sábado, 16 de janeiro de 2021

Música
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Hamilton de Holanda fala sobre a universalidade de Pixinguinha destilada em DVD

Audaci Junior / 19 de março de 2017
Foto: Protásio de Morais/divulgação
Assim como a batida do ritmo sincopado de Jackson do Pandeiro (1919-1982), a universalidade que “se lamenta” no choro de Pixinguinha (1897-1973) forma o baluarte da música popular brasileira.

Universalidade porque atinge vários pontos do mundo, basta ver os personagens que sobem ao palco do DVD Mundo de Pixinguinha ao Vivo (Brasilianos, Crioula Records e Canal Brasil, preço médio R$ 39,90): comandado pelo bandolim de 10 cordas do carioca Hamilton de Holanda, a ode ao mestre conta com o dedilhar do piano do paulista André Mehmari, do cubano Omar Sosa e do italiano Stefano Bollani, além do acordeonista (de jazz) francês Richard Galliano.

“Eles estão tão à vontade porque a nossa música é linda”, enaltece Hamilton de Holanda, em entrevista para o CORREIO. “(O pianista cubano Chucho) Valdés fala que a música brasileira é a mais completa. O músico estrangeiro se deleita. Tem relação com a música improvisada. Na época do Pixinguinha nem era o jazz, estava começando a chamar de choro”.

O instrumentista e compositor frisa que essa pegada jazzística de improvisação foi pré-concebida a partir das partituras originais. “Os músicos são muito experimentados e isso facilita. Assim, criar as improvisações na hora da apresentação não foi tão difícil. Parece até que a improvisação simplesmente cai do céu, mas foram estudados todos os acordes. Acaba sendo um vocabulário próprio nosso, daquele que vem como estou falando aqui com você. Na hora do show, vem a magia”.

Para o bandolinista, que enamorava as músicas de Pixinguinha desde a infância por intermédio dos pais pernambucanos, o autor do clássico “Carinhoso” (junto com João de Barro) resume de forma completa a música brasileira porque “é uma mistura muito nossa. Por isso ele é tão querido e amado”.

No repertório do DVD, canções como “Naquele tempo”, “Ingênuo”, “Lamentos”, “Agradecendo”, “Segura ele” e “Rosa”, dentre outras, são apresentadas junto com as nordestinas “Feira de Mangaio” (Sivuca e Glorinha Gadelha) e “Asa Branca” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira). “Foram sugestões de Richard Galliano. Uma maneira de nos abraçar e reverenciar a nossa sanfona”, revela Hamilton, que também apresenta a sua composição “Capricho de Pixinguinha”.

Nos extras, músicos que participaram do CD (lançado em 2013) e não puderam subir ao palco do registro: o trompetista norte-americano Wynton Marsalis, o pianista cubano Chucho Valdés, o multi-instrumentista carioca Carlos Malta e a flautista franco-brasileira Odette Ernest Dias, contemporânea de Pixinguinha.

Caxumba. Outro projeto do Hamilton de Holanda vem junto com a Orquestra do Estado de Mato Grosso. O disco Alegria (independente, R$ 25) é um mergulho nas músicas infantis que podem marcar as crianças de hoje e já foram tatuadas nas de ontem. “No final de contas, é pra família”.

Sob regência do maestro Leandro Carvalho, “A Pantera Cor-de-Rosa”, “Sítio do Pica Pau Amarelo” e o tema do game Mário Bros.

Das reminiscências da sua infância, Hamilton relembra Pixinguinha, o jogo de bola e a vez em que zerou Mário no Atari quando pegou caxumba e ficou de molho em casa.

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