terça, 19 de janeiro de 2021

Música
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Ellen Oléria traz a África para seu terceiro disco solo

Andre Luiz Maia / 13 de maio de 2016
Foto: Diego Bresani/Divulgação
Qual será o som do futuro se não aquele que está sendo produzido aqui, agora? Em seu terceiro disco solo (quinto, se contar com seus trabalhos com as bandas Pretu.utu e Soatá), a cantora Ellen Oléria dá um passo à frente em sua maturidade musical e traz seu Afrofuturista, o esforço de quatro anos em retrabalhar todas as influências da música produzida por negros – inclusive as menos óbvias – em um encontro com as batidas eletrônicas eletrônicos. Beat batucada.

Para dar forma a esse som ancestral que traceja rotas para o futuro, Ellen lembra com generosidade os parceiros de produção do CD, lançado de maneira independente. “Soltar um pouco o violão, pegar a guitarra e aproveitar essa sonoridade eletrônica que o Felipe Viegas trouxe para o CD foi uma experiência enriquecedora. Ao mesmo tempo, esses beats e loopings dialogam os batuques de terreiro que o Gabi Guedes (percussionista baiano, integrante da Orkestra Rumpilezz) trouxe com a participação dele”, elenca a cantora.

Outras contribuições que aparecem ao longo do disco são os versos da atriz Roberta Estrela D’Alva, em “Afoxé do mangue”, a voz da cantora cubana Yusa (em “Areia”), as alfaias de Seu Estrelo e o Fuá de Terreiro, além dos arranjos de Pedro Martins. Esses afluentes musicais desaguam no rio de Ellen Oléria com o mesmo intuito: estabelecer pontes entre o som de antes com o de agora. “Eu acho que isso foi super especial. É pensar como a gente se conecta com nossa ancestralidade, com a nossa herança musical, que alimenta tanto a cultura do Ocidente. Como a gente atualiza, como a gente faz hoje para se conectar com essa ancestralidade?”, questiona Oléria.

No disco, é possível ouvir afoxé com muitas camadas de sintetizadores, samba com looping eletrônico, a batida forte do candomblé e até mesmo o forró, pouco associado à cultura negra. Ellen faz questão de lembrar essa origem. “Quando a gente olha para a cara de Luiz Gonzaga, a gente vê a cara do Brasil, essa presença afro-diaspórica. Eu vejo o forró como mais um galho dessa descendência, assim como nos Estados Unidos tem o jazz, relacionado com o soul, o R&B. Aqui, vejo desdobramentos e similaridades entre o samba, o forró, o afoxé, o congado, o maracatu, o carimbó. Trazer luz para esse legado é bom para nós”, defende Ellen.

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