segunda, 14 de outubro de 2019
Música
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FurmigaDub apresenta documentários e disco com música regional

André Luiz Maia / 28 de junho de 2019
Foto: Divulgação
A música secular da Paraíba aterrissa no século XXI em grande estilo, sob a alquimia de FurmigaDub. O músico e produtor paraibano apresenta amanhã um show especial no Teatro de Arena para mostrar aos paraibanos um pedaço de sua cultura no show do disco FurmigaDub e Seu Bando e Os Mestres da Paraíba.

O EP de seis faixas já está disponível nas plataformas digitais e traz no repertório músicas de mestres da cultura popular paraibana, a exemplo de Alex Madureira, Marinho, Anita Garyballdi e o grupo de coco de quilombo Caiana dos Crioulos, há mais de 400 anos ocupando região próxima a Alagoa Grande, no Brejo.

A ideia do disco é pegar esses cantos do coco e da tradição oral, misturá-los com os beats da música eletrônica e resultar em um som híbrido, ressignificado. “A intenção é valorizar a cultura popular da Paraíba, a figura do mestre popular de tradição oral e questionar o que é velho e o que é novo”, pontua Fabiano Formiga, o FurmigaDub.

O paraibano, formado em Música pela UFPB, tem experiência na música clássica, tocando em orquestras sinfônicas do estado, mas se descobriu na música regional. O projeto FurmigaDub e Seu Bando, aprovado pelo edital Rumos Itaú Cultural, é resultado de suas pesquisas e descobertas pela seara da cultura popular.

Tanto é que isso não se resume às músicas, gerando também quatro minidocumentários, que serão exibidos no show de amanhã. “Eles mostram esse meu processo de aproximação com os mestres da cultura popular e mostram as origens de canções e movimentos que muita gente conhece, mas não sabe de onde veio. Quem não sabe cantarolar ‘Eu pisei na pedra’? Mas pouca gente sabe que essa música veio lá da Caiana dos Crioulos, uma comunidade secular no interior da Paraíba, com muita história pra contar”, defende FurmigaDub.

No repertório, estão canções conhecidas pelo público, como “Baculejo Bar da Pólvora"”, de Marinho, “Forró da lomba”, de Alex Madureira, e “Ainda dapadá”, de Anita Garyballdi. “Soletrando o coco”, também de Anita, e “Tesoura e piaba”, cantadas pelo grupo de coco do quilombo Caiana dos Crioulos, liderado por Dona Edite, também estão na lista.

A proximidade dessa música ancestral com a música eletrônica, vista por muita gente como inusitada, é natural na perspectiva do músico e produtor. “A gente chama de música eletrônica porque ela é feita com o auxílio de máquinas, mas a concepção da música sempre é orgânica. É a mesma música, com outra capa. Os remixes ajudam a popularizar aquela música, mas as células percussivas de um coco, um baião ou um ragga não são distantes do eletrônico”, argumenta.

Ainda neste ano, em 27 de outubro, será lançado o disco em vinil com um espetáculo do músico no Itaú Cultural, em São Paulo.

 

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