quinta, 21 de novembro de 2019
Música
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Com novo show, Adriana Calcanhoto chega a João Pessoa em Fevereiro

Kubitschek Pinheiro / 18 de dezembro de 2018
Foto: Reprodução
No final de sua estadia de dois anos em Portugal, na Universidade de Coimbra, Adriana Calcanhotto concluiu sua residência artística com um concerto-tese, chamado A Mulher do Pau-Brasil. Daí foi gerada sua atual turnê, que já percorreu países da Europa e estados do Brasil e agora prepara o lançamento do registro em CD. Dois singles já foram lançados e um show em João Pessoa está marcado para fevereiro de 2019, no Teatro Pedra do Reino.

A canção em tom autobiográfico “Nasceu no Sul, foi para o Rio e amou como nunca se viu” também resgata o nome de um espetáculo do início da carreira, ainda em Porto Alegre, nos anos 1980. Foi quando começou a ser instigada pela obra do modernista Oswald de Andrade e toda sua influência no movimento tropicalista, décadas depois.

“Bem antes, nos anos oitenta, eu já tinha feito um show com esse titulo, muito embora a letra e a melodia só tenham vindo agora”, conta ela pelo telefone ao CORREIO.

Tanto no show como no clipe de "A mulher do pau-brasil", Calcanhotto começa com a introdução da canção “Escapulário”, de Caetano Veloso.

“Eu queria fazer uma canção que contasse a trajetória, de como cheguei a Porto Alegre, ao Rio, e ao mundo. Fiz também porque quando eu morava em Portugal e vinha visitar o Brasil, as pessoas me paravam nas ruas e diziam: 'Você é agora é de Portugal, é europeia?' Não, eu sou do Brasil, sou a mulher do pau-Brasil”, comentou.

A cantora partiu do Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924), um dos pilares do movimento modernista brasileiro, escrito pelo paulistano Oswald de Andrade (1890-1954), para conceber o espetáculo que aborda as influências da estética modernista (e da consequente antropofagia tropicalista de 1967/1968) na sociedade e na cultura pop do Brasil.

Lá em Portugal ela fez muitos shows. O mais marcante foi “Das Rosas” (tirado da canção de Caymmi), com Artur Nestroses, diretor da Orquestra Sinfônica de São Paulo. “Como esse show de lá, que era outro, com canções povoadas de Tom Diniz, Gonçalves Dias, Cármen Miranda e outras, fui nomeada embaixatriz do Brasil na Universidade de Coimbra. Foi lindo. A solenidade aconteceu na Biblioteca Joanina, um templo barroco. O show foi na Casa da Música de Coimbra”. O show infelizmente não foi gravado. “Não, mas é um show que podemos retornar a qualquer tempo e vou fazer isso”, afirma.

O repertório do show atual é uma volta no tempo. Ela canta “Eu sou terrível” (Eramos Carlos e Roberto Carlos) e "Geleia geral", de Gilberto Gil e Torquato Neto. E está acompanhada por Ben Gil e Bruno Di Lullo. Além das músicas que compôs em Portugal e releituras (a recente "As caravanas", de Chico Buarque), sem deixar de fora clássicos de seu repertório, como "Inverno", "Vambora" e "Esquadros".

“Ainda acrescentei outras como "Nenhum futuro" (de João Bosco e Francisco Bosco), e "Range rede", composição minha instrumental que entra bem no comecinho”, revela

O clipe de “A mulher do pau-brasil" foi gravado em Salvador, durante show no Teatro Castro Alves, e leva a assinatura de Dora Jobim. Começa em preto e branco e vai surgindo a coloração vermelha que lembra o pigmento extraído da árvore pau-brasil.

Novo single

Alguns dias depois do lançamento do primeiro clipe e single, la lançou no YouTube o novo clipe feito para a nova versão da música “O c* do Mundo” composta por Caetano em 1991. A versão de Calcanhotto conta com a participação do DJ Ubuntu e do DJ Zé Pedro, responsáveis pela remixagem e samples adicionados a faixa.É bem minimalista.

A música está com outra roupa e ficou praticamente irreconhecível. Adriana de fato se apropriou e transformou uma das obras de Caetano. “É uma coisa bacana, diferente, eu gostei e vocês vão gostar. Vejam lá no meu canal no YouTube”.

O vídeo traz ainda a performance do grupo de teatro PombaGira, inspirado no espetáculo Demônios, do mesmo grupo. A bela coreografia feita pelo grupo lembra um ritual religioso, bem visceral. Com direção de Murilo Avesso, o clipe mergulha no lado obscuro da sociedade.

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