sábado, 16 de janeiro de 2021

Música
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Marina de La Riva lança álbum ‘Rainha do Mar’, uma homenagem a Dorival Caymmi

André Luiz Maia / 02 de abril de 2017
Foto: Divulgação
“Me aborreci, me zanguei / Já não posso falar / E quando eu me zango, Marina / Não sei perdoar”, cantava Dorival Caymmi (1914-2008) na primeira lembrança do baiano que vem na cabeça da Marina de La Riva, que acaba de lançar um álbum em homenagem ao compositor: Rainha do Mar (Universal Music).

“Achava (a música ‘Marina’) linda, mas ficava muito triste. Pensava que ele estava cantando pra mim e eu, criança, não sabia por que ele estava de mal comigo”, acreditava.

Com participações especiais Danilo Caymmi, filho de Dorival, Ney Matogrosso e João Donato, o projeto – como os peixes no fenômeno da Piracema – faz o caminho inverso e é lançado depois de “nascer” como apenas quatro apresentações, em 2014, pelo centenário de Caymmi, e crescer para uma turnê que foi parar literalmente na China (em Macau).

“Fiz esse projeto com tanta dedicação e atenção que ele tinha que perdurar mais”, avalia Marina. “Era preciso materializá-lo. E é por isso que ficou tão vivo”.

O álbum foi feito como seria caso o Dorival estivesse no Red Bull Studios, em São Paulo, com todos presentes e gravando realmente ao vivo, sem inserções ou gravações independentes. “As pessoas estavam presentes, atentas a tudo. Se você errar, leva consigo mais cinco músicos. Todos estavam mentalmente presentes”, conta Marina de La Riva, que não tinha o chamado comumente como “dia da voz”, que é quando a cantora grava à parte dos instrumentos. “Pra mim, tinha apenas o ‘dia da música’”, define.

Com essas memórias do palco, ela leva para o estúdio toda a maturidade que lhe fez mergulhar com mais atenção e delicadeza, “tudo limpo e perfeito no seu lugar, como uma casa bem arrumada. Quase como um ritual”.

Filha de uma mineira com um cubano, no repertório a cantora carioca mistura nacionalidades que viajam de Cuba para Argentina, faz ponte aérea com as raízes africanas e com os clássicos de Dorival, e acaba pousando nas canções que o pai cantava para a artista.

Como a junção dos cânticos afro-brasileiros “Oração de Mãe Menininha” e “Canto de Nanã”, de Caymmi, lado a lado com os temas afro-cubanos “Babalu” (de Margarita Lecuona) e “Drumi Ogguere” (de Gilberto Valdés).

Disco pela capa. Apresentando sugestões, Marina de La Riva foi combinando com seus convidados as músicas para dividir o microfone do estúdio. Algumas foram em cima da hora, como o ‘dueto’ de abertura “Canto à Yemanjá” (André Luiz e Tio Jorge) e “Rainha do Mar” (Caymmi). “Não combinamos nada. As ideias que não realizo, me perseguem eternamente”.

Então, explicando no estúdio para João Donato – “entendido de música latina como ninguém” –, que repetiu de várias formas até o formato desejado, foi a hora em que La Riva batizou o projeto, denominando naquele momento de Rainha do Mar.

Antes de cair de cabeça em um projeto, Marina de La Riva confessa que preza muito pela imagem, já que a visão vem antes da audição. Sendo a própria modelo para a lírica capa de Rainha do Mar, as fotos aconteceram antes das gravações, quando a cantora estava de férias no Nordeste, em Fernando de Noronha (PE).

“A obra de Caymmi é muito imagética. Trabalha imagens na cabeça para músicas”, define. “A imagem da capa do disco é a metáfora de mergulhar e se apaixonar. Era exatamente o que eu queria dizer: tocar com as forças da natureza. Tem encantamento, aflições, força e delicadeza, tudo ao mesmo tempo”.

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