quarta, 03 de março de 2021

Música
Compartilhar:

Maria Bethânia fala ao CORREIO sobre show desta quinta-feira

André Luiz Maia / 17 de agosto de 2017
Foto: Divulgação
Solar. Bastante alegre e bem-humorada, Maria Bethânia conversou com o CORREIO sobre o show Maria Bethânia – Grandes Sucessos, que chega nesta quinta-feira (17) a João Pessoa. A apresentação começa às 21h e a Casa de Taipa, produtora local, informa que assim que os portões forem fechados, o público que se atrasou não poderá entrar no teatro, mesmo com o ingresso em mãos.

O show desta quinta-feira (17) acontece depois de um adiamento, já que a performance estava agendada previamente para 15 de julho. A razão foi o estado de saúde da cantora, uma gripe. "Que virose infernal! Deus me livre e guarde. Menino, transferi três espetáculos! Rio, Santos e João Pessoa! Tô pagando tudo agora (risos). Graças a Deus, eu posso”, comenta a artista com seu humor característico. Ela retorna a João Pessoa depois de quase dois anos.

Na última vez, ela trouxe sua turnê Abraçar e Agradecer, que comemorava 50 anos de carreira. Por ter sido a primeira vez em quatro anos que ela aparecia na cidade, parte do público sentiu falta na época de alguns de seus grandes sucessos. Para suprir essa carência, o set list dessa vez traz canções que devem resgatar boas memórias dos fãs e admiradores da Abelha Rainha. A julgar pela lista de canções da passagem da turnê pelo Rio de Janeiro em agosto, descrita com riqueza de detalhes no blog do crítico musical Mauro Ferreira, o show será para cantar junto em diversos momentos, seja em "Cálice", clássico de Gilberto Gil e Chico Buarque, na rasgada "Fera ferida", de Roberto e Erasmo, ou em "O quereres", atualmente no ar na voz de seu irmão, Caetano Veloso, na abertura de A Força do Querer.

O paraibano Chico César também aparece em dois momentos no repertó- rio: o hit "Onde estará o meu amor?" e "Estado de poesia", gravada por Maria Bethânia primeiramente no DVD Carta de Amor e, logo em seguida, registrada pelo compositor como faixa-título de seu disco mais recente. Mas engana-se quem acha que será um mero Bethânia Novelas apresentado ao vivo. Cantora que sempre trabalha turnês com base em um disco específi co ou um conceito determinado, ela não deixa de fazer uma costura das can- ções mais conhecidas com outras pérolas que ela tem como favoritas. “A cantora é a mesma (risos)! O raciocínio da cantora também é o mesmo, eu preciso de uma linha de dramaturgia para seguir mesmo em um show de sucessos. E assim, é um show que eu canto sucessos, mas canto também músicas que não foram sucessos, aquelas que as pessoas nunca prestaram atenção", salienta.

Assim, não surpreendentemente, ao lado das músicas conhecidas por todos citadas anteriormente aparecem "Balada para Gisberta", "Eu e água", "Vento de lá" e "Dona do raio e do vento". O show surgiu como um espetáculo de rua apresentado na sua terra natal, Santo Amaro da Purificação, na Bahia. "Era fevereiro, a Festa da Purificação, nossa grande festa. Era na rua, uma coisa precária, precária no sentido de não ter uma sonoridade adequada, mas era um momento para que as pessoas da minha cidade se reconhecessem e reconhecessem minha devoção a Nossa Senhora da Purificação, nossa padroeira. Então pensei algo assim: vou cantar o que eles conhecem para eles ficarem muito alegres. É uma festa que tem uma religiosidade mas também profana, onde tem todo tipo de brincadeira, de namoro... Era esse meu interesse, que as pessoas cantassem, se beijassem, ali de pé, na rua, no sereno", explica a cantora Ao levar essa montagem para o teatro, ela quis preservar esse espírito, pois julga esse pacto estabelecido entre uma cantora e o público em um palco ao ar livre um belo elemento teatral. "Eu o mantive e fui acrescendo. Em cada lugar são conversas diferentes, pertinentes ao espaço, cito poetas, autores de prosa, músicos, compositores. É um modo de eu brincar também, aproveitar para namorar vocês todos. É um show pra beijar na boca, gritar ‘nooooossaa, que músicaa, essa leeeetra’ (risos)”, se diverte, alterando a voz e imitando o público que ela vê do alto do palco.

Por falar nele, o palco e os elementos referentes ao seu ofício ganham uma dimensão metafísica quando Bethânia é perguntada sobre o assunto. “O palco para mim é igual subir no altar da Purificação, ele tem esse elemento de sagrado, apesar de ser completamente profano, visitado por nós que não somos preparados para essa dimensão de sagrado. É o meu local de oratória, onde posso me expressar, dizer minha opinião sobre absolutamente tudo: comportamento, política, natureza. Uma pessoa ter um lugar onde possa se expressar... Você , por exemplo, é jornalista e pode se expressar através do seu artigo, acho que isso precisa ser sagrado, senão vira um nada. Acho que o trabalho, qualquer trabalho, tem que ser assim. Isso é o que me faz viver, é o que me carrega", define.

Relacionadas