terça, 13 de novembro de 2018
Música
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Gal Costa lança 40º álbum com participação de Marília Mendonça

Kubitschek Pinheiro / 09 de outubro de 2018
Foto: Divulgação
O novo álbum de Gal Costa A Pele do Futuro é todo disco music e já está disponível em CD, LP e nas plataformas digitais e traz as participações de Maria Bethânia e Marília Mendonça. O nome do álbum vem da balada de Gilberto Gil, “Viagem Passageira”.

“Esse disco tem uma sonoridade nova que eu sempre quis fazer. Chamei Pupillo (que assina a produção) e disse a ele queria fazer um disco music. Queria algo para dançar e cantar e eu me dei esse luxo. Desde Estratosférica que eu queria fazer isso.Também fui seduzida pelo meu filho (Gabriel, 13 anos) que anda ouvido música dos anos 1970”, diz ela pelo telefone ao CORREIO.

“E eu sempre gostei de dar títulos a meus discos, como fiz com o Sorriso do Gato de Alice, que Caetano fez pra mim”, diz, referindo-se ao fato de pescar um nome do meio de uma música – no caso, "Errática". “Ele riu quando eu disse que esse seria o nome do disco, que é da canção dele”. Gal não gravava nada inédito de Gil desde justamente O Sorriso do Gato de Alice (1993).

O repertório, lembra Gal, foi escolhido com Marcus Preto, diretor artístico do álbum. “Marcus se encarregou de buscar algumas canções e fomos conversando. 'Sublime' (a primeira faixa, de Dani Black) era um samba lento que Marcus trouxe e a gente transformou em dance music e ficou muito bonita. É a música que meu filho mais gosta”, disse.

Gal já foi porta-voz da Tropicália, já cantou Caymmi, Bossa Nova e teve um período pop, mas não se agarra a rótulos. “Meu professor sempre foi João Gilberto. Eu sou tropicalista mas gravo o que quero. Como já disse, me dou esse prazer de fazer as coisas que eu gosto”.

Gal ousou ao convidar a sertaneja Marília Mendonça para cantar com ela uma música de autoria da "musa da sofrência". É a terceira faixa, “Cuidando de longe”, que ainda conta com um backing vocal e tanto: Maria Gadú, Céu e Filipe Catto.

“Sabe como foi isso? Estávamos indo para o Rio, eu e Marcus Preto, para os ensaios do Trinca de Ases (show com o qual ela percorreu o pais com Gilberto Gil e Nando Reis). Foi uma ideia repentina minha. Eu falei: 'Marcus, tal eu gravar uma canção tipo sofrência? Ele achou a ideia boa e logo encaminhou esse pedido meu a Marília. Ela é maravilhosa, foi uma alegria enorme cantar com Marilia, ter ela no meu disco”, disse Gal. Ela já cantou canções semelhantes: em 1973, lançou sua versão para “Índia”, sucesso da dupla Cascatinha e Inhana.

Quando ela recebeu a canção “Minha mãe” (de Jorge Mautner com melodia do mineiro César Lacerda e o som da sanfona de Mestrinho), de imediato, pensou em Bethânia. “Mautner era muito amigo de minha mãe (Mariah). Ele ia muito lá em casa no Rio, minha mãe adorava conversar com Mautner. Ele sempre dizia que ia fazer uma canção para ela e agora fez. Só que para ela e dona Canô (mãe de Caetano e Bethânia) e achei que cantando com Bethânia ia ficar, e ficou mesmo, uma canção linda, que gosto imensamente”.

Curiosamente a canção seguinte é “Mãe de todas as vozes”, que traz o arranjo focado na fase “Fatal”. A canção foi um presente de Nando Reis quando eles ainda estavam preparando a turnê Trinca de Ases, mas, segundo ela, já tinham canções demais e essa acabou não entrando no roteiro. “É isso, mas eu amo essa canção que Nando fez pra mim. É linda. Eu agradeço cantando”.

“Palavras no corpo”, é outra canção feita para Gal cantar. Uma parceria do músico capixaba Silva com o carioca Omar Salomão, filho de Waly Salomão, que era muito amigo de Gal. A inspiração veio da música “Sua estupidez”, de Roberto e Erasmo Carlos, cantada por ela no clássico álbum Fatal (1970) – dirigido por Waly. “Amo essa musica. Tem muito a ver com esse disco novo. Assim como adorei gravar 'Vida que segue', de Hyldon (de 'Na rua, na chuva, na fazenda'). Ele é ótimo, fez a musica para mim e gravei com muito carinho”, completa.

Gal volta a cantar Djavan, com “Dentro da lei”, que começa assim: “Se quer recomeçar, não vá de vencedor”. “Eu fui ver um show dele em São Paulo. Somos grandes amigos. Eu costumava ir almoçar na casa dele, aos domingos, quando morava no Rio. Já gravei coisas lindas de Djavan. Ele disse: 'Vou fazer uma canção nova pra você gravar' e não demorou. Mandou logo”.

“Abre alas do verão” é de Erasmo Carlos, com participação de Emicida. E Gal voltou a cantar Adriana Calcanhoto com “Livre do amo”. “Essa canção é linda. Já estava comigo desde quando gravamos Estratosférica”. Não entrou lá, mas guardei para esse disco music, que ficou uma maravilha”, disse ela E ainda temos “Realmente lindo”, do compositor paulista Tim Bernardes, da geração 2010, líder da banda O Terno. Fã agarrado aos álbuns de Gal na fase 1960/ 1970 entre outras canções.

Gal continua com voz límpida e diz que mais do que nunca segue uma vida regrada para manter sua voz assim. “Antes não, nos anos 1970, depois dos shows eu saia com amigos para me divertir, beber, mas isso passou”.

Trilogia de discos

Os três discos de Gal nos anos 2010 acabam formando uma trilogia de ousadias. Recanto, um disco conceitual de 2011, todo com canções de Caetano Veloso, levou a artista de volta aos palcos – ela não gravava desde 2005. “Recanto é minha vida, está tudo nesse disco, Caetano me deu esse presente, fez um projeto para mim compondo as canções e com uma estética musical bem ousada e diferente. Amo esse disco”, disse.

Logo em seguida veio Estratosférica. “É um disco que eu queria que tivesse uma pegada roqueira, algo que eu fiz nos anos 1960, na época do Tropicalismo. O DVD ficou ótimo com o símbolo do rock and roll (Gal diz que faz a “mão-chifrada”). Esse gestual eu faço antes de cantar 'Cabelo', que tem uma pegada rock pesado".

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