sexta, 18 de setembro de 2020

Música
Compartilhar:

Celebração a Sinatra: João Senise lança CD em homenagem ao cantor

Kubitschek Pinheiro / 11 de maio de 2016
Foto: Aloizio Jordão
João Senine celebra Sinatra ao vivo. Isso mesmo, o terceiro CD do jovem artista carioca foi gravado na sala Cecília Meireles do Rio de janeiro em dezembro passado, às vésperas do centenário de Frank Sinatra. O show, com direção musical do maestro Gilson Peranzzetta e participações especiais da Banda Brass de Pina e seu pai Mauro Senise. O CD batizado de “Celebrando Sinatra”, está chegando as lojas neste mês de maio.

“Sinatra foi, sem dúvida, o maior astro do jazz. Suingue, dicção perfeita, presença de palco... um verdadeiro showman, no bom sentido da palavra, que influenciou e influencia cantores até hoje. Como um grande fã que sou, não poderia deixar o seu centenário passar em branco. Por isso a ideia de fazer um show em sua homenagem, que acabou virando esse CD ao vivo. Quando se lida com gênios, o desafio é sempre o mesmo: homenageá-lo sem parecer querer imitá-lo”, diz o cantor em entrevista ao CORREIO.

E arremata: “E acho que consegui fazer isso com tranquilidade. O Edu Lobo estava presente no show. Ele gostou muito e comentou depois com o Gilson Peranzzetta: ´O João fez uma homenagem ao Sinatra do seu jeito, cantando no seu estilo, sem tentar ser uma cópia do Sinatra", comemora João.

No repertório, 14 canções de diferentes fases da carreira de Sinatra, incluindo clássicos como I’ve got you under my skin, Night and Day e My Way Ele conta: “Fazer repertório é sempre uma loucura, mas esse foi especialmente difícil, porque todo mundo dava palpite, pedindo para cantar essa ou aquela canção. Como digo no texto que escrevi para o CD, nunca foi minha intenção celebrar 60 anos de carreira em apenas um CD - até porque seria uma missão impossível”, comentou Senise

Sim ele já cantava Sinatra. No seu primeiro CD, “Just in Time”, gravou as faixas (The best is yet to come, All of me, Come fly with me, Just in time, Come rain or come shine, That old feeling, Cheek to cheek). “É até difícil não cantar, já que Sinatra teve uma carreira de 60 anos e conviveu com a nata dos compositores de jazz”.

A música brasileira também não ficou de fora: Senise dividiu os vocais de Dindi e Insensatez, que o maestro Tom Jobim gravou com Sinatra, com a veterana Áurea Martins. “Seria um crime não gravar alguma coisa no Tom Jobim nessa homenagem. O disco dos dois é antológico! A Áurea é uma cantora maravilhosa, que infelizmente não tem todo o prestígio que merece. Gosto muito de sua voz. É uma pessoa muito generosa, que dá muita força pra minha carreira e já me chamou algumas vezes para cantar em seus shows. Ela diz que sou o "Chet Baker brasileiro" e que Johnny Alf adoraria ter me conhecido”, diz ele rindo.

João Senise é um sortudo: seus dois pais estão nesse disco, na direção musical e arranjos Gilson Peranzzetta e Mauro Senise. “É sempre um privilégio - e uma grande responsabilidade - dividir o palco com meu pai (Mauro) e meu pai 2 (Gilson). Eles têm mais anos de carreira do que eu de vida! Aprendo muito com os dois sempre. Gilson, além do piano, ainda fez todos os arranjos para o show e a direção musical. É considerado pelo Quincy Jones como um dos maiores arranjadores do mundo. Às vezes umas pessoas vêm falar comigo: Por que você não monta uma banda com um pessoal mais jovem"? E eu fico pensando: Tá louco? E perder a oportunidade de dividir o palco com alguns dos maiores nomes da música instrumental brasileira?, justifica.

Os clássicos My Way e New York, New York não poderiam faltar nesse disco de João Senise. “Olha, essas músicas já me deram muita dor de cabeça! Em outubro do ano passado, quando me apresentei na casa Julieta de Serpa (aqui no Rio), fiz um teste e não cantei nenhuma das duas para ver o quanto eram "necessárias" na homenagem ao Sinatra. No fim do show, umas três senhoras vieram reclamar que eu não tinha cantado My Way e New York. A partir desse dia, cantei as duas músicas em todos os shows e elas não saem mais do repertório nem por um decreto!”

Por onde passa a receptividade do público tem sido ótima, diz o artista. O show mais recente foi no dia 30 de abril, dia internacional do jazz, no Rio-Santos Jazz Fest. “Vendi CDs à beça e recebi muitos parabéns pela minha coragem de, aos 27 anos, subir ao palco para uma homenagem a uma das maiores vozes do jazz. Dia 21 de julho, às 20h, faço o lançamento do CD aqui no Rio na Sala Baden Powell com todo mundo que participou da gravação.

Em outubro, ele vai lançar outro projeto chamado "Influência do Jazz", com pérolas da nossa música como "Eu e a Brisa", "Tem dó", "Balanço Zona Sul", “Em primeira mão, posso adiantar que consegui reunir nesse trabalho as participações de Alaíde Costa, Áurea Martins, Edu Lobo, Joyce e Wanda Sá, além de uma constelação de músicos simplesmente espetaculares. Sou suspeito pra falar, mas o resultado final está ficando lindo”, resume.

Para 2017, a ideia dele é gravar um CD com as músicas de tema dos filmes do James Bond. “Já estou aqui, devagarinho, dando uma olhada no repertório”, fecha.

Leia Mais

Relacionadas