terça, 02 de março de 2021

Música
Compartilhar:

Há cinco anos morria o maestro da Orquestra Tabajara Severino Araújo

André Luiz Maia / 03 de agosto de 2017
Foto: Divulgação
Cinco anos se passaram desde a morte do maestro Severino Araújo. O músico pernambucano encontrou sua realização profissional à frente da Orquestra Tabajara, há mais de 80 anos em atividade. Mesmo após sua morte, o legado deixado por Severino é o norte da orquestra até então, atualmente sediada no Rio de Janeiro.

Quem a comanda é o irmão de Severino, Jaime Araújo. "Até hoje, a marca do Severino permanece. Ele foi um gênio, foi quem conseguiu elevar o status da orquestra ao que ele está hoje. Os arranjos que tocamos são os feitos por Severino, que têm uma personalidade muito própria. Ele já nasceu assim, com uma musicalidade fora do comum. Ele conseguia traduzir para a estrutura de uma big band qualquer música popular do mundo ocidental. Hoje, quando queremos fazer algo novo, temos um arranjador, mas em praticamente todo o repertó- rio há o dedo do meu irmão", conta. A orquestra, ainda sem o nome de Tabajara, surgiu em 1933, fundada pelo empresário holandês Oliver von Sohsten, saxofonista amador apaixonado por música.

Quatro anos depois, foi criada uma rádio estatal no estado, chamada inicialmente de PRI-4. Anos depois, ela viria a se tornar a Rádio Tabajara, batizando assim a orquestra que há pouco tempo havia migrado para lá. Severino, que teria completado 100 anos em abril, entra no time de músicos devido a um rearranjo na formação devido ao alistamento militar, que tomou vários dos profi ssionais da Tabajara, fazendo com que o então maestro Luna Freire fosse atrás de músicos pernambucanos. No meio desta leva, estava o saxofonista. Com o falecimento de Freire, ele assumiu o comando da orquestra. A partir daí, o trabalho deles foi reconhecido nacionalmente, rendendo convites, inclusive do paraibano Assis Chateaubriand, que os convida para ser a big band da Rádio Tupi, pertencente ao grupo criado pelo comunicador, os Diários Associados.

Daí em diante, o sucesso foi crescente, fazendo com que eles se tornassem uma das principais orquestras populares do país. A história dessa trajetória está registrada no livro Orquestra Tabajara de Severino Araújo – A Vida Musical da Eterna Big Band Brasileira, escrito por Carlos Coraúcci. "O autor foi procurado por produtores para fazer um fi lme contando a história da orquestra. Não sei se já está em andamento, mas nos próximos anos a gente deve ver isso tudo na tela grande", comenta Jaime Araújo.

Relacionadas