quarta, 17 de julho de 2019
Música
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Boca livre lança ‘Viola do bem querer’ para comemorar 41 anos do grupo

Kubitschek Pinheiro / 02 de junho de 2019
Foto: Leo Aversa
A ideia de lançar um CD novo era para ter acontecido o ano passado, quando o Boca Livre completou 40 anos de formação. Embora com uma pequena produção, Viola de Bem Querer (independente), é 13ª obra fonográfica do grupo, mas os rapazes nunca deixaram de trabalhar com música. O disco chega ao público após seis anos de jejum do álbum de estúdio Amizade de 2013. O show de lançamento aconteceu ontem no Rio de Janeiro, no Teatro Rival.

“A gente queria ter lançado em 2018, (ano que o disco foi gravado) mas agora sai com 41 anos de estrada e palcos. Era uma forma de comemorar as quatro décadas do Boca”, diz Zé Renato em entrevista ao CORREIO pelo telefone.

Viola de bem querer já está disponível nas plataformas digitais, mas terá uma edição em CD programada para ser lançada entre este mês e julho. Participaram da gravação os músicos João Carlos Coutinho (piano elétrico) e Pantico Rocha (bateria). A capa selecionada para o álbum é uma criação de Philippe Leon a partir de foto de Leo Aversa

O direção é do próprio quarteto, com arranjos vocais de Mauricio Maestro. O CD contempla composições autorais, como “Santa Marina” (Lourenço Baeta e Cacaso), “Noite” (Zé Renato e Joyce), “O Paciente” (David Tygel) e “Eternidade” (Mauricio Maestro), além das releituras “Amor de Índio” (Beto Guedes e Ronaldo Bastos), “Um Violeiro Toca” (Almir Sater e Renato Teixeira) e “Vida da Minha Vida” (Moacyr Luz e Sereno). No disco vamos ouvir também a composição recém-lançada por Geraldo Azevedo, “Um Paraíso Sem Lugar”, dele com Fausto Nilo, e para a regravação de “Viola de Bem Querer” (Paulo Cesar Pinheiro e Breno Ruiz), que dá nome ao disco.

A gravação de “Santa Marina”, a primeira faixa, composição lançada há 40 anos, de uma parceria de Lourenço Baeta com o poeta e letrista mineiro Antônio Carlos Ferreira de Brito (1944/1987), foi uma boa sacada do grupo.

Já a canção que dá nome ao disco “Viola de bem querer” é de autoria Breno Ruiz e Paulo César Pinheiro. E tem tudo a ver com o grupo. Um belo poema, tirado do baú de Paulo César Pinheiro. “Na viola eu carrego o mar, do meu bem querer, na viola eu engano a dor, pra ninguém sofrer. Na alegria ou na solidão, eu pego na viola, só sei tocar, nem sei porque, na viola é que eu trago a paz”.

“Essa canção é muito bonita, ela emociona. Tão singela que dá nome ao nosso CD. O Paulo Cesar Pinheiro é um grande compositor e a melodia ficou uma maravilha”, disse Zé Renato.

A canção escolhida para apresentar o álbum Viola de Bem Querer, foi “Amor de Índio” (de Beto Guedes e Ronaldo Bastos) é uma das mais bonitas da MPB. “Sim, todo amor é sagrado”, diz um dos versos da letra desse clássico lançado originalmente pelo parceiro Beto Guedes em 1978, (mesmo ano em que nascia o Boca Livre), e que ganha força nesse disco além do contexto histórico. A canção já foi gravada por Milton Nascimento, Maria Bethânia, Maria Gadu e outros.

“Sempre gostei da música mineira, terra de grandes artistas. Não podia faltar em nosso repertório”, adianta.

“Noite” a quinta faixa que Zé Renato assina com Joyce Moreno, é uma canção que acalma: “Tudo se calou, a lua rompeu, por sobre a lagoa, nada se mexeu, nem ela nem eu, foi silêncio só”. “Nossa parceria é antiga, gosto muito do trabalho de Joyce, somos grandes amigos”.

Apenas Zé Renato (que tem vários discos solo), Mauricio Maestro e Lourenço Baeta vivem de música. David Tygel é professor e anda envolvido com trilhas sonoras para filmes.

Ninguém esquece “Toada”, grande sucesso do grupo, que está fazendo 40 anos: “Vem, morena, ouvir comigo essa cantiga, sair por essa vida aventureira. Tanta toada eu trago na viola, pra ver você mais feliz”.

Pouso em João Pessoa. Quando Cláudio Nucci (violão e vocal) ainda estava na formação inicial (só durou dois anos), o quarteto participou do disco Camaleão, de Edu Lobo, excursionando com o compositor através do Projeto Pixinguinha, no final da década de 1970.

“Edu é nosso padrinho. A gente canta sempre ‘Ponteio’. Foi uma glória ter participado do Projeto Pexinguinha. Não tínhamos nem disco lançado naquele tempo. Cantamos ‘Ponta de Areia’, (de Fernando Brant e Milton Nascimento), uma cena marcante em nosso inicio de carreira. Ficamos uma semana em João Pessoa. Cantamos no Teatro Santa Roza. Conhecemos a cidade, as praias, tudo muito bonito”, disse Zé Renato.

Em junho de 1980, Claudio Nucci saiu do conjunto e foi substituído por Lourenço Baeta. Com nova formação, o grupo gravou Bicicleta (1980), LP independente que contou com as participações de Tom Jobim e Naná Vasconcelos, depois o disco Folia (PolyGram,1982) e Boca Livre (PolyGram, 1983) com “Panis Et Circenses” de Gilberto Gil e Caetano Veloso. De lá pra cá, o grupo nunca mais parou se apresentar.

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