quinta, 24 de janeiro de 2019
Música
Compartilhar:

Erasmo Carlos põe o romance como tema principal de seu novo disco

Kubitschek Pinheiro / 09 de junho de 2018
Foto: Guto Costa/Divulgação
O tremendão Erasmo Carlos, que já soma 53 anos de palcos e música, acaba de lançar nas plataformas de streaming o 31º álbum “Amor é isso”, que sairá físico até o fim deste mês. Bem diferente dos últimos álbuns, o disco é todo romântico. Com 12 faixas inéditas, o roqueiro abre espaço para novas experiências. Com direção artística de Marcus Preto e produção musical de Pupillo Oliveira, o álbum é convite para dançar juntinho. O selo é da Som Livre.

“É tudo poesia. Senti essa necessidade de cantar poesias, unir amor e pensamento. Fiz para minha namorada Fernanda Aristides (Pedagoga). Eu estou cansado dessa gritaria 'sai do chão, vamos pular galera'. Queria um mundo mais musical. Tava faltando melodia, amo a melodia pois a melodia me arrepia”, diz o artista pelo telefone ao CORREIO.

No projeto, boas sacadas se apresentam e o cantor traz parcerias inéditas entre novos e velhos conhecidos como Emicida, Samuel Rosa, da banda Skank, Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes e Marisa Monte, além de letras escritas especialmente para o cantor feitas por Nando Reis e Marcelo Camelo. Erasmo sempre fez parcerias, desde o início com o Rei Roberto.

“Tenho bastante, nesse disco e em vários outros. Tenho muitas com Roberto Carlos (nessa hora o celular tocou e era Roberto, dando os parabéns a Erasmo, que estava aniversariando na última terça-feira). “Era Roberto me ligando de São Luís (MA) para dar os parabéns. Eu aprendo muito com os parceiros. Quando teremos uma nova canção sua com Roberto? Quando acontecer, quando chegar a oportunidade”, disse.

A canção que abre o disco “Convite para nascer de novo”, (dele, Marisa Monte e Dadi), fala em de um homem que acordava e chorava todo dia, “dando linha a uma vida extremamente chata, com a vontade disponível de não existir”. "Era solidão mesmo. Até que eu encontrei um novo amor para quem eu mandei 111 poemas e alguns estão nesse disco ai. Ganhei um universo pra chamar de céu”, reflete.

“Sol da barra”, de Marcelo Camelo, que participa do disco e que Erasmo chama de “amigo querido”, é uma canção linda e nos remete ao sol nascendo na barra. “ Rapaz, e gostei tanto dessa canção; o Marcelo é tudo de bom e eu agradeço”.

“Amor é isso”, que dá nome ao CD é mesmo uma canção apaixonante. “É isso e tudo mais. Comigo o amor é elástico. É muito bom falar de amor, o amor como conceito de duas pessoas, o amor é tudo, é total. Essa canção é um convite para que todos vejam e sintam o amor como uma coisa boa, que liga o pensamento a faz muito bem a todos nós”. A surpresa desse álbum é a parceria com o rapper Emicida. A canção “Termos e condições”, terceira faixa do disco, analisa o mundo por meio das desvantagens das novas tecnologias. “Essa é boa”, disse.

"Outra" é um resgate é a versão em português de “New Love”, lançada por Tim Maia em 1973. Amigos desde a juventude na Tijuca, antes mesmo de se tornarem cantores e compositores no começo dos anos 1960, Erasmo Carlos concretiza esse desejo de celebrar a obra de Tim Maia. “Poxa fiquei muito feliz. Eu amava Tim. Ela fez essa canção lá nos Estados Unidos em 1961. É um presente que eu dou a mim mesmo essa versão tão bela”, registra “Acareação existencial’,  Erasmo considera a base do disco.  “Sim, é bem movimentada”.

Quem escuta “Não existe saudade no Cosmo”, de Tiago Oliveira jura que é de Erasmo tamanha identificação com a letra e melodia. “Olha o Tiago (da banda baiana Maglore), me mandou letra e melodia e achei genial. Fui conhecer ele pessoalmente durante entrevista  que dei a Pedro Bial”. Uma curiosidade sobre a capa: ela é em branco para permitir que o público desenhe sua própria capa, com suas respectivas definições de amor. Em 2019 Erasmo vai lançar o livro com 111 poemas.

Erasmo, o José de “Paraíso Perdido”

Isso mesmo. Erasmo está no cinema. Recebeu o convite de Monique Gardenberg e faz o papel de José, que comanda um clube noturno movido a apresentações musicais e esse ambiente existe em São Paulo, onde o filme foi rodado. O filme é o retorno da diretora do longa “Ó, Pai, Ó”. Além de Erasmo, participam os atores Júlio Andrade, Humberto Carrão, Marjorie Estiano, Hermínia Guedes e Malu Galli, com Imã (Jaloo) e Seu Jorge.

“Eu adorei o convite da Monique. O José é legal. Ele que gerencia o clube onde acontecem coisas muitas coisas: com muita música brega e outras baladas. É o tema constante. É praticamente um musical. Mas lá você vai encontrar temas como homofobia, racismo e violência doméstica. Tem que ver. Fui a estréia de São Paulo e aqui no Rio e gostaria de ir a todas, mas é impossível”, disse rindo.

O José se parece com Erasmo? “Bom, o José é legal. É o patriarca que luta pelo amor da família e acho que ele consegue. Lá me chamam de Gigante Gentil”. Afinal quem é Erasmo Carlos? “Eu sou um cara muito legal”.

Relacionadas