domingo, 09 de maio de 2021

Música
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Líder da cantoria conta como ajudou a evitar o desaparecimento dessa arte

Astier Basílio / 13 de outubro de 2015
Foto: Arquivo
Agreste de Pernambuco, 7 de junho de 1963. Ao embarcar no ônibus que o levaria de sua cidade natal, Caruaru, para Sumé, no estado vizinho da Paraíba, o jovem Ivanildo Vila Nova sabia que o caminho que iria percorrer era sem volta. A bagagem era pouca. Um violão e uma pequena mala na qual estavam três peças de roupa: duas camisas e uma calça, dados por seu pai, o também repentista José Faustino Vila Nova.

Hoje Ivanildo Vilanova completa 70 anos. Daquela viagem para cá, o mundo deu muitas voltas. Ivanildo tornou-se aquilo que o seu pai sempre sonhou: o maior cantador do século XX, conforme eleição ocorrida no ano 2000. Ao longo de todos estes anos, Ivanildo viajou ao exterior, foi gravado por nomes importantes da música popular como Elba Ramalho e Xangai, venceu mais de 300 festivais, criou associações e, acima de tudo, promoveu a cantoria, impedindo sua morte.

Formação comunista. Em 1961, no Brasil sacudido pelos extremismos que deflagraram a ditadura militar, não era fácil ser comunista. “Ah, meu pai achava muito ruim”, diz Ivanildo. Tanto desaprovava que em 1965, publicou um folheto de cordel bem sugestivo sobre o tema: O comunismo Está à Porta. “Minha família, inclusive, me expulsou de casa porque os comunistas todos eram vistos todos ateus, materialistas, inimigos de Deus”.

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