terça, 12 de novembro de 2019
Música
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Cantora lírica norte-americana se apresenta no Festival Internacional de CG

André Luiz Maia / 06 de julho de 2019
Foto: Divulgação
A música é capaz de proporcionar descobertas, nos conectar com outras culturas e até mesmo redescobrirmos nossas próprias raízes. Isso pode ser visto hoje no concerto Música das Américas, apresentado pelo pianista brasileiro João Paulo Casarotti e pela cantora lírica norte-americana Megan Barrera dentro da programação do X Festival Internacional de Música de Campina Grande (Fimus).

No programa, um passeio pela música de câmara de vários países da América, desde o alemão naturalizado brasileiro Ernst Mahle, com a “Marcha dos cavaleiros” e “Ponteio”, até canções populares argentinas de Alberto Ginastera (1916-1983), como “Chacarera”, “Triste”, “Zamba”, “Arrorró” e "Gato”.

O pianista apresenta alguns momentos solo, alternando com momentos em que a potente voz de soprano de Megan é aplicada em clássicos do cancioneiro popular, algo que foi bastante desafiador para a artista. ”Antes desse show, eu nunca tinha parado para prestar atenção na música produzida na América Latina, mesmo tendo ascendência latina. Acho que existe um déficit de exposição dessas músicas aos americanos, até mesmo entre os descendentes. Eu não conhecia muita coisa além das canções populares mexicanas, por exemplo”, explica a cantora, em entrevista ao CORREIO.

Nascida em Miami, ela é filha de pais porto-riquenhos e cubanos. Seu interesse pela música surge ainda pequena, aos sete anos, cantando em um coral de igreja. No entanto, sua paixão por cantar veio quando entrou em contato com a ópera. “Eu também fazia teatro e, durante os estudos, a ópera foi algo que se destacou para mim. Era a união perfeita entre teatro e música”, define Megan Barrera.

Embora sua especialidade seja o canto lírico, o repertório escolhido para este show não passa exatamente pelo caminho esperado, com peças da tradição europeia. Ela utiliza o termo “art music” para se referir à produção de música com arranjo camerístico produzida nas Américas, repertório este que abraça bastante a canção popular.

Um exemplo disso é "Odeon", do brasileiro Ernesto Nazareth (1863-1934), que, embora seja uma música popular, exige o virtuosismo de um cantor com extrema habilidade vocal para executá-la. Megan, no entanto, destaca outra dificuldade desse repertório. "Eu, como cantora lírica, tenho uma técnica muito refinada e aprimorada, consigo executar muita coisa, mas nesse tipo de música, há um espectro de emoções e de interpretação muito grande”, alerta.

Ela utiliza a ópera, sua especialidade, para ajudar a defender seu ponto. “Em uma grande ópera, você tem seu personagem que, sim passa por muitas emoções, mas está sempre com aquela personalidade. Em um repertório de art music, eu preciso não apenas cantar, mas sim interpretar cada personagem, de cada música, e as diversas emoções contidas em cada uma delas. É difícil e desafiador”, enfatiza.

João Paulo Casarotti e Megan se conheceram no doutorado em Música da Universidade Estadual de Louisiana há alguns anos, mas só em 2019 eles começaram a fazer algo juntos. “A gente se encontrou muito na sala de aula, lá em Louisiana, mas ainda não havíamos feito nada juntos, especialmente por conta da agenda lotada de Megan, que mora na Alemanha e vive cantando em diversos países. Agora em 2019, conseguimos nos reunir”, comemora o pianista brasileiro radicado nos Estados Unidos.

Soprano premiada em vários países



Megan Barrera é doutora em Artes Musicais e mestre em Música na Universidade Estadual de Louisiana. Em 2019, foi a vencedora do Certamen Nueva Voces Ciudad de Sevilla, na Espanha, além de ganhar prêmios no Concorso Lirico Premio Koliqi, em Milão, na Itália no Concurso Internacional Vissi D'arte, na República Tcheca.

Em 2017, a soprano ganhou o prêmio Saint Petersburg Opera Guild Competition, na Flórida, e o Concurso de Ídolos Clássicos Rochester Oratorio Society, em Nova York.

Ela também recebeu uma bolsa da Fundação Anna Sosenko Assist, que auxilia no aprimoramento de seu talento vocal.

Palcos. Além de óperas, Megan Barrera também participa de montagens de musicais na Europa.

Programação



SÁBADO

15h Eduardo Gutterres (violão) (Teatro Municipal Severino Cabral)

20h Megan Barrera (soprano, EUA); João Paulo Casarotti (piano, EUA) (Teatro Municipal Severino Cabral)

DOMINGO

10h Herlane Franciele (violoncelo); Luís Felipe Oliveira (piano) (Teatro Municipal Severino Cabral)

15h Coro de Câmara de Campina Grande (Mosteiro de Santa Clara)

20h Trio Rumos Ensemble (Portugal) (Teatro Municipal Severino Cabral)

SEGUNDA

15h Loiret's Singers (França) (Mosteiro de Santa Clara)

20h José Julião de Camargo (viola caipira) (Teatro Municipal Severino Cabral)

TERÇA

15h Grupo de Saxofones da Ufal (Teatro Municipal Severino Cabral)

20h Augusto Moralez (vibrafone) (Teatro Municipal Severino Cabral)

QUARTA

10h Loiret's Singers (França) (Hospital Universitário Alcides Carneiro)

15h Ewerson Carvalho (violão) (Teatro Municipal Severino Cabral)

20h Iamaká e Coro de Câmara de Campina Grande (Teatro Municipal Severino Cabral)

Teatro Municipal Severino Cabral (Av. Floriano Peixoto, s/nº, Centro, Campina Grande) Mosteiro de Santa Clara (R. Cap. João Alves de Lira, 136, Prata, Campina Grande)

Hospital Universitário Alcides Carneiro (R. Carlos Chagas, s/nº, São José, Campina Grande)

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