terça, 20 de abril de 2021

Música
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Biografia de Raimundo Fagner mostra a vida e trajetória musical do cantor

Kubitschek Pinheiro / 29 de maio de 2019
Foto: Fundação FRFagner
Em outubro, Fagner vai completar 70 anos. O presente antecipado é sua biografia Raimundo Fagner - Quem Me Levará Sou Eu (Agir, 400 páginas), que é também um “presentaço” para os fãs. Foi ele quem procurou a amiga e jornalista Regina Echeverria, e encomendou a obra. O livro é bem construído, fruto de uma pesquisa que durou três anos, com mais de 60 entrevistas e pesquisas documentais. Regina é biógrafa de Elis Regina, Cazuza, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha e Jair Rodrigues.

“Fagner é meu amigo de décadas. Ele me procurou e disse que queria que eu escrevesse sua biografia. Nos conhecemos em Paris, em 1978, num show dele. Nessa época eu trabalhava no Estadão. Desde esse tempo que ficamos amigos”, disse a autora em entrevista ao CORREIO pelo telefone.

Boa sacada de Regina Echeverria abrir o 1º capitulo “Revelação”, com uma história que muita gente não sabia. Com 57 anos, (ainda solteiro), Fagner recebe um telefonema de Bruno, (este, com 32 anos, advogado trabalhista), que o artista o conhecia desde menino. Bruno disse a Fagner, que havia feito um DNA e que ele era seu pai. Essa história de amor aconteceu em 1973, quando Raimundo Fagner muito jovem, lançou o primeiro LP, Manera Fru Fru Manera e teve um relacionamento com uma jovem carioca. Bruno quando pequeno chamava o artista de “Tio Fagner”

“Essa história mexeu comigo. Não poderia começar o livro sem outro foco tão tão importante, quanto a descoberta de um filho, que já lhe deu dois netos. Ele (Fagner) já desconfiava, mas o DNA revelou e isso trouxe uma alegria muito grande a ambos”, pontuou Regina.

O livro é cheio de capítulos interligados, do “Menino danado”, ao “Adeus a Fortaleza”, até sua chegada ao Rio de Janeiro e os anos difíceis na Cidade Maravilhosa. Foi em julho de 1971 que o artista botou os pés no Rio para morar com Belchior, Wilson Cirino, Jorge Mello e Rui Pimentel (este, radialista baiano, grande amigo de Belchior e entusiasta dos cearenses). O espaço era uma quitinete na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. “Não era o que ele esperava nem no que havia combinado com Belchior”, capitulo 7, página 97 da biografia.

O título Raimundo Fagner — Quem Me Levará Sou Eu, foi uma sugestão da irmã de Fagner, Marta Lopes, que é bibliotecária e tem guardado grande acervo, desde o inicio da carreira do irmão. “Ela me ajudou muito. Foi excelente comigo. A moça tem muitas informações, recortes de jornais, que hoje fazem parte da Fundação Social Raimundo Fagner”, lembrou. Foi lá onde aconteceu a semana passada o lançamento nacional do novo livro de Regina.

A FRFagner existe desde 2000, iniciativa do artista, que tem como objetivos contribuir para a criação de condições e oportunidades, para que crianças e adolescentes atendidas em Fortaleza e Orós, possam desenvolver plenamente o seu potencial como pessoas, cidadãos e futuros profissionais. “Esse lugar é fantástico. É um espaço que já ajudou a muita gente. Está no meu livro”, disse Regina.

Regina Echeverria enfrentou dificuldades para trabalhar o esqueleto da obra. Ela gostaria de ter se encontrado mais com Fagner, durante a produção da escrita. “Foi uma questão de tempo. Ele viaja muito, está sempre fazendo shows.

A mídia é que não acompanha. Tem uma agenda cheia. Mas nos encontramos, claro. Conversamos e eu fui escrevendo, pois, como falei, o conheço desde os 70”.

O fato do livro ter saído este ano, quando Fagner será setentão, segundo Regina, foi também um presente para ela. “Sim, o trabalho durou quase três anos e achei bom que o lançamento acontecesse este ano, quando ele chega aos 70 anos”

Fala, Regina, fala? “Cada um que se espelha em si ou na obra do autor. A biografia de um ídolo é sempre procurada porque o fã e pesquisador se identificam ou quer saber mais da vida daquela pessoa”, disse.

Raimundo Fagner Cândido Lopes é cantor, compositor, instrumentista, ator e produtor brasileiro. O filho de caçula de José Fares, (imigrante libanês), e Francisca. Fagner nasceu na capital cearense, mas foi registrado em Orós. Cursou arquitetura e chegou a integrar as bandas Os Magníficos; Os Magnatas e a mais famosa: Os Faraós, antes de migrar para o Rio.

“O texto de Regina mostra como vivi intensamente o ápice do mercado fonográfico brasileiro. Acho que é um ótimo legado de incentivo para as próximas gerações”, revela Fagner pelo telefone.

"O livro carinhosamente escrito por Regina, aborda momentos importantes da minha carreira, de maneira que as pessoas que me acompanham há anos poderão confirmar essa trajetória cercada de paixão pela música e pela profissão" comentou o cantor.

‘Canteiros’ e pelejas



Quem me levará sou eu é um livro denso, mostra as amizades e inimizades ao longo da carreira de Fagner, além dos bastidores de shows, a discografia completa, os festivais entre outros episódios.

O cantor canta no filme Joana, a Francesa (de 1973, coprodução brasileira/francesa, escrito e dirigido por Cacá Diegues e direção musical de Chico Buarque), gravou “Sinal Fechado”, do sambista, Paulinho da Viola.

A canção “Ave Noturna”, ele assina com Cacá Diegues, além da badalada “Borbulhas de amor” e “Mucuripe”, um grande sucesso.

No LP de estreia, que Fagner gravou pela Philips, trazia a canção “Canteiros” um de seus maiores sucessos, sobre poesia de Cecília Meireles, que o cantor não colocou nos créditos o nome da poetisa.

Este incidente levou a uma briga na justiça, onde a família de Cecília conseguiu retirar de circulação seu primeiro disco.

Na canção Fagner canta assim: “Quando penso em você, Fecho os olhos de saudade, Tenho tido muita coisa. Menos a felicidade”. Já no poema Cecilia escreveu assim: “Quando penso no teu rosto, fecho os olhos de saudade, Tenho visto muita coisa, menos a felicidade, Soltam-se meus dedos tristes dos sonhos claros que invento, Nem aquilo que imagino, já me dá contentamento”.

Regina comenta: “Ele alega que a informação estava no encarte do disco. Roberto Menescal, que era o produtor da gravadora disse que não se lembra disso. Mas pagaram os direitos. Não acho que ele fez isso com essa intenção de se apropriar da obra alheia”, fecha.

 

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