segunda, 10 de dezembro de 2018
Música
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Maria Bethânia e Zeca Pagodinho se mostram felizes com trabalho conjunto

Kubitschek Pinheiro / 04 de dezembro de 2018
Foto: Divulgação
A turnê De Santo Amaro a Xerém, com Maria Bethânia e Zeca Pagodinho, já está de volta a estrada para celebrar o lançamento do DVD e CD homônimo que a Biscoito Fino acaba de lançar. Além do Rio de Janeiro, os artistas se apresentam em Brasília, Porto Alegre, São Paulo e Salvador. Os fãs paraibanos ficam na expectativa de que o show venha para João Pessoa. O DVD foi gravado em São Paulo, no Citibank Hall.

O nome projeto faz referência à cidade em que Bethânia nasceu e ao município fluminense onde o sambista tem seu sítio e viveu grande parte da infância e adolescência. O show é lindíssimo, com imagens de um cinema cantado.

“Amaro Xerém” abre o show com esses versos: “Por essa luz eu disparo/ Sem repetir nehémnhémnhém/ O Brasil é que é meu faro/Levaremos tudo além/ É no samba que eu preparo/ De Xerém a Santo Amaro/ De Santo Amaro a Xerém...” .

“Quando resolvemos fazer o show, eu pensava: 'Como será?' Tem que ter uma coisa especialmente criada para esse espetáculo. Então, o que nos une de Santo Amaro a Xerém, no Rio? Pensei logo em Caetano, que pra mim é a chave disso tudo”, lembra Bethânia, para o CORREIO. “Um núcleo muito forte, meu irmão e uma proximidade por tudo que conversamos. Logo era ele quem deveria fazer uma canção que significasse esse encontro. Ai eu escrevi pra ele e que fez essa bela canção”.

“Recebi um e-mail de Bethânia pedindo para eu fazer uma canção que ela iria fazer um show com Zeca Pagodinho e eu fiquei pensando... Fazia dois anos que eu não compunha música nenhuma”, conta Caetano. “Ela tinha falado num negócio de Xerém e Santo Amaro, aí terminei fazendo a canção. Uma canção bem simples”.

O roteiro é assinado pelos dois artistas, que interpretam seus grandes sucessos e canções novas no repertório de cada um. É uma festa quando ele canta “Deixa a vida me levar” (Serginho Meriti/Eri do Cais) e no final Zeca repete: “Deixa Bethânia me levar...”.

Tem “Sonho meu” (Ivone Lara/ Delcio Carvalho) que nos remete para esse encontro dos dois que gravaram no CD/DVD Quintal do Pagodinho, em 2016. Na ocasião, os dois cantaram “Sonho meu”. E sambas em homenagem às suas escolas de coração, a Mangueira dela e a Portela de Zeca.

A direção musical é de Jaime Alem que está de volta aos palcos com Bethânia, e forma a banda com Paulão Sete Cordas (violão), Rômulo Gomes (baixo), Paulo Dafilin (violão e viola), Marcelo Costa (bateria/ percussão), Jaguara (percussão), Esguleba (percussão), Paulo Galeto (cavaquinho) e Vitor Mota (sax e flauta).

Bethânia e Zeca se alternam no palco e em duo, em vários momentos, cantam “Você não entende nada” (Caetano Veloso) e Bethânia emenda com “Cotidiano” (Chico Buarque) e mais três músicas inéditas como a canção “A Surdo 1”, de Adriana Calcanhoto, sobre a Mangueira, duas de Leandro Fregonessi, e “Pertinho de Salvador”.

Quando se separam cada um abre sua parte solo com um clássico: Zeca com “A voz do morro” (Zé Kéti) e Bethânia com “Falsa baiana” (Geraldo Pereira) e revisitam sucessos da carreira de ambos, como “Café soçaite” (Miguel Gustavo), “Marginália” (Gilberto Gil e Torquato Neto), “Reconvexo” (Caetano Veloso) e “Ronda” (Paulo Vanzolini), na voz de Bethânia. Ou “Coração em desalinho” (Monarco e Ratinho), “Não sou mais disso” (Zeca Pagodinho e Jorge Aragão), “Samba pras moças” (Roque Ferreira e Grazielle) e “Vai vadiar” (Monarco e Ratinho).

“Pra mim é uma festa, todo dia eu ia para lá ensaiar, via meus amigos, conheci gente que não conhecia, achei um cachorro na rua e levei para casa”, diz Zeca. “‘E pensei: ‘O nome vai ser Amaro. Perguntei pra Bethania se podia dar esse nome e ela disse, que sim’. ‘Você é a madrinha e o Paulão do Violão é o padrinho’”, contou Zeca. E arrematou: “Como eu ia imaginar que eu um dia poderia estar ao lado da Maria Bethânia, num palco? Poderia ser num avião, mas num palco é muito bom”, registra Zeca.

Bethânia responde. “Ninguém divide com o Zeca, eu finjo que eu canto junto com ele, eu vou brincando ali atrás. Fico ouvindo ele cantar, encantada. Ele tem uma coisa mágica, única, com uma qualidade rara”. “Pois é deixa a Bethânia me levar, pra onde me levar eu vou. Eu to no mundo pra isso”, registra Zeca.

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