terça, 24 de novembro de 2020

Música
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Ligia Amadio estará hoje à frente da Orquestra Sinfônica da Paraíba

André Luiz Maia / 18 de agosto de 2016
Foto: Raafel Passos
Há um ano, a maestrina Ligia Amadio veio à Paraíba pela primeira vez para reger a Orquestra Sinfônica da Paraíba. Agora, ela está aqui novamente para mais um encontro nos palcos, hoje. Mas a primeira coisa que quis fazer foi pisar novamente nas areias de Cabo Branco, uma espécie de ritual de preparação. Com energias renovadas, ela comanda o quinto concerto oficial da sinfônica paraibana.

“Eu peguei minhas partituras e fiquei na porta do hotel, estudando e vendo esse mar incrível”, revelou. Em mãos, as folhas de “Sinfonia nº 1 em Dó menor, Op. 68”, do compositor alemão Johannes Brahms.

A Primeira Sinfonia de Brahms foi um desafio na vida do compositor, pois foi a primeira composta após Beethoven, um dos grandes gênios da música sinfônica. “Brahms só compôs quatro sinfonias e essa primeira foi a que mais lhe deu trabalho. Como é que você ia compor uma sinfonia depois dele (Beethoven)? O peso que Brahms tinha nas costas era grande demais. Ele demorou quase 20 anos para concluí-la. Foi um passo de gigante mesmo”, diz.

A obra é significativa não apenas na história da música de câmara, mas também na própria trajetória da maestrina. Quando foi premiada no conceituado Concurso Internacional de Tóquio, em 1997, e durante outros momentos importantes da carreira, a peça integrava o repertório. “Quando recebi o convite do maestro Durier para regê-la fiquei muito feliz, pois fazia um tempo que mexia nela e esta é uma excelente oportunidade de revisitá-la”, explica Ligia Amadio.

Também integram o programa da noite a abertura da ópera “Fosca”, do compositor brasileiro Carlos Gomes, e o “Concerto para Flauta e Orquestra, Op. 238”, de Carl Reinecke.

O flautista paraibano Vitor Diniz será o solista do concerto nessa peça, uma coincidência, pois ele e Ligia já se conheciam. “Eu o conheci na Alemanhã, na Hochschule für Musik Karlsruhe. Um jovem simpático, adorável, que eu terei oportunidade de trabalhar junto com ele. Soube que é um músico excelente. Nunca imaginei que iria reencontrá-lo aqui na Paraíba”, conta a maestrina. Esta obra de Reinecke é “mais jovem”, por ter sido composta no início do século XX, mas a maestrina alerta que a estética é mais “retrô”, nos moldes da música romântica.

Esse concerto está inserido no projeto “Mulheres Regentes”, uma iniciativa das regentes brasileiras Cláudia Feres, Erica Hindrikson, Ligia Amadio e Vânia Pajares. A proposta é discutir o papel da mulher no mercado da música sinfônica, mostrar os problemas enfrentados e apontar caminhos e soluções.

“As mulheres da minha geração são pioneiras no papel de regente. Tínhamos a Chiquinha Gonzaga, que foi uma precursora, já que, além de compositora, também regia, mas bissextamente. Com regularidade, fomos as primeiras”, comentou Lígia.

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