terça, 19 de março de 2019
Música
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Diana Miranda conta como trocou a área da saúde pela música

André Luiz Maia / 22 de junho de 2018
Foto: Divulgação
“Sou uma artista muito aberta, cosmopolita”. É assim que se define Diana Miranda. A cantora paraibana que começou sua carreira na Suíça com as bênçãos do lendário produtor musical Quincy Jones está prestes a completar 30 anos de uma trajetória musical compartilhada entre dois continentes. Depois de uma breve passagem pela Paraíba este mês, ela volta para o país que reside atualmente e acerta os últimos detalhes de uma turnê pela Europa, que se estenderá pelos próximos três meses.

Este mês, a intérprete esteve no Brasil para cantar no aniversário de 55 anos da emancipação da cidade de Mataraca, na Paraíba. Já de volta à Suíça, ela está nos ensaios para mais um show no evento que a apresentou para o meio artístico: o Montreux Jazz Festival. “Sou um bebê de Montreux. É um lugar onde me sinto bastante à vontade”, conta a cantora, em uma entrevista via WhatsApp diretamente da Suíça.

Sua estreia em Montreux foi em 1993, quando integrou uma série de performances de artistas brasileiros do calibre de Margareth Menezes, Os Paralamas do Sucesso e Hermeto Pascoal, que inauguraram uma sala dedicada ao produtor Quincy Jones. “Conhecê-lo foi um privilégio e algo realmente maravilhoso. Ele me viu cantar e disse que tinha algo especial. Esse encontro me proporcionou portas e janelas abertas aqui pela Europa, foi realmente espetacular”, relembra Diana.

Volta ao Brasil

Sua estreia em Montreux foi em 1993, quando integrou uma série de performances de artistas brasileiros do calibre de Margareth Menezes, Os Paralamas do Sucesso e Hermeto Pascoal, que inauguraram uma sala dedicada ao produtor Quincy Jones. “Conhecê-lo foi um privilégio e algo realmente maravilhoso. Ele me viu cantar e disse que tinha algo especial. Esse encontro me proporcionou portas e janelas abertas aqui pela Europa, foi realmente espetacular”, relembra a cantora.

Dona de uma voz suave e personalidade enérgica nos palcos, esse contraste chamou a atenção dos europeus. Ao longo dos quase 30 anos de carreira, participou de outros festivais de relevância no Velho Continente, como o de Mainz, na Alemanha; Roma Jazz Festival, na Itália; e Lancaster, na Inglaterra. Nos estúdios, gravou discos como Nordestina (1999), com repertório dedicado às canções que ouvia durante a infância em João Pessoa, e o Bossa Nova Songbook (2013), interpretando clássicos do gênero brasileiro consumido mundialmente. Este trabalho versado no fino da bossa pode ser conferido integralmente em plataformas digitais como Spotify, Deezer e Apple Music.

Do mundo

Morando em João Pessoa até os 17 anos, vai para São Paulo, onde se formou em instrumentação cirúrgica e começou a trabalhar em hospitais. Chamando a atenção por conta de sua beleza, participou de programas como o famoso Cassino do Chacrinha. O que a levou para a Europa foi mesmo a paixão, se casando com um suíço. Atualmente, Diana possui cidadania suíça.

Nas andanças pela Europa, aprendeu a falar e cantar em alguns idiomas, como italiano e francês. Também teve algumas experiências únicas, como cantar com Phil Collins. “Foi no aniversário de 30 anos de Montreux, em 1996. Ele tocou a bateria e eu cantei algumas músicas. Foi um momento muito especial”, recorda a paraibana.

Mesmo separada fisicamente por milhares de quilômetros, ela faz questão de reforçar seus laços com a terra natal. Em João Pessoa, está sempre presente nas prévias carnavalescas, especialmente o bloco Muriçoquinhas do Miramar. “Eu amo muito o Carnaval, faço questão de vir para cá sempre nesta época. No ano que vem, cantarei com certeza”, adianta. Em setembro, ela estará de volta ao Brasil, onde ficará até o ano que vem.

Em março de 2019, ela receberá em Salvador, na Bahia, o prêmio Berimbau de Ouro. “Acredito que o prêmio veio por conta da minha interpretação pela canção ‘Filhas da África’, lançada em um registro ao vivo de um show no festival de Montreux”, reflete.

Contrastes

Diana Miranda carrega a música brasileira em seu DNA, flertando com diversos gêneros musicais, mas não se furta em dialogar com o mundo. “Eu sou bastante eclética. Costumo dizer que canto aquilo que escutei e me identifiquei”, afirma a cantora. Apesar disso, ela acredita que existem alguns preceitos que não abre mão.

Música, em sua definição, se sustenta em quatro bases. “É um misto de harmonia, melodia, letra e mensagem. As pessoas precisam aprender que existe uma diferenciação entre música e entretenimento. Não necessariamente o que é entretenimento é música”, critica. É um dos motivos pelos quais Diana acredita estar satisfeita com sua carreira de bases europeias.

“Existe um compromisso na Europa com a música, dentro dessa definição que te falei. Há espaço mercadológico para isso e existe uma troca com o público”, ressalta Diana Miranda. No Brasil, ela enxerga essa relação como problemática. “O público brasileiro em geral não tem muita memória, não tem referências, até por uma questão de déficit educacional e as dificuldades políticas e sociais no Brasil. Isso acaba se refletindo na música produzida e tocada nas rádios”, analisa.

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