sexta, 18 de setembro de 2020

Música
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Ídolo da Jovem Guarda, Jerry Adriani se reinventa e lança DVD

Kubitschek Pinheiro / 06 de maio de 2016
Foto: Divulgação
Jerry Adriani está volta, aliás, o paulistano Jerry Adriani (nome artístico de Jair Alves de Souza), nunca esteve fora do ar. Editados pela Coleção Canal Brasil e distribuídos pela gravadora Deck, Jerry está lançado seu terceiro DVD e seu 32º disco, que recebe o nome de “Outro Jerry Adriani” em edições gravadas no 24P do Rio de Janeiro ao vivo ele bem elegante, com imagens em preto e branco.

Eis aí o outro Jerry Adriani que é o novo Jerry Adriani. “Exato, sou o novo Jerry, pelo menos tento ser e sei que sou”, dispara ele pelo telefone em entrevista ao CORREIO, em seu apartamento no Rio de Janeiro.

Com repertório focado em sucessos da MPB e um tanto do jazz, tango e outras canções internacionais, o Jerry mostra que é um plural desde quando gravou o CD Forza sempre, (1999) interpretando as canções do Legião Urbana, em italiano. “Isso. Quando fui chamado para gravar um disco em italiano, (ele tem outros projetos gravados nessa língua), queriam que eu cantasse as mesmas canções que Renato Russo gravou no CD cantando compositores italianos, aí pensei: não sou cover de ninguém. Fiz uma seleção e gravei canções da banda em italiano”, avisou.

E segue:”Nesse novo trabalho canto jazz, canto em italiano e francês e canto meu país, mostrando mais e mais meu talento. Eu tive influencia de vários estilos musicais, bolero, MPB, e até dos cancioneiros americanos”, registra.

Ele abre o show e CD (que tem direção musical de Billy Blanco Jr.) com um clássico da década de 40, assinado por Carl Fischer e Bill Carey, “You’ve Changed”, canção já gravada por Nat King Cole, Billie Holiday e Sarah Vaughan. Depois Jerry emenda em “Lembra de Mim”, de Ivan Lins e Vitor Martins, ( que Nana Caymmi gravou) e vem “Guia”, de Pierre Aderne e Marcio Faraco, “A Medida da Paixão”, de Lenine e Dudu Falcão. O DVD tem direção de Thadeu Vivas, filho do cantor, ao lado de Bernardo Mendonça, e direção de arte de Mônica Martins, que também assina a produção executiva. Ou seja, um trabalho feito em equipe.

“Sim, ninguém faz nada sozinho. Todos juntos brilham nesse disco e DVD. Eu gosto muito de cantar 'You’ve Changed', ela enche o palco de vida. Nem sabia que Nana Caymmi tinha gravado 'Lembra de mim'. Eu amo essa canção de Ivan Lins, canto ela dentro de casa: lembra de mim a gente sempre se casava ao luar....”, cantora ele pelo telefone.

Ao interpretar Lenine Jerry se multiplica. “Lenine é um cara novo, inteligente, gosto muito das letras dele. Ele é foi maravilhoso comigo. A música é muito boa e quero gravar os jovens, quero gravar o que é bom”, pontuou.

Jerry interpreta “Judiaria” (de Lupicínio Rodrigues) a última faixa do CD num ritmo roqueiro, gravada anteriormente por Arnaldo Antunes no álbum “Ninguém” de 1995 e por Adriana Calcanhoto no show em homenagem ao compositor gaúcho, em 2015.

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“Eu tinha que deixar minha marca nessa canção, por isso cantei o Jerry de antes, de sempre e fiz isso também cantando Judiaria e Sugar Man. Cantei com o mesmo entusiasmo ´Medo da chuva´ de Raul Seixas. Essa canção Raul fez para eu gravar, mas na época me neguei, porque falava uma coisa contra a igreja, (Eu não posso entender, tanta gente aceitando a mentira, de que os sonhos desfazem aquilo, que o padre falou), mas agora chegou a vez de gravar e acho que fiz bonito”, lembra ele.

Segundo Jerry Raul, Seixas quando migrou para o sul, morou com ele. “Raul meu grande amigo. Começou sua vida comigo, tocando comigo em shows. Eu que o convidei para ele vir para CBS. Meu compadre, sou padrinho da filha dele Simone, que hoje mora nos Estados Unidos. Ele riu quando eu disse que não podia gravar 'Medo da chuva'. Raul faz muita falta”, disse.

Ainda do repertório internacional Jerry arrebenta cantando “Quando”, do italiano Pino Daniele, e “Hier Encore”, do francês Charles Aznavour.

Boa interpretação de “Resposta ao Tempo” de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, “Georgia on my Mind” de Hoagy Carmichael e Stuart Gorrell, além das surpresas, “Sugar Man”, de Sixto Rodriguez, artista esquecido que teve um documentário dedicado a sua história, “Searching for Sugar Man”, ganhador de um Oscar. “Essa canção é o maior sucesso na África. O documentário tirou Sixto Rodriguez do anonimato e ele hoje está por cima. Ele foi levado para África e retomou sua carreira”.

Nos extras do DVD Jerry fala sobre as inspirações que o levaram a fazer esse novo trabalho, a ligação dele com a música italiana desde o começo da carreira e como ele sabe sair da mesmice: “Sei mesmo, todo dia me reinvento”

Jerry tem uma agenda cheia de shows nos quatro cantos do país e está nos palcos com o vigor dos anos 70. “Estou mesmo. Minha agenda é cheia e onde vou levo meus sucessos e agora vou cantar esse CD novo, que é bem diverso e vai agradar”. Você ainda canta “Querida”? “Rapaz, se eu não cantar, apanho das fãs”, disse rindo.

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