quarta, 14 de novembro de 2018
Música
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Jorge Aragão é homenageado por artistas nova edição do Sambabook

Kubitschek Pinheiro / 21 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
Jorge Aragão está completando 40 anos de carreira e ganhou um presentaço: é o quinto homenageado da coleção Sambabook, projeto da Musickeria. O material foi editado em diversas plataformas: dois CDs, DVD, blu-ray, especial de TV no Canal Brasil, discobiografia, fichário de partituras, ambiente web com portal e redes sociais e aplicativos para smartphones e tablets.

Aragão confessa que, quando soube que seria o da vez, recebeu a noticia com reserva, certo de que estavam queimando etapas. “Na minha cabeça deveriam ser homenageados Ney Lopes, Wilson Moreira, João Donato e Paulinho da Viola, mas respeitei a decisão”, revela ao CORREIO. “Eu nunca pensei nisso, em rememorar o meu lastro autoral. Eu continuo agindo naturalmente,  não projetei uma carreira artística na minha vida” resume.

Aragão tem suas composições cantadas por 23 artistas (veja o quadro), de Martinho da Vila a Anitta, de Elza Soares a Maria Rita. “Realmente emociona muito e a gente sente que é verdadeiro o privilegio. Na verdade eu sou apenas um autor. E volto para casa para chorar minha emoção”.

Baby do Brasil cantando “Malandro” (que estourou na década de 1970 na voz de Elza Soares) chama a atenção. “A Baby do Brasil personificou a Elza Soares, a figura dela é muito forte, envolvente. Ela faz com que o ambiente se modifique. Cada uma em seu momento fez tão bonito que não conseguiria dizer qual foi a melhor”, festeja.

Um momento inusitado é Anitta cantando “Coisinha do pai”. “Gostei muito da interpretação dela e ao mesmo tempo fui surpreendido. Primeiro porque estou vendo uma menina aparecer no mercado que só me remetia ao funk. Mas Anitta tem uma forma de cantar, que é bem diferenciada e potencializa sua musicalidade", conta. "Quando  fomos gravar, ela desceu do carro, já me deu um abraço e falou da alegria de estar ali para cantar a canção que seu do pai sempre colocava para tocar quando ela era menina, para que ela tivesse mais intimidade com o samba”.

“Coisinha do pai” é a música que "acordava" o robô Sojourner, da missão Mars Pathfinder em Marte, em 1996 e 1997. “Foi uma brasileira que trabalhava na Nasa e tinha essa função de fazer com que o robô começasse a trabalhar, despertado por uma música tocada. Quando eu soube, gostei demais", diz. "Não deixa de ser um ponto alto da minha carreira, saber que isso existiu, é real. Eu sempre brinco que nunca vou chegar aos pés de Chico Buarque, mas para uma música dele tocar lá em Marte, Chico vai ter que penar”, disse, rindo.

“Vou festejar” encerra o DVD. “A CBF me pediu para mexer na letra e transformar os versos para a Seleção Brasileira, uma reaproximação do público com o futebol. E eu mexi”, conta.

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