terça, 19 de janeiro de 2021

Música
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Lucy Alves abre o jogo sobre a nova fase de sua carreira

André Luiz Maia / 13 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Uma nova Lucy Alves definitivamente apareceu com o lançamento do clipe de “Caçadora”, seu primeiro single lançado pela Warner Music, nova gravadora da paraibana de 31 anos. A estética musical e visual dessa nova fase de sua carreira gerou controvérsia, dividindo opiniões de fãs da cantora que a acompanhavam desde a época do Clã Brasil. Muito se falou, mas pouco se ouviu de Lucy a respeito deste novo momento. Agora, é a vez dela.

A nova música traz uma mistura do reggaeton, com elementos do forró pé-de-serra, como o triângulo e a sanfona, além de guitarras que evocam sons do carimbó e outros gêneros latinos. A fusão entre reggae e o dancehall resulta no reggaeton, ritmo eletrônico surgido nas boates de Porto Rico que foi ganhando notoriedade no mundo latino até chegar ao Brasil e se popularizar com "Sim ou não", hit de Anitta em parceria com Maluma. Mas, ao invés da pista de dança, o clipe de "Caçadora" é ambientado em um bar com inspiração estética tipicamente brasileira, apresentando uma Lucy Alves com postura e roupa sexy, uma imagem bem diferente do que o público se acostumou a ver vindo dela.

Logo, surgiram muitas indagações e comentários nas redes sociais sobre o que a teria motivado a seguir este caminho mais pop. Quando o clipe foi lançado, ela estava em Portugal e não recebeu as impressões num primeiro momento. Mas logo ela teve acesso a alguns comentários e eles não se distanciaram muito do que imaginou que o novo trabalho provocaria. "Imaginei que as pessoas iam achar diferente, porque o novo sempre gera discussão e às vezes assusta e foi o que eu notei. As pessoas que me conhecem desde pequena passaram a questionar. ‘Ah, nossa, aquela menina que já tocou com Sivuca, com Dominguinhos, que tem um passado calcado no forró e agora é ex-forrozeira?’. Como? Como ex-forrozeira? Toda a bagagem que eu tenho continua dentro de mim", afirma.

Também teve repercussão positiva. "Vi comentários muito legais, de um público mais novo, entusiasmado com essa experimentação, de ir para outros lugares, de mistura", pontua.

A mudança de estilos, que flerta com os hits radiofônicos do momento, foi amplamente questionada, mas a cantora garante: foi uma decisão dela. "Eu quis flertar com a música eletrônica, com essa música que é tão libertária, eu achei bacana. Eu fiquei feliz com o resultado, com o primor com que a música foi feita. Não dá pra agradar todo mundo, eu já sabia, mas eu quis fazer. E essa música não determina o que eu vou produzir. Posso chegar com uma balada romântica, uma valsa, um fado. Eu gosto de ser eclética. Muitos estão me conhecendo agora e não sabem das minhas experiências com o forró, com o reggae, com o choro, com essa miscelânea toda. Gosto de ser camaleão".

Sua participação na segunda edição do The Voice Brasil lhe deu destaque nacional, que resultou em convites para o teatro e até mesmo para a televisão, dando vida a um dos personagens principais da novela Velho Chico. A experiência que ganhou e as possibilidades que se abriram à sua frente foram muitas, mas ela garante que as encara com parcimônia.

"É maravilhoso, mas a minha história é aproveitar cada momento sem afobação. Eu sempre falo nas entrevistas que eu adoro conhecer gente, adoro experimentar outras coisas, sempre falei isso. Que bom que eu pude vir para cá, conhecer outras pessoas, outros olhares profissionais, olhares artísticos que podem me acrescentar bastante e que eu também posso. Eu trago minha bagagem, meu sotaque, algo que é intrínseco, que nunca vai me deixar", conta.

E isso também se reflete em seu trabalho com a Warner. "Eu estou nessa casa porque eu sei que ela pode me ajudar com o planejamento e com a organização dos meus cronogramas, mas a gravadora, pelo menos no meu caso, não pode me impor nada. Eles não vão lançar nada que eu não assine embaixo. Eu tenho essa segurança e essa sabedoria de conduzir, de me expressar, de falar o que eu penso", esclarece a cantora.

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