terça, 24 de novembro de 2020

Música
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O adeus ao sambista e ativista cultural Bené Bitonho

André Luiz Maia / 23 de fevereiro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Durante a manhã desta terça-feira (23), os familiares, amigos e músicos tiveram a oportunidade de prestar a última homenagem ao sambista Bené Bitonho. O carioca, nascido em Pernambuco e levado com poucos meses para a Cidade Maravilhosa, que adotou João Pessoa como morada, morreu na madrugada do domingo (21), aos 61 anos, em Aracaju, vítima de um infarto.

Lembrado com muito carinho por todos, ele foi um incentivador. “Era incrível o zelo e o cuidado que ele tinha com todo mundo, principalmente com os sambistas. Uma pessoa afetuosa e companheira. Bené foi um dos grandes ativistas culturais dessa cidade, mesmo sem perceber. Ele sempre queria que os meninos e as meninas do samba fossem além. Colocava-os para estudar, dava conselhos, elogiava”, explica a presidente da Fundac, Sandra Marrocos, amiga pessoal do sambista. “Há ativismo de forma organizada, mas ele fez isso de uma forma muito natural, fruto de uma generosidade grande que ele tinha”, completa.

Generosidade que se revela nos depoimentos dos músicos que vieram se despedir. “O conheci quando tinha 25 anos e Bené me proporcionou momentos marcantes. Só nos deixa alegrias e o legado de uma pessoa maravilhosa”, conta Kojak do Banjo. Ele sempre incentivou que Bené fizesse um registro em estúdio de seu trabalho, o que não aconteceu. No entanto, um CD ao vivo com nove músicas, gravado ao vivo na Rádio Tabajara com Luizinho do Pagode, deve sair em breve.

Quem também tem uma história que evidencia seu espírito generoso é o músico Max Serrano. “Certa vez, estava na esquina da minha casa, em Manaíra, tentando tocar com um amigo. Naquele momento, passou Bené. Imediatamente, ele parou o carro, desceu e conversou conosco. Não sabíamos tocar nada direito, mas ele, que era de uma generosidade imensa, nos convidou para ir ao samba no outro domingo. Foi ali que ele abriu uma porta. Sou músico e estou no samba há 15 anos por conta dele. É um pai para mim”, comenta.

O baterista Bruno Torres, filho de Bené Bitonho, explica que seu interesse pela música foi alimentado desde cedo pelo pai. “Cresci em roda de samba, onde desenvolvi essa percussividade aflorada que eu tenho. Devo muito a meu pai, tanto pela forma de ser quanto pelos ensinamentos na música. Apesar de termos tido uma relação meio Gonzaga e Gonzaguinha, cheia de altos e baixos, ele foi um pai grande”.

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