entre a música popular e a música de concerto”, afirma Luiz Carlos Durier.

O maestro faz questão de salientar a riqueza do gênero musical. “Posso mostrar várias composições belíssimas feitas por sambistas que, adaptadas para o contexto sinfônico, se transformariam em excelentes suítes musicais. É só uma questão de adequação”, salienta.

Clássicos e paraibanos

No programa constam as músicas mais representativas do samba, de autoria de compositores brasileiros como Ary Barroso, Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa e Noel Rosa, e paraibanos, a exemplo de Potyzinho Lucena e Jonathas Falcão.

“Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, surge na abertura do concerto com arranjo assinado pelo Maestro Duda. Na sequência, temos uma composição autoral de Mirandinha, o primeiro convidado da noite, com “Salve o negro, salve o samba”. A adaptação para o contexto sinfônico é feita pelo jovem Emanoel de Barros, que ganhou bastante destaque ao fazer o mesmo com as canções de Zé Ramalho para um concerto com a Orquestra Sinfônica da Paraíba há dois anos.

Outras faixas que aparecem nesta parte do concerto são “O surdo”, de Antônio José, Chico Silva e Paulinho Rezende, com arranjo de Rogério Borges; “Um Samba a Dois”, composição e arranjo de Potyzinho Lucena, lançado por Polyana Resende recentemente nas principais plataformas digitais como seu novo single; “Meu Ébano”, de Neneo (arranjo de Rogério Borges), eternizada ns voz de Alcione; além de “Batuque”, da “Série Brasileira” do compositor Alberto Nepomuceno.

O repertório continua com uma sequência de obras de Dorival Caymmi, outras composições autorais de artistas paraibanos, culminando em uma sequência de clássicos do cancioneiro popular brasileiro: “Palpite infeliz” (Noel Rosa), “Mulata assanhada” (Ataulfo Alves), “O bêbado e o equilibrista” (João Bosco), “Foi um rio que passou em minha vida” (Paulinho da Viola), “Trem das onze” (Adoniran Barbosa) e “Não deixe o samba morrer”, composição de Edson Conceição e Aluízio Silva.

Além do trabalho de Emanoel de Barros e Rogério Borges, o maestro Durier destaca incursão do sambista Potyzinho Lucena na criação de arranjos para um contexto sinfônico. "É muito bom vê-lo se aventurar por esse caminho, de pensar uma música composta para um pequeno grupo de músicos para a dimensão de uma orquestra", confessa.

Ele também faz questão de reforçar a necessidade de transpor barreiras imaginárias entre gêneros musicais, sendo inclusive bastante educativa aos componentes da orquestra. “O samba contribui de todas as formas. Contribui artisticamente, contribui musicalmente e contribui pedagogicamente. Os jovens que estão começando a aprender música precisam ter intimidade, um certo 'molejo' com seus instrumentos, e o ritmo do samba facilita essa intimidade”, complementa Luiz Carlos Durier.

Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba

Hoje, às 19h

Sala José Siqueira (Espaço Cultural, R. Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho, João Pessoa – 3211.6228 – https://www.facebook.com/funescgovpb – http://funesc.pb.gov.br)

Entrada franca

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