terça, 25 de junho de 2019
Música
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Olivia e Francis Hime celebram em CD sua amizade ao Poetinha

Kubitschek Pinheiro / 13 de junho de 2017
Foto: Divulgação
Desde 2013, quando do centenário de Vinicius de Moraes, o casal Francis e Olívia Hime deu inicio a uma série de shows homenageando o poeta nas embaixadas do Brasil. O resultado saiu agora em CD Sem Mais Adeus – Uma Homenagem a Vinicius com 27 canções. Os dois perceberam que não estava programada nenhuma homenagem do Itamaraty (já que o poeta foi também diplomata), aí surgiu a ideia do show. Cantaram na Finlândia, Noruega, China e Alemanha.

O disco chega recheado de histórias. Parece um sarau, com eles cantando, recitando e contando historias das canções. “Percebemos que não havia nenhuma homenagem fora do Brasil", conta Francis. "Mesmo que não tivesse o centenário, fazer um trabalho sobre Vinicius é um grande prazer, assim como homenagear Tom Jobim, grandes compositores brasileiros. Vinícius sempre foi uma pessoa muito presente em minha vida e na de Francis”, comentou Olivia.

A amizade de Francis e Olivia com Vinicius vem de ambas as famílias. Em certa ocasião, a mãe de Francis, a pintora Dalia Antonina, reuniu amigos e um deles era Vinícius. Francis tinha 15 anos e tocou uma de suas criações, “Valsa de Euridice”.

“Eu conheci Vinicius não exatamente na casa de meus pais, mas em várias situações, em shows, também com o escritor Fernando Sabino, mas ele ia muito à casa de meus pais em Petrópolis", conta, por sua vez, Olivia. "Na época ele era casado com Nelita, muito amiga da minha mãe. Ele subia a serra para ficar conosco”.

No encarte, Olivia escreve uma carta para Maria Moraes, a filha mais nova de Vinicius. Foi ideia dela colocar uma fotografia de Vinícius com a filha no colo. Ao lado, a carta. “Em todos os meus discos, quando quero contar algo, recorro a esse gesto. Desta vez escolhi Maria, ela aqui é minha interlocutora”, diz ela.

Nesse CD, eles cantam seis canções da parceria de Francis com Vinícius. “Em cinco, eu fiz a música antes e Vinicius fez a letra depois", conta Francis. No caso de 'Um sequestrador', fizemos a música juntos e tempos depois, a Adriana (Calcanhotto) letrou. Todas já tinham sido gravadas, embora 'Samba de Maria' tivesse tido apenas um registro: a participação de Jair Rodrigues no Festival da Record de 1967”.

Adriana fecha o disco cantando com Francis e Olivia justamente “Samba de Maria" e "Um sequestrador”. “Eu conheci Adriana em 1990, quando fizemos juntos um show em homenagem aos dez anos da morte de Vinícius, no Rio. Foi nessa ocasião que lhe mostrei a melodia de 'Um sequestrador'”, completa Francis.

Algumas canções têm histórias de bastidores. Em 1962, numa tarde em Ipanema, Vinícius chega a um bar e deixou um guardanapo de papel na frente de Francis. Era a primeira parceria dos dois. “Esse episódio do guardanapo aconteceu com 'Sem mais adeus'”, diz o compositor sobre a canção que dá nome ao CD. Outra foi encontrada no baú, com um manuscrito: "Para o Francis botar musica". "Essa foi 'Maria da Luz'”.

Dos afrosambas só entrou “Canto de Ossanha”. “Os afrosambas foram uma influência muito importante, sem dúvida. Inclusive, eu conheci a música no dia de sua composição, quando Baden Powell apareceu na boite Bottles, no Beco das Garrafas, onde Dori Caymmi e eu fazíamos uma passagem de som para o show que estrearíamos ali, ainda em 1965”, diz Francis.

Outro momento tocante é a interpretação de Olivia de "Nature boy", de Eden Ahbez (tema do filme O Menino dos Cabelos Verdes, 1948). “Muita gente me pergunta o que essa canção tem a ver com Vinícius. Ele foi critico de cinema e gostava muito desse filme”.

O momento que Olivia Hime declama “O monologo de Orfeu” é arrepiante, não porque ela tenha formação em teatro, mas porque sua voz vai além do palco: “Essa parte minha interpretativa, levo sempre comigo quando canto. Quando digo as letras, é a minha postura no palco. O palco é um lugar muito especial”.

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