segunda, 19 de agosto de 2019
Música
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Cantora baiana Illy Gouveia alça grande voo com primeiro disco

Kubitschek Pinheiro / 15 de agosto de 2018
Foto: Divulgação
As novas meninas cantoras baianas estão com tudo. Elas formam um megatime da Música Popular Brasileira. Illy Gouveia é uma delas. Esse assertiva vem Google Play Música que analisou dados sobre a quantidade de execuções de músicas em sua plataforma de streaming, visualizações no YouTube, procura no Google e presença nas redes sociais. Illy é bela e talentosa e se integra a nomes como Jasyara (de Juazeiro, terra de Ivete Sangalo), Xenia França (esta radicada em Sampa) e muitas outras.

Illy tem potencial. Está lançando o primeiro álbum “Voo Longe” nas plataformas digitais, lojas online e físico, com selo da Alá Comunicação e Cultura e distribuição da Universal Music. Bom disco produzido por Alexandre Kassin e Moreno Veloso com gravações inéditas de Chico César e Arnaldo Antunes e uma regravação de Djavan. É por aí o voo intenso da baiana.

Ela samba diferente e arrebenta na voz, na performance e estilo de cantar e se apresentar. O primeiro CD é um trabalho bem pensando, garimpado, cujo resultado é seu voo que já vai longe. “É o voo da Bahia para o mundo. Eu trago meu samba para rua. Sou ficha de Oxum e Iemanjá, minha vida está aí nesse disco”, conta ela pelo telefone ao Correio da Paraíba.

O nome dela é Illy Gouveia Santos e está radicada no Rio de Janeiro assim como outros artistas, mas foi parida na Baixa do Bonfim, essa baiana do século da velocidade. Vem de uma família de apaixonados por música, tanto por parte de mãe Mônica Gouveia, seu pai – Serafim. E, também se inclui a avó Dilma e um tio compositor Ray Gouveia, de quem ela canta “Olhar Pidão” nesse disco.

“Eu comecei a cantar menina. Ficava olhando meu tio que integrava a Banda ‘Confraria da Bazóvia’ (fundada nos anos 70) e, aquilo provocava em mim uma vontade de cantar”, avisa. Aos 15 anos, a menina baiana começa a estudar teatro e a participar de algumas gravações. Estudou música na Oficina de Canto da Universidade Federal da Bahia (UFBA), viajou como cantora de trio elétrico e fez shows cantando Dorival Caymmi. “Ah, esse tempo foi tudo de bom. Adoro as canções de Caymmi”, disse.

A primeira canção a explodir na voz de Illy foi um presente do paraibano Chico César: “Só eu e você”, que esticou a voz e rapidinho chegou às plataformas digitais, ao radinho de pilha e tocou numa novela. “Nesse instante o instagram não terá fotos/ Pois as fotos não são vida são depois/E bem longe o Japão sem terremotos/ Pois no mundo nos movemos só nós dois/ Fazendo amor/ Botando pra moer”.

“É a mais pop do disco. Tudo que eu queria falar está nessa letra. Não sou muito ligada nas redes sociais, (apesar de ter Instagram). Achei interessante essa sacada de Chico César, principalmente o refrão – botando pra moer. É linda. Teve mais de 200 mil visualizações nas plataformas. Essa é a minha musica de trabalho”.

A quinta faixa “Djanira” é um assombro, pois, conta a história da senhorita Djanira (cuja letra e melodia da banda Confraria da Bazófia, que tinha entre seus integrantes Ray Gouveia, tio de Illy). É uma salsa endiabrada temperada com sopros e com a guitarra de Felipe Cordeiro e narra a triste história de uma professora presa na fronteira do Paraguai com um carregamento de “maconha” escondido em pencas de banana. Chega a ser hilariante “Eu adoro essa canção. Djanira é show. Foi importante resgatar. Parece uma marchinha. É do meu Tio Arnaldo e adoro cantar essa Djanira, até fizemos um clip”, disse.

“Sombra da Lua” de Jota Veloso e Alexandre Leão (Jota é tio e padrinho do marido de Illy, o jornalista Jorginho Veloso, que é neto da poetisa Mabel, irmã de Caetano Veloso). Nesta canção com vocais de Gerônimo, Illy faz uma interpretação intensa.

E tem a bossa de Arnaldo Antunes “Devagarinho”, que o tribalista fez para ela gravar. “Foi legal, estivemos juntos em seu apartamento em São Paulo. Ele muito gentil. É muito bom cantar uma inédita de Arnaldo. Aliás, ele me mostrou várias canções para eu escolher. Vou cantar sempre o bom Arnaldo”, lembrou a cantora. Antunes lembrou de Billie Holday quando a ouviu cantar sua canção.

Um belo blues de Djavan “Que Foi My Love?” do disco Malásia de 1996 é bom se ouvir na voz de Illy. “Foi importante resgatar essa canção, que eu já cantava há muito tempo. Na época que ela foi lançada eu não largava o disco. Esses arranjos de naipes estão demais. Djavan é um artista completo”.

Produtores e compositores se misturam nesse voo de Illy. O resultado é um álbum misturado, com personalidade, força e interpretações sedutoras.”Fama de mal” é um frevo de Luciano Salvador Bahia. Mas lembra uma canção de Erasmo Carlos. “È verdade, nem tinha percebido isso Gosto muito de cantar essa canção”.

“Voo longo” é o resultado desse caminho. Illy tem citado em entrevistas do sul que Fátima Guedes, Elis Regina, Gal Costa e Mônica Salmaso estão numa lista de influências, mas, na verdade a voz de Illy é a novidade e seu talento em cena marca um novo tempo, um novo voo.

Ela já abriu shows para Gal Costa e Djavan no Circo Voador e Fundição Progresso e cantou com nomes como Caetano Veloso, Fagner, Roberta Sá, Mart’nália entre outros na sua websérie. O time que toca no Voo Longe de Illy é sensacional - Guilherme Lirio, Bruno Dilulio, Marcelo Callado e Pedro Sá ( da antiga Banda Cê de Caetano Veloso), Marcelo Costa, Alexandre Kassin, Doemico, Cézart Mendes, Dadi Carvalho, Marco Vitor, Fernanda Queiroz ( faz coro), Roberto Pollo, Moreno Veloso, Jonas Sá e outros.

Outro destaque é o samba “Enquanto você não chega”, faixa em que Dadi Carvalho toca Ukulelê e Cézar Mendes toca seu precioso violão aop desenhar a melodia. A composição é de Cézar, Carlos Capinan e Pretinho da Serrinha. É aí que o samba vai mais longe na voz de Illy.

O clipe da canção “Voo Livre” que dá nome ao CD, passou domingo no Multishow e a artista comemorou.

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