sábado, 19 de outubro de 2019
Música
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Cursos em João Pessoa introduzem crianças no universo musical

André Luiz Maia / 30 de junho de 2019
Foto: Divulgação
Música se faz desde o berço. Pelo menos é esta a ideia que diversos pesquisadores, estudiosos e professores de musicalização defendem. A presença da música pode trazer uma série de benefícios para o desenvolvimento da cognição dos pequenos e João Pessoa tem uma série de lugares que ofertam esse tipo de atividade.

O Centro Estadual de Arte (Cearte) é um deles, em uma parceria com o Laboratório de Educação Musical Infantil da UFPB (Lemi), atualmente coordenado pela professora Marta Sanchís. Ela explica que musicalização infantil e o ensino de um instrumento musical podem ser complementares, mas que não significam essencialmente a mesma coisa.

“O ensino musical no sentido formal, de notação e ensino do instrumento, não é o ideal para crianças muito pequenas”, alerta a professora. Antes disso, é preciso introduzi-las ao universo musical, resgatando uma tradição ancestral. "Em todas as culturas do mundo, há a presença de música desde o berço, tanto as mães que ninam seus filhos, tanto pela própria comunicação do bebê, que já emite uma espécie de canto com seu balbuciar”, esclarece.

As aulas normalmente se baseiam nas noções básicas de ritmo, de fraseado musical, mas com abordagem mais lúdica. Dany Danielle, do projeto Contação da Rua, também tem experiência de musicalização infantil e defende que esse processo precisa evitar seu caráter utilitarista. “Ela não pode ser usada como uma simples ferramenta para desenvolver crianças, apesar de que, se feita de forma eficiente, alcança esses e outros benefícios. O objetivo principal da musicalização deve ser fornecer à criança um contato prazeroso, criativo, encantador e inesquecível com a sua própria natureza musical”, pontua.

Naturalmente, os benefícios da musicalização são amplos e devem ser celebrados, mas, na opinião das professoras, o processo deve ser encarado como um ambiente de estímulo ao desenvolvimento do próprio indivíduo. Marta Sanchís aponta que a musicalização não se dá apenas em um curso específico, mas também em casa.

“Uma pessoa que não teve uma introdução à música possivelmente terá mais dificuldades para se expressar. Hoje, os pais passam menos tempo com seus filhos em casa, onde normalmente aconteciam esses momentos de musicalização. Os cursos surgem como uma maneira de suprir essa lacuna, mas também conta com a participação dos pais para participarem do processo conjuntamente”, enfatiza Marta.

Dany reforça a diferenciação entre a musicalização e o ensino de um instrumento musical. "Não que um seja melhor que o outro, mas há propósitos diferentes. Aprender um instrumento pode ser muito interessante para ensinar questões como disciplina, compromisso com o estudo, trabalho em equipe, socialização... As possibilidades são grandes. Mas é preciso que os pais fiquem atentos aos desejos da criança, para que não se torne um fardo”, alerta.

Ela traz sua própria experiência enquanto pessoal, pois começou a ter contato com a música com o piano, aos 8 anos. “Foi uma experiência traumatizante, com pouco tempo eu sabia que não era aquilo que eu queria. Só fui voltar a lidar com música na adolescência, através de outro viés”, relembra. Com esse exemplo, ela reforça a importância de trazer a musicalização como um fim e não como um meio.

O diretor da Escola Estadual de Música Anthenor Navarro (Eeman), Moezio Porfirio, percebe que há um fenômeno crescente. “No início, eu notei que havia uma curiosidade a respeito da musicalização infantil, mas agora virou realmente um fenômeno. A Eeman existe há 88 anos e vemos como a música é uma ferramenta transformadora para todas as idades, mas com as crianças é algo ainda mais especial”, avalia.

Incentivo estatal. Há projetos de cunho social e outros com características mais particulares. Na Paraíba, há dois programas de iniciativa do poder público que se destacam nesse quesito, como o Projeto de Inclusão Social através da Música e das Artes (Prima), desenvolvido pelo governo estadual, e a Ação Social pela Música, da Prefeitura de João Pessoa.

Os programas são voltados para estudantes da rede pública de ensino. No caso do Prima, são 23 polos espalhados pelo estado, que podem ser procurados agora durante o mês de julho pelos pais com documentação necessária, como declaração de matrícula, histórico escolar, identidade e certidão de nascimento da criança.

No caso da Ação Social pela Música, as três unidades em João Pessoa, no Alto do Mateus, em Mangabeira (cordas) e no Gervásio Maia (flauta doce), estão no limite de vagas, mas sempre que há uma desistência, há uma nova seleção dentre os nomes presentes em uma lista de espera que vem sendo feita através da procura constante de candidatos que são cadastrados. A recomendação é que os interessados procurem as unidades com a documentação necessária para entrarem na lista.

GUIA

Prima e Ação Social pela Música — Destinados a crianças e adolescentes que estudam na rede pública, sendo o Prima estadual e o Ação municipal.

Musicalização do Cearte — Em agosto, inscrições a partir de 9 de julho, por R$ 150/semestre. Há turmas até para bebês de seis meses. Infos: ceartemusicalizacao@gmail.com e 3214-2923.

Escola de Música Antenor Navarro — Crianças com mais de 5 anos poderão se inscrever a partir do dia 9. Turmas para crianças com menos de 5 anos já estão com vagas esgotadas. Informações no Instagram da escola (@anthenornavarro). O valor é R$ 150/semestre.

Dany Danielle — Turmas de musicalização para crianças a partir de 2 anos, no mês de julho, aos sábados, por R$ 70. Mais informações em (83) 98129-2591.

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