quinta, 21 de março de 2019
Música
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Chico César faz show em Campina Grande com banda paraibana

André Luiz Maia / 23 de novembro de 2018
Foto: Divulgação
A música como ferramenta transformadora de realidades é uma constante na biografia de Chico César e o Instituto Casa do Béradêro é a prova disso. O público de Campina Grande poderá ajudar a dar continuidade ao projeto e, de quebra, conferir uma performance especial que conta com a Camerata Béradêra, regida pelo maestro Yerko Tabilo, recebendo Chico e o prestigiado músico baiano Letieres Leite, da Orkestra Rumpilezz.

Criado na década de 1990 em Catolé do Rocha por Chico César e a freira Iracy de Almeida, sua primeira professora de música, o Béradêro já atendeu a mais de dois mil alunos em 23 anos de existência, oferecendo a jovens sertanejos outras perspectivas de vida através da música. “Hoje, também vamos trazer integrantes que já passaram pela Casa, mas que hoje estão tocando em grandes orquestras no estado e até mesmo fora dele”, salienta Chico César.

O show terá o tema “Sertão paraibano” e um elaborado cenário montado pelo cenógrafo José Sereco. Como ano passado, a segunda edição do evento reverterá totalmente a renda para a manutenção do instituto. O repertório de 14 músicas tem composições do artista Chico César, como “Pedra de responsa” e “Por que você não vem morar comigo?”, e outros clássicos de compositores nordestinos, como “Assum preto”, de Humberto Teixeira e “Feira de mangaio”, de Sivuca.

Letieres Leite entra nessa equação para evidenciar a africanidade contida na música brasileira como um todo. Em conversa com o Correio, o maestro salienta essa questão. “Eu não trago a música afro-brasileira, porque essas músicas todas que tocamos têm essa referência em sua origem. Se você toca um maracatu ou um coco de roda, há a presença da percussividade africana, assim como em outros ritmos como o frevo, o baião. Lá fora do mesmo jeito, como o rock, o jazz, o blues, o hip-hop. Meu papel é tirar o véu e revelar essa matriz”, enfatiza.

Além do concerto, Letieres também chegou na Paraíba com o objetivo de fazer uma troca com os alunos, em uma espécie de aula, explicando esses aspectos citados anteriormente. “Fiquei muito satisfeito com esse contato, tem músicos muito talentosos nesse projeto”, destaca. O baiano tem currículo extenso. Além de estar à frente da Orkestra Rumpilezz, na qual ele evidencia essas conexões sonoras, também já gravou ou se apresentou com diversos artistas.

Dentre eles, se destacam o percussionista marroquino-senegalês Mokthar Samba, Gilberto Gil, Naná Vasconcelos, Elba Ramalho, Lulu Santos, Timbalada, Daniela Mercury, Elza Soares, Stanley Jordan, Carlinhos Brown, Olodum, Toninho Horta, Hermeto Pascoal e a cantora Ivete Sangalo, com quem trabalhou até o Carnaval de 2011, compondo sua banda e participando de quatro gravações de DVDs ao vivo da estrela.

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