sábado, 08 de maio de 2021

Música
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Grupo paraibano Camena se apresenta no Centro Cultural São Francisco

André Luiz Maia / 02 de junho de 2017
Foto: DIVULGAÇÃO
A música barroca, estilo que continua sendo estudado e produzido por séculos, gerou diversos grupos dedicados ao gênero ao redor do mundo. Aqui na Paraíba, o grupo Camena (pronuncia-se "câmena") completa 20 anos em 2017 e, para marcar a data, faz referência a uma das principais obras do barroco, a ópera L'Orfeo, de Claudio Monteverdi, através de uma versão feita pela austríaca Christina Pluhar, que resulta no espetáculo Orfeu Xamã.

As performances acontecem na Centro Cultural São Francisco, uma das principais edificações que representam o estilo barroco na Paraíba, hoje, amanhã e domingo. Não se trata de uma reprodução da ópera de Monteverdi, mas sim uma adaptação para o português de uma versão em espanhol que reconta o mito de Orfeu com a musicalidade latinoamericana.

No coro, estão as cantoras Alline Fernandes, Giovanna Maropo e Thiago Wesley. Nos instrumentos, há Ravi Shankar (oboé), Rainer Patriota (viola da gamba e violão), Gustavo Seabra (mandolim e violão), João Victor Figueiredo (percussão), Pedro Pablo (sanfona), Alex Xavier da Costa (guitarra elétrica), Heloísa Muller (piano e cravo) e Ibaney Chasin (chitarrone e guitarra barroca). O texto, a narração e a direção cênica é de Ana Luisa Camino, os arranjos musicais e a direção artística são de Ibaney Chasin.

Para quem não conhece a história, Orfeu era um semideus que tinha como principal característica cativar e comover as pessoas através da música, tendo a lira como seu instrumento-símbolo.

A coordenadora do Camena, Heloísa Muller, explica com mais detalhes a história apresentada em Orfeu Xamã. "A história de Orfeu é a de um semideus que perde a esposa no dia do casamento, picada por uma cobra. Inconformado com a perda, vai ao inferno resgatá-la", explica.

Apesar da palavra inferno suscitar uma imagem específica em nossa sociedade judaico-cristã, o inferno grego não se tratava de um lugar que acolhia as almas erráticas, mas sim todas as almas, sem distinção.

Antes de chegar lá, Orfeu tinha um obstáculo: cruzar o rio Estige, algo que somente o barqueiro Caronte poderia fazer. "Ele proíbe a passagem de vivos pelo rio, mas Orfeu, através de sua música, o comove e ele permite sua entrada", completa Heloísa. Ele é recebido por Hades, o deus do Inferno, que ouve suas súplicas e permite que Orfeu leve sua amada de volta ao mundo dos vivos, mas impõe uma condição: não olhar para trás.

O termo "xamã" do título se dá por conta da cultura do xamanismo, que enxerga na própria natureza a conexão do divino e dos espíritos. "É principalmente por conta dessa experiência xamânica de falar com os espíritos, de ir ao mundo dos mortos, que a história de Orfeu carrega", complementa Heloísa Muller.

Em texto de divulgação do espetáculo, Muller afirma trazer a história de Orfeu para o contexto contemporâneo é oportuno, por conta das temáticas e reflexões que a história traz.

"Nada melhor do que trazer Orfeu à vida, já que vivemos tempos de mentiras obstinadas, opiniões medíocres sobre tudo e todos e falta de coragem, de sensibilidade! Orfeu, ao contrário disso, é a expressão da verdade de uma alma que tenta e erra, que quer e não sabe como, que tem coragem e ao mesmo tempo é vencido por si próprio. Viver é encarar o fato de que tudo se altera sempre e que nós não estamos nunca preparados para isso".

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