sábado, 06 de março de 2021

Música
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Burro Morto e Augustine Azul se apresentam hoje no Empório Café

André Luiz Maia / 15 de junho de 2017
Foto: Rafael Passos/Divulgação
No país da canção, números instrumentais não tocam nas rádios ou fazem apresentações recorrentes. Mas João Pessoa tem uma tradição em música instrumental, começando pelos grupos de câmara. E está crescendo entre as bandas pop, de rock e de jazz. Hoje, dois grupos, Augustine Azul e Burro Morto, se apresentam no Empório Café, em Tambaú. Comente no fim da matéria.

Na ativa desde 2007, a Burro Morto se propõe uma mescla de afrobeat, rock, funk e música psicodélica a partir das fusão de referências de seus membros, cuja formação já chegou a ter seis integrantes. Atualmente, o grupo é formado por Daniel Jesi (contrabaixo, MPC, electribe), Leo Marinho (guitarra, trompete, MS2000), Ruy José (bateria) e Pablo Ramires (percussões, SP11, SPDS).

Em 2007 lançaram um EP, Pousada Bar, TV e Vídeo. No ano seguinte, mais um EP, Varadouro, lançado digitalmente pelo selo californiano One Cell Records. Em 2011, veio o primeiro álbum, Baptista Virou Máquina, acompanhado de um álbum visual dirigido pelo cineasta Carlos Dowling. A Burro Morto só veio lançar algo novo em 2014, após algum tempo de hiato e, desde então, preparam o repertório de um novo disco.

Hoje à noite, eles apresentam parte dessa produção. "A gente vem experimentando já há algum tempo essas novas músicas", comenta Daniel Jesi. Uma delas é o single "Lúcifer Colômbia" (disponível em https://goo.gl/43jkmx), de 2014, selecionada para integrar a coletânea Amplificador: A Novíssima Música Brasileira, que foi lançada na Europa e EUA em vinil, CD e digital pelo selo inglês Far Out Recordings.

Ainda sem data de lançamento fechada, o novo disco da Burro Morto é, nas palavras de Jesi, uma experimentação sem pressa. "A Burro Morto surgiu como uma necessidade de expressão. Embora estejamos indo atrás de tocar, de gravar, fazemos principalmente com o intuito de divertir o público e nos divertir no palco. A gente quer fazer o som da maneira mais livre possível. Acho que a música instrumental traz essa liberdade", comenta o contrabaixista.

Augustine Azul surgiu mais recentemente, advinda do encontro de Jonathan Beltrão, Edgard Junior e João Yor. O power trio se alimenta de referências como rock, blues, stoner, jazz, reggae e blues, tudo isso embalado em um invólucro de música progressiva. "É uma identidade, mas acredito que a gente não senta e tenta criar um rock, algo funky ou algum estilo, nossas músicas são como colchas de retalhos, vários pedaços de ideias que formam a música, explica o guitarrista Jonathan Beltrão.

Tudo começou em 2015, com o lançamento de um EP homônimo, contendo sete faixas, servindo de carta de apresentação do trabalho dos paraibanos. Acabou chamando a atenção de sites especializados em cena alternativa, tanto no Brasil quanto no exterior, figurando em listas de melhores discos. Depois, em 2016, veio Lombramorfose, com mais seis músicas, pelo selo francês More Fuzz Records.

O trabalho mostra a evolução musical do grupo, apesar de pouco tempo de estrada. Hoje, eles prometem um show com o repertório dos dois discos, mas, como sempre, há grande espaço para experimentação. "Vamos fazer um show como a gente gosta de fazer, com muito improviso, muitas jams dentro de nossas músicas", pontua Jonathan.

No momento, Augustine Azul está preparando novas músicas para um trabalho inédito, que deve sair apenas em 2018. "Queremos que seja mais uma vez algo novo tanto pra gente, quanto pro nosso público", completa o músico.

Perguntado sobre como é a recepção do trabalho em um país no qual a palavra cantada é mais costumeira nas músicas que apenas o instrumental, Jonathan enxerga com naturalidade. "É algo que tende a crescer e quebrar falsas expectativas das pessoas quando se fala de som instrumental. As pessoas ainda acham um pouco estranho bandas que não tem voz (risos). Porém as próprias bandas vêm quebrando esse tabu", completa.

Burro morto +

Augustine azul

Hoje, às 21h.

Empório Café (R. Coração de Jesus, 145, Tambaú, João Pessoa – 3247.0110 – http://emporiocafejp.com.br/)

Ingressos: R$ 20 (na hora) e R$ 15 (antecipado), veja locais de compra na Agenda (pag. C-4).

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