quarta, 26 de junho de 2019
Música
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Na Paraíba, Geraldo Vandré conta que continua compondo

André Luiz Maia / 26 de dezembro de 2017
Foto: Assuero Lima
Geraldo Vandré é uma figura que gera curiosidade nas pessoas. Dono da música que foi considerada um dos ícones de resistência à ditadura militar imposta ao Brasil por longos 21 anos, “Pra não dizer que não falei das flores”, a trajetória controversa do paraibano de João Pessoa se intensifica ainda mais com sua personalidade lacônica.

O homem de poucas palavras veio ao CORREIO e conversou um pouco sobre o que está fazendo pela Paraíba, um local que visitou pouco desde que mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1951. Atualmente, vive em sua casa no centro de São Paulo. Em 2015, veio à Paraíba pela primeira vez em vinte anos para ser homenageado pelo Fest Aruanda.

“É sempre muito gratificante poder voltar. Quando vim ao Fest Aruanda, fui muito bem recebido pela Paraíba, recebi muito carinho e afeto”, declara o cantor. Ele foi lembrado pelo festival da sétima arte por suas composições para a trilha sonora de A Hora e A Vez de Augusto Matraga, um clássico do cinema nacional do diretor Roberto Santos lançado em 1966.

Mas o que o motiva a retornar à Paraíba em 2017? O próprio Vandré responde. “Estou por aqui graças ao convite do governador Ricardo Coutinho. Estou desenvolvendo um projeto de música sinfônica. Tenho algumas composições no piano”, revela o músico. A conversa entre Ricardo e Geraldo começou na sua primeira vinda, ainda em 2015, em diálogo mediado por Lúcio Vilar, o organizador do Fest Aruanda.

Na conversa, Vandré demonstrou interesse em realizar um trabalho novo, um disco ao lado da Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Questionado sobre quando o público poderá ter acesso a esse repertório, o artista é enigmático, algo inerente ao seu feitio. “Para breve”, afirma, sucinto. Além do seu trabalho com a sinfônica, ele também continua compondo música popular, embora não tenha planos de torná-las públicas tão cedo. “Eu espero que eu possa apresentar essas músicas daqui a muitos anos, pois aí eu terei mais um tempo de vida”, brinca.

'Pra não dizer que não falei'. Em uma conversa com Geraldo Vandré, o tópico “política” é inevitável. O artista se dispor a responder sobre é outra história. Contudo, ele declarou algumas coisas à reportagem do CORREIO sobre a situação de intensa polarização e falência das instituições políticas brasileiras.

“O homem é um animal político, mas existe uma confusão entre política e eleição. O Brasil está difícil e vai continuar enquanto as pessoas continuarem a confundir as duas coisas”, enfatiza.

Em 2015, quando Vandré completou 80 anos, o CORREIO entrevistou Vitor Nuzzi, autor da biografia Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida. Na opinião do biógrafo, as discussões sobre política acabaram afastando Vandré da vida pública e isso acabou afetando sua vida artística. “O que eu acho prejudicial a respeito dessas polêmicas é que elas acabaram ofuscando a contribuição que ele deu à arte brasileira”, pontuou, na época. Sobre o assunto, Vandré é sucinto. "Tudo o que falam ou deixam de falar me afeta enquanto artista".

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