sexta, 19 de abril de 2019
Música
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Centenário de Jackson do Pandeiro vai ser marcado por homenagens

Rammom Monte / 16 de março de 2019
Este ano marca o centenário de um dos maiores músicos do Brasil: o Rei do Ritmo, Jackson do Pandeiro. Com isto, 2019 promete ser de muitas homenagens ao artista, que nasceu em Alagoa Grande, em 31 de agosto de 1919. Hoje, o Café da Usina, da Usina Cultural Energisa João Pessoa, recebe o ‘Forró do Seu Jackson’, com a banda Forrozão Bom que Só, a partir das 21h. Os ingressos custam R$ 10.

Mas este é apenas um dos inúmeros eventos que irão relembrar o Rei do Ritmo. De acordo com Fernando Moura, biógrafo do músico e autor do livro ‘Jackson do Pandeiro - O Rei do Ritmo’, ainda na próxima semana, o Governo da Paraíba deverá publicar uma portaria montando um comitê que irá organizar as atividades do estado em homenagem a Jackson.

Porém, ele já adiantou algumas coisas. Um deles é o documentário de Marcus Villar e Cacá Teixeira, que será lançado neste ano. Ele disse ainda de atividades que serão realizadas em Alagoa Grande, terra natal do músico, exposições em Campina Grande, no Museu de Arte Popular da Paraíba, conhecido como Museu dos Três Pandeiros, entre outras.

“Há uma movimentação bastante acentuada. Há editais que vão sair, de cordel, mostras de música, revistas que serão lançadas, eventos culturais, livros, CDs, peça em forma de cordel em Campina Grande... É um bocado de coisa. Isto só do que eu estou sabendo”, adiantou .

Filme conta a história do músico



Uma das homenagens citadas por Fernando Moura é o documentário feito por Marcus Villar e Cacá Teixeira. Segundo Marcus, o filme já está pronto, aguardando apenas a liberação de uma verba para pagamentos de direitos autorais, que deve sair ainda na semana que vem. Não há ainda expectativa de quando o filme será lançado, já que eles estão inscrevendo em festivais, editais e ainda aguardam as respostas.

Sobre o filme, Marcus adiantou que irá contar toda vida e obra de Jackson do Pandeiro. O longa, que tem 1 hora e 40 minutos, começa na cidade de Brasília, onde o músico morreu.

“O filme começa com a morte dele, em Brasília. Depois vai descendo e vai para Alagoa Grande e depois subindo de novo, para Campina Grande, João Pessoa, Rio de Janeiro e Brasília. Foram entrevistadas umas 40 pessoas, como Gilberto Gil, Alceu Valença, Hermeto Pascoal, Gal Costa, todas as pessoas que tiveram alguma influência da música de Jackson”, revelou.

Para Marcus, a maior dificuldade foi conseguir organizar todo o material de arquivo da trajetória do músico. “O documentário é muito mais de arquivo e tem muita música. A dificuldade foi localizar cada música, de quem é o direito, pagar direito a todos. A maior dificuldade não ter o orçamento todo”, disse.

O filme tem como produtor Heleno Bernardo e é feito pelas produtoras Leme Produções e NB Arte. O longa contou com o apoios dos editais Walfredo Rodrigues, da Prefeitura de João Pessoa, e Funcultura, do Governo de Pernambuco.



Começamos em 2003, já são 15 anos. Eu nem imaginava que iríamos terminar o filme no centenário dele. Foi uma coincidência”, Marcus Villar, cineasta.





Projeto revela repertório desconhecido de Jackson



Jackson do Pandeiro chegou a gravar mais de 500 músicas durante a sua carreira. Uma parte pouco conhecida desse vasto repertório está sendo revisitado pelas bandas Cabruêra e Os Fulano, que se uniram pra prestar uma homenagem ao paraibano de Alagoa Grande.

Muitos não sabem, mas na década de 70, assim como Tim Maia e Orlando Silva, Jackson do Pandeiro também frequentou a "Universo em Desencanto", uma mistura de filosofia, religião e seita fundada por Manoel Jacintho Coelho, que escreveu cerca de mil livros cuja doutrina teria sido transmitida a ele através de uma energia cósmica intitulada "Racional Superior".

Influenciado pela chamada "Cultura Racional", Jackson gravou uma série de canções que trazem em suas letras os princípios místicos da "Universo em Desencanto".Desse repertório destacam-se algumas músicas que fazem parte dos álbuns "Nossas Raizes", "Um Nordestino Alegre" e "Alegria Minha Gente", a exemplo de "Mundo de Paz e Amor", "Acorda meu Povo" e "Luz do Saber". Jackson frequentou a religião entre 1973 e 1978 e tambem deixou registrado à sua admiração pela "Cultura Racional" na capa do disco "Alegria Minha Gente", onde aparece usando um medalhão da "Universo em Desencanto".

“A Cabruêra sempre foi e continuará sendo influencia por Jackson. A gente tem uma agenda da Cabruêra em junho em São Paulo e na Europa em julho, mas paralelamente a isto a gente continua apresentando. A gente não pensou o projeto pontualmente para os 100 anos, mas a gente pensa em dar continuidade, pensa ate em gravar este repertório”, revelou.



É um reconhecimento da importância dele como um dos maiores ou o maior ritmista da musica brasileira. Influenciou várias gerações”, Arthur Pessoa, Cabruêra





Arthur também ocupa o cargo de Gerente de Música da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc). Ele revelou  o que o órgão está planejando para o ano. Lembrando que o  2º Festival de Música da Paraíba tem como homenageado deste ano justamente o músico paraibano,

“Provavelmente terá um evento com foco maior em Jakcson, envolvendo várias linguagens. Mas ainda está em processo de formatação. A idéia é homenageá-lo com diversas linguagens. Em breve estará sendo divulgado. Deve acontecer provavelmente em julho ou agosto”, adiantou.

Orquestra Sinfônica tem temporada dedicada a Jackson



Outra homenagem virá por parte da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Segundo o maestro titular da orquestra, Luiz Carlos Durier, a temporada será em homenagem a Jackson do Pandeiro.

“Vamos fazer uma homenagem a Jackson do Pandeiro, já que é o seu centenário. Um dos concertos populares do ano vai ser para a temática de Jackson do Pandeiro. (É muito importante) O legado que ele deixou, principalmente na sua música. Então faremos um concerto especificamente em homenagem a ele”, revelou o maestro, que adiantou que ainda não há uma data específica para a apresentação.

Assembleia também presta sua homenagem



Em sessão realizada na última quarta-feira (13), a Assembleia Legislativa da Paraíba aprovou, por unanimidade, o projeto de Lei, de autoria do deputado Ricardo Barbosa (PSB), que institui o ano de 2019 como ‘Ano Jackson do Pandeiro’, em alusão ao centenário de nascimento do artista paraibano.

O presidente da ALPB, Adriano Galdino (PSB), destacou a importância e contribuição do cantor e compositor paraibana para a cultura e música brasileira. “Jackson do Pandeiro muito nos honra e esta Casa mais uma vez faz justiça a este grande paraibano”, afirmou o presidente.

Natural do município de Alagoa Grande, assim como Jackson do Pandeiro, o deputado Bosco Carneiro parabenizou o deputado Ricardo Barbosa pela propositura. “Jackson do Pandeiro deixou um grande Legado para a Paraíba. Quero louvar a iniciativa do deputado Ricardo Barbosa por ter apresentado este projeto”, disse Bosco.

 

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