sexta, 18 de outubro de 2019
Música
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Forró em festa: Os 3 do Nordeste fazem 50 anos

Rammom Monte / 31 de março de 2019
Foto: Divulgação
Os 3 do Nordeste - foto divulgação
Quando eles tocam, “É proibido cochilar”. No forró deles, entra preto e branco, as meninas tudo calçadinhas de tamanco. Dança “Homem com H” e “Mulher com M” só.  Eles têm um ”Forró Apimentado”. Mas um “Forró de respeito”. Às vezes fazem umas coisas “Por debaixo dos panos”, que é para ninguém saber. Mas se tem uma coisa inegável, é que eles são “A banda que sabe tocar” e produzem “O melhor forró do mundo”. Eles são O 3 do Nordeste e completam 50 anos de carreira neste ano.

Com o lema “Mudar para continuar sendo o mesmo”, o trio comemora 50 anos de carreira com uma agenda de shows pelo Brasil e no exterior em oito países.

Atualmente o trio tem uma nova formação, mas com a mesma essência do começo da trajetória. O grupo é formado por Curió (voz principal e triângulo); Luka (zabumba e voz), filho do membro fundador Parafuso; e Pingo (sanfona e voz). A turnê carrega um repertório que reúne os principais sucessos autorais, além de trabalhos de outros artistas da cultura regional. Em cinquenta anos, Os 3 do Nordeste acumulam 37 discos e 3 DVDs. Ainda assim, eles mantêm acesa a chama da Cultura Musical Nordestina e brasileira. Ao longo dos anos, o trio conquistou públicos do Brasil e do Mundo, erguendo a bandeira do Forró Pé de Serra.

Direto de Lille, na França, onde fez um show na última sexta-feira, Luka conversou com o jornal CORREIO. Ele tem a responsabilidade de substituir o último fundador do grupo a se despedir, seu pai Parafuso.

“Parafuso foi realmente o último integrante da formação original a nos deixar. Com isso deixou uma marca forte na música brasileira. Eu me sinto muito privilegiado em assumir o lugar de um cara tão especial, de uma historia impecável, brilhante. Fico muito mais feliz por ser meu pai, assumir o lugar dele, é um legado”, disse.

Luka diz que a ideia da atual formação é continuar a história criada em 1969 por Parafuso, Zé Cacau e Zé Pacheco. “O trio passou por várias formações, mas como todas, esta também pretende levar o mesmo legado que é o da história d'Os 3 do Nordeste, que é a essência do forró. É uma historia linda de sucesso e a gente pretende dar continuidade a tudo isso, mantendo a qualidade musical. O melhor que tem para agradar o público, que é criterioso. Então é essa essência que o trio tem que a gente pretende continuar sempre”, disse.

Importância de Jackson do Pandeiro

Além dos 50 anos do trio, 2019 também marca o centenário de Jackson do Pandeiro. O Rei do Ritmo tem papel fundamental na história dos 3 do Nordeste. O músico era primo de Parafuso e, consequentemente, de Luka, que o tratou como padrinho do grupo.

“Falar de Jackson é falar da musica brasileira. É um gênio na verdade. Carregar o sangue deles é uma honra muito grande para mim. Jackson foi o padrinho dos 3 do Nordeste, através dele que eles fizeram o primeiro teste na CBS. Os 3 do Nordeste tem mais influência de Jackson do que do próprio Gonzaga. A gente tem uma parte no nosso show dedicada a ele. Ele realmente vai ser eterno”.

Parcerias e influências

Grande parte dos sucessos d'Os 3 do Nordeste passaram pelas mãos dos compositores Antonio Barros e Cecéu. Deles, saíram “É proibido cochilar”, “Por debaixo dos panos”, “Forró de Tamanco” e tantas outras músicas. Para Cecéu, o trio mantém a essência do verdadeiro forró.

“Eu acho que é um gênero que se sustenta até hoje com bravura. E eles são autênticos. Eles têm uma coisa deles mesmo. Nunca imitaram ninguém. É a autenticidade do verdadeiro forró. Eu acho que eles têm uma bravura grande de segurar esta bandeira até hoje”, diz.

Ela contou um episódio que se passou com o trio e Antônio Barros e Abdias dos Oito Baixos, que ajudou a levar o grupo a então gravadora CBS. “O produtor Abdias convidou Antônio para conhecer o trio e disse que queria que ele ajudasse. Foi realmente uma parceria diante de tudo isto. A partir daí nunca mais eles deixaram a gente, gravaram de vários autores, mas, modéstia parte, foram nossas músicas que projetaram eles. São muitas coisas lindas, tanta coisa que não dá para contar”, falou, enviando parabéns ao grupo.

Como um trio que marcou gerações, Os 3 do Nordeste influenciaram vários forrozeiros da nova geração, a exemplo do grupo paraibano Os Fulanos, que chegaram a gravar juntos a música “Do jeito que o forró gosta”, no álbum Forrobodó Parahyba. Jader Finamore falou sobre o trio.

“Os 3 do Norderte são uma grande referência do forró, juntamente com Trio Nordestino, Luiz Gonzaga... A gente fica muito feliz e contente deles estarem completando 50 anos, com uma formação nova. A gente fica muito contente de tê-los ativos. São parceiros, quase que padrinho nosso, não assumidamente, mas estão sempre juntos”, finalizou.

Trajetória

Originalmente formado por Parafuso, Zé Cacau e Zé Pacheco, o trio foi inicialmente batizado de Estrela do Norte. Depois ganhou o nome de Trio Luar do Sertão. A trajetória começou 1969, no Rio de Janeiro. Em 1972, os amigos tiveram a oportunidade de participar de uma seleção da gravadora CBS a partir de um convite de Jackson do Pandeiro. A banda mudou de nome e nasceu o trio Os 3 do Nordeste.

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