sábado, 16 de fevereiro de 2019
Música
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Casuarina abre novo ciclo com álbum ‘+100’

Renato Félix / 08 de julho de 2018
Foto: LEO AVERSA/ DIVULGAÇÃO
O Casuarina fechou um ciclo e abre outro com o disco + 100. Duplamente. Para começar, é o primeiro disco do grupo carioca como um quarteto, depois que o vocalista original, João Cavalcanti, partiu para a carreira solo. E também o disco meio que busca ao mesmo tempo apontar o futuro do samba e retornar às origens sonoras do grupo. Isso, depois que o Casuarina fez, no ano passado, um grande show passando em revista os 100 anos do samba (tendo como referência a gravação de “Pelo telefone”, em 1917 – por isso o título.

“Então, agora, quando a gente foi gravar esse disco novo, a gente pensou em apontar os próximos 100 anos do samba”, conta o violonista (de sete cordas) Daniel Montes. “Então a gente fez isso pegando compositores que estão compondo samba atualmente e gravando esses sambas inéditos. E isso dá a ideia que o samba não parou, ele continua acontecendo”.

A maioria desses compositores são jovens, mas há também gente mais experiente: o foco, mesmo, é que as canções fossem inéditas e contemporâneas (o disco tem participações, cantando, de Martinho da Vila, Leci Brandão, Criolo e Geraldo Azevedo). No entanto, o disco possui diferenças com relação aos trabalhos anteriores, buscando um samba mais tradicional.

“Na verdade, se você for reparar na cronologia dos nossos discos, a gente sempre mudou um pouco de sonoridade de disco pra disco”, explica. “Dessa vez, a gente resolveu voltar mais próximo da sonoridade dos nossos primeiros discos. Então, a gente tirou a bateria e ficou só com a percussão... E isso acaba dando uma cara mais tradicional ao samba, sim”.

O Casuarina agora é Daniel, Gabriel Azevedo (percussionista e que assumiu os vocais), João Fernando (bandolim e violão tenor) e Rafael Freire (cavaco e banjo). Montes e Fernando assinam os arranjos. O grupo, um dos expoentes de um revival do samba no começo do século – se aproxima dos 20 anos de criação – está nos 17.

No comecinho, era um sexteto (o cantor e compositor mineiro Moyseis Marques foi membro fundador da banda e permaneceu nela durante um ano e meio). O grupo surgiu de amigos que faziam um curso preparatório para o vestibular da UniRio. O nome vem da Rua Casuarina, no bairro do Humaitá, e onde moram até hoje os pais do cavaquinista Rafael.

“Nessa casa, o pai dele construiu um estudiozinho pra gente ensaiar lá. Então, em homenagem a isso a gente batizou a banda de Casuarina”, conta Montes.

A banda surgiu simplesmente da curtição dos componentes e da vontade de tocar samba. No começo, um grupo voltado à pesquisa de repertório, mas que depois enveredou pela música autoral. Montes lembra o cenário do samba em 2001, ano de fundação da banda.

“Realmente naquela época houve um boom de interesse das pessoas por esse samba mais tradicional, tava acontecendo um movimento muito grandes das pessoas em torno disso”, recorda.

Mas ele pontua o espirito do disco. “Por mais que hoje pareça que saiu da mídia, o samba tá sempre aí, sempre tem espaço pra caramba no samba. É isso que a gente está mostrando: que as pessoas continuam fazendo samba, que o samba continua sendo frequentado. Existe demanda”, afirma o violonista.

Não é nem mesmo o caso de “agoniza, mas não morre”, da música de Nelson Sargento. “Não chega a agonizar porque tem muita gente fazendo”, afirma. “O que acontece muitas vezes é o descaso dos governantes com a cultura, o que faz com que tudo isso seja mais difícil – não só para os músicos, mas também para os empresários de casas de samba”.

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