terça, 19 de janeiro de 2021

Música
Compartilhar:

Cantor Belchior tinha bastante proximidade com PB e com amigos paraibanos

André Luiz Maia / 03 de maio de 2017
Foto: Divulgação
O anúncio da morte do cantor e compositor Belchior depois de um sumiço de anos trouxe à tona os sentimentos de muita gente que acompanhava seu trabalho ou mesmo possuía um vínculo fraternal com o poeta. Poucos sabem, mas Belchior tinha uma relação estreita com alguns paraibanos, revelada através de relatos pelas redes sociais durante o fim de semana.

Uma das parcerias de longa data é com o jornalista, músico e poeta Carlos Aranha. Através de seu perfil em uma rede social, ele conta que o "exílio" de Belchior não teve relação alguma com fracasso comercial e que acompanha a sua trajetória há muito tempo. "Ele encheu o saco com outras coisas de caráter particular (não vou contar quais) e decidiu romper com sua distribuidora, justamente quando ele estava vendendo muito", comenta. Em uma de suas vindas à capital, reuniu grandes públicos. "Ele superlotou um rancho que Anchieta Maia montou quase em frente à Igreja de Santa Júlia. Fui a um show em que ele atraiu cerca de 15 mil pessoas. Acompanhei a vida e a obra de Belchior durante 38 anos, o período longo em que fui (sou) seu amigo. Sou testemunha de sua coerência, sua grandeza e de seu êxito popular", completa.

Através de Aranha, Belchior trabalhou com o cantor e compositor Gustavo Magno. Em 2002, no lançamento de seu primeiro disco, Belchior esteve presente e anos depois, em 2007, viria a ser o diretor artístico do disco Divina Virtude, de Magno. "Belchior, do alto de sua posição e importância artísticas, humildemente, fez o que pode para que eu pudesse gravar e lançar meus CDs, deu entrevistas assumindo ser meu padrinho artístico, me orientou na escolha do repertório e, ainda, fez a direção artística de um dos meus discos. Poucos artistas famosos fariam tanto para ajudar um novo e desconhecido artista", declarou Gustavo Magno, em postagem feita em seu perfil de uma rede social.

O jornalista Giovanni Meirelles contou de sua aproximação com Belchior, em meados dos anos 1990, quando o cantor e compositor desejava implantar uma filial de sua gravadora na cidade. "Seria o Studio Tropical Cameratti, instalada no Altiplano do Cabo Branco, onde existe hoje a Estação Ciência", relata. A tentativa não vingou, mas não se tratou da primeira vez que Belchior tentava estabelecer um vínculo com a Paraíba.

Projeto de um curso na UFPB

O artista plástico Chico Pereira, outro amigo pessoal de Belchior, revela outros dotes que eram pouco conhecidos, até mesmo entre seus fãs. "Mais que um grande artista, ele tinha trabalhos com artes plásticas e um estudo aprofundado sobre caligrafia. Inclusive, ele tinha um projeto para lançar um livro sobre o tema, reunindo todo o conhecimento que adquiriu ao longo dos anos", salienta Chico, em entrevista ao CORREIO.

Belchior tinha mesmo um interesse especial em artes plásticas, sendo um colecionador de obras. "Tive a honra de ter no acervo dele uma obra minha", pontua. Além disso, Chico Pereira conta que Belchior também tinha um talento especial para as charges.

Um projeto que Belchior tinha proposto na época em que visitou a Paraíba com mais frequência era a criação de um curso de música popular na UFPB. "Ele queria estimular o surgimento de novos artistas. Também tinha uma coleção bem grande de artes de vinis, a qual ele tinha a pretensão de doar para o acervo da universidade caso o projeto se concretizasse", afirma Chico Pereira.

Os encontros entre Chico e Belchior começaram em meados da década de 1990. "Toda vez que ele vinha fazer show por aqui, saíamos [Carlos] Aranha, Gustavo [Magno], eu e ele para jantar e aí construímos algum vínculo", relembra. A amizade acabou se solidificando tempos depois devido a uma sucessão de coincidências. "Eu andei por muitas partes do país e, curiosamente, quase todas as vezes em que eu viajava para algum lugar, Belchior estava fazendo show, então a gente sempre se encontrava nesses momentos", completa.

A última vez que entrou em contato com o artista foi há aproximadamente 10 anos. "Tivemos uma daquelas nossas longas conversas, ele estava com muitas questões existenciais. Um mês depois, lembro de tentar entrar em contato com ele e não conseguir", recorda Chico Pereira.

Relacionadas