quarta, 14 de novembro de 2018
Música
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Compositoras paraibanas apresentam a variedade de seus trabalhos

André Luiz Maia / 15 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
A questão feminina vem sendo discutida em todos os aspectos e, obviamente, essa discussão também envolve a cena artística. Como resposta a uma ausência de espaço para o trabalho das compositoras mulheres, surgiu o Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras, que tem uma edição em João Pessoa realizada hoje e amanhã.

Ao todo, são treze apresentações musicais, além de mesas e rodas de discussão sobre a presença feminina no mercado musical, sempre no Empório Café. Hoje, a partir das 20h, a musicista Harue Tanaka e a cantora e compositora Gabriella Grisi apresentam uma palestra sobre direitos autorais.

Em seguida, as duas fazem pocket shows com seus trabalhos autorais, assim como Madu Ayá, Mira Maya, Erica Maria, Nina Ferreira, Maria Juliana e Kalyne Lima, com participação especial de Julyana Terto, dos projetos Afronordestinas e Sinta a Liga Crew.

Maria Juliana lançou no ano passado seu disco Pétalas Vocais, nos quais apresenta composições próprias. Para ela, o evento é importante para mostrar a versatilidade e o talento feminino. “De certa forma, existe uma visão errada que acha que as mulheres se destinam a ser intérpretes e a composição é algo que diz respeito aos homens”, pontua. “Acham que compôr é um trabalho intelectual – como se interpretação não fosse fruto de um esforço intelectual também–, enquanto interpretar algo do emocional. Discordo disso”.

Na sexta, a partir das 18h, é dia de mais conversas, com temas como “A mulher na música e na poesia”, mediada pela escritora Letícia Palmeira, e “Produção e gestão de carreira”, com a produtora local Anne Fernandes. Depois, é a vez de mais uma rodada de shows, com Viviane Stayner, fazendo o pré-lançamento do CD Sobrevivi, Regina Limeira, Joana Knobbe, Camila Rocha, da Sinta a Liga Crew, e uma performance instrumental liderada por Priscila Santana, maestrina do Prima.

Regina, integrante do grupo A Troça Harmônica, está tendo suas primeiras experiências solo em 2016, em uma série de pequenas apresentações. No Sonora, ela apresenta um repertório fechado, intitulado Alumiação. “São composições mais recentes, que refletem meu estado de espírito e minhas reflexões mais atuais. A ideia é futuramente criar um registro com essas músicas, no meu primeiro CD solo”, comenta.

A semente do projeto surgiu a partir de algo que aconteceu com a compositora Deh Mussulini, de Minas Gerais. Ao perguntar a um produtor porque havia poucas mulheres em festivais de música, ouviu que as músicas das mulheres eram inferiores. “Isso fez com que ela pedisse para várias mulheres compositoras compartilharem em um mesmo dia vídeos e links de seus trabalhos na internet com a hashtag #MulheresCriando, para justamente mostrar que não falta trabalho de mulheres, nem em quantidade, nem em qualidade”, explica Knobbe. Com isso, criou-se o coletivo Mulheres Criando e, a partir da proposição da cantora e compositora paulista Larissa Baq, veio o Sonora.

A edição paraibana do Sonora é organizada por Knobbe, residente em Natal, e por Priscila Santana, coordenadora e maestrina do Programa de Inclusão através da Música e das Artes (Prima). Joana havia realizado uma edição em Natal ao lado da potiguar Simona Talma. “Recebemos trabalhos de mais de 30 artistas: de cantoras já com repertório consolidado, daquelas que só cantam na noite e lançaram em primeira mão material autoral no festival e de novas compositoras, bem jovens, que apresentam seu trabalho pela internet”.

Sonora – CICLO INTERNACIONAL DE COMPOSITORAS

Hoje, às 20h, e amanhã, às 18h. No Empório Café (R. Coração de Jesus, 145, Tambaú, João Pessoa – 3247.0110 – http://emporiocafejp.com.br).

Ingressos: decidido pelo público

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