domingo, 19 de novembro de 2017
Música
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Depois de discos eletrônicos, Marina Lima lança um trabalho ao vivo

Kubitschek Pinheiro / 19 de março de 2016
Foto: Divulgação
Depois de seis anos morando em São Paulo, tendo lançado o último CD, Clímax, em 2011, e vindo de um namoro com a música eletrônica, a cantora Marina Lima chega agora com No Osso – Ao Vivo, CD acústico gravado no Sesc Belenzinho, também em São Paulo.

É um show de voz e violão, menos em “Não me venha mais com o amor”, a 12ª faixa, um dos bônus do disco. É o 20º trabalho de Marina. Demorou, como ela mesma canta na primeira faixa, uma vida inteira para plantar e pra colher.

“Não acho que demorou, mas nunca estamos totalmente prontos. A vida vai se revelando, e escolhas vão sendo feitas. Às vezes boas, como eu considero o caso de No Osso”, diz ela, ao CORREIO.

“Partiu” é essa primeira faixa do CD, uma canção inédita, de sua autoria. Com uma pegada forte, onde vamos encontrar os anjos de Berlim da canção de Caetano e o convite de Marina para zarparmos para Berlim onde tudo é possível.

“A letra diz: ‘Com você formou a liga das nações para libertar os povos dos nossos corações’. Os povos não são da Palestina, da Paraíba, do Rio de Janeiro. Os povos são as nossas histórias. Libertar o que ainda possa estar preso e amargurando a gente. É olhar para dentro”, diz a cantora. “Partir ou ir de encontro ao Planalto, a Berlim, ao Caetano. Ir de encontro à luz e ao bem”.

A canção seguinte “It´s not enough” (Marina Lima/Pat MacDonald/Reed Vertelney) foi pinçada do CD O Chamado, de 1993. É uma canção ela gosta muito de cantar, que nasceu com o violão do lado. “É especial cantar ‘It’s not enough’. Me coloca em contato com a minha infância, que passei nos Estados Unidas, quando pensava em inglês, fazia conta em inglês”.

“O solo da paixão” vem do disco Sissi na Sua ao Vivo (2000), e é uma das mais belas da sua parceria com o mano Cícero – uma parceria que segundo Marina, anda devagar. “Sim, devagar, mas com um leve gingado (risos). Tenho visto o Cícero. Jantamos sempre juntos. Qualquer hora vem”, afirma. “Agora, quanto a essa música, tem uma história curiosa. É uma das poucas com o Cícero que nasceu de um poema dele. Geralmente é o contrário. É muito especial para a gente”.

“Transas de amor”, também dela com Cícero, é a mais antiga de todas e vem de primeiro disco, Simples como Fogo (1979). Já “Virgem” (de novo, dela e de Cícero), do disco homônimo de 1987 segue bem atual, traz à tona o Hotel Marina, no Leblon, ponto de encontro de todos, e foca que o mundo é gay.

“Olha, ela soa atual embora eu tenha sabido que o Hotel Marina está sendo vendido, provavelmente trocarão o nome”, conta. “Mas a canção é atual, pois além dele ainda estar de pé, é um ponto de referência importante para as milhões de histórias que se passam naquele cenário do Leblon, da praia, da Zona Sul. E o mundo sempre mais gay do que nunca”, lembra.

Marina incluiu Lobão nesse acústico, em “Noite e Dia”, que vem do Deste Vida, Desta Arte, de 1982. Essa canção ficou na cabeça de muita gente. Marina gosta de cantá-la, assim como “Me chama”, dele. “Gosto de cantar mais essa até do que ‘Me chama’. A gravação do Lobão de ‘Me chama’ é que é a boa”.

E como não poderia faltar ela canta “Carente profissional”, de Cazuza e Frejat, sua homenagem, que vem do CD O Chamado. Saudade desse artista que era da sua geração. “Às vezes me pergunto o que o Cazuza e o Renato Russo estariam dizendo disso tudo agora. Por onde andaria musicalmente a carreira deles? Nunca saberemos, não é? Mas deixaram músicas maravilhosas como legado”, opina.

Sobre “Da Gávea”, ela diz não ser uma sambista. Mas essa canção dá vontade enorme de sambar. “Esse bem é do Rio. Eu também. Moro em São Paulo hoje em dia, mas o Rio é meu para sempre”, afirma.

Bela a regravação de “Não me venha com mais amor”, dela com Adriana Calcanhotto. “É a nossa única parceria. Espero que venham outras. Gosto muito dessa música, do clima, da intenção. É outra boa de cantar.

O disco fecha com dois bônus: “Can’t help falling in love”, de Elvis, e uma versão de “Partiu” com o grupo paraense Strobo. Marina acha que vai ser mais fácil fazer uma turnê. “É mais fácil, pois o formato é menor. Ajuda a viajar pelo país”, fecha.

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