domingo, 16 de maio de 2021

Música
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Do rock ao jazz: ex-integrante da Ranói Ranói lança disco instrumental

André Luiz Maia / 10 de fevereiro de 2016
Foto: Arquivo
Um passeio pela música das décadas de 1970 e 1980, com um recorte bem específico: o jazz. O pianista, compositor e arranjador Ricardo Bacelar apresenta seu mais novo trabalho, Concerto para Moviola, registro ao vivo em CD e DVD de uma performance concebida especialmente para o tradicional Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, no Ceará. O material também pode ser conferido pelas principais plataformas virtuais de streaming, como Spotify, Deezer, Google Play Música e iTunes.

Ex-integrante da banda Hanói Hanói, que conquistou sucesso nacional com a música “Totalmente demais” – atualmente no ar como música-tema da novela homônima, na voz de Anitta –, Bacelar lançou seu primeiro trabalho solo em 2001, com disco In Natura, com participações especiais de Belchior, Frejat, Waldonys, dentre outros. Para seu segundo trabalho, ele decidiu criar um repertório mais alegre e mergulhando em suas inspirações musicais.

Estudante de música erudita desde a juventude, ele quis fazer um trabalho calcado no jazz, mas preferiu fugir das obviedades. “Fui buscar inspiração no jazz fusion, aquele produzido nos anos 1980, que misturava o ritmo com a percussividade da música cubana. Normalmente, quando pensam em jazz, lembram daquele feito nos anos 1950, nos standards de Miles Davis, por exemplo. Decidi fazer uma releitura daqueles grupos de fusion, que usavam teclados analógicos. Fiquei muito feliz com o resultado”, comenta Bacelar.

Gravado em 20 de fevereiro do ano passado, no Teatro Via Sul, em Fortaleza – o festival tem edições em Guaramiranga e na capital cearense –, o repertório faz esse apanhado, colhendo pérolas do cenário jazzístico internacional da época, como “Birdland” (Joe Zawinul), “March majestic” (Bob Mintzer), “So may it secretely begin” (Pat Metheny), somadas a clássicos da música nacional, a exemplo de “Sabiá” (parceria de Chico Buarque com Tom Jobim), “Água de beber” (Jobim e Vinícius de Moraes), “Setembro” (Ivan Lins, Vitor Martins e Gilson Peranzzetta), além de composições do próprio Bacelar.

A escolha do repertório é pouco óbvia quando pensado em um show de jazz. “Hoje em dia, as pessoas se preocupam em fazer produtos mais comerciais e, quando é instrumental, que tenha uma digestão mais fácil. Busquei um repertório diversificado, de bom gosto, de músicas que eu realmente gosto. Fiz um disco que eu gostaria de comprar e ter na minha estante, não queria aquele feijão com arroz de sempre quando se referem ao jazz”, conta Ricardo.

O CD evoca a sonoridade dos instrumentos analógicos da época e, para amarrar o conceito, ele criou uma faixa especialmente para isso, intitulada “Moviola”.

A moviola é uma máquina que auxiliava a montagem dos filmes na era analógica, quando os editores lidavam com volumosos rolos de película. Os trechos dos filmes eram cortados e colados com a ferramenta.

Outro elemento escolhido por Ricardo para evocar àquelas décadas do jazz fusion é o vocoder, dispositivo de manipulação da voz muito usada por artistas como Peter Frampton. “Eu faço um acorde no teclado e canto por cima dessa harmonia. A voz é distorcida para se adequar à melodia. É uma ferramenta interessante”, pontua o músico.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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