sexta, 24 de janeiro de 2020
Música
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Banda paraibana Glue Trip lança álbum ‘sea at night’

André Luiz Maia / 03 de outubro de 2018
Foto: Reprodução
Uma viagem pela noite banhada por um mar de sintetizadores é a proposta do novo álbum de Glue Trip. Os paraibanos entregam ao público um segundo álbum com som amadurecido, explorando tendências globais e reafirmando sua identidade cosmopolita. Sea at Night impressiona pelo apuro estético e técnico, com um som que enche os ouvidos do ouvinte.

A comparação com Glue Trip (2015) aqui se dá pelo contraste. Lá, tínhamos um disco com ares tropicais, contando com a presença constante do violão à brasileira, imprimindo uma paisagem sonora litorânea e diurna. Aqui, a noite se apresenta inteira, com sintetizadores densos e sessões instrumentais alongadas, investindo ainda mais em criação de atmosfera.

O processo de construção de Sea at Night acompanha transformações externas e internas da Glue Trip. Seu líder e fundador, Lucas Moura, estava perseguindo uma nova concepção estética e sonora quando deixou de ser uma dupla e passou a desenvolver um trabalho de banda. Com o tempo, o grupo acabou ganhando a feição atual com a entrada dos músicos Gabriel Araújo (baixo e voz) e CH Malves (bateria), que entraram em 2013, e depois com a inclusão de Felipe Lins (guitarra e synth) e Rodolfo Salgueiro (teclados e voz).

O processo de criação, afirma Lucas, é sempre colaborativo e de dentro para fora. “Eu aperto o botão de start e quando tenho algo que eu realmente goste e que fica na cabeça por um tempo vou convidando os amigos para trabalharmos em cima do som. Eu assumo a produção e composição das músicas, mas sempre aparecem amigos para colaborar, como Gabriel Araújo, que foi parte essencial no processo de produção do disco”, salienta. Essa dinâmica de grupo ajuda a compreender os caminhos que levaram ao resultado final de álbum.

Violão, papel e caneta sempre foram os arsenais mais básicos da escrita de Lucas Moura. No entanto, aqui a descoberta coletiva em estúdio foi a protagonista do processo de produção do álbum. “É um trabalho bem picotado, feito em partes diferentes, cada trecho foi cuidadosamente pensado. Para mim, as coisas são mais naturais com um violão no colo e papel e caneta nas mãos, as faixas ‘Time lapses’ e ‘Honey’foram construídas assim, mas essa metodologia está menos presente nesse disco. Sea at Night é o encontro do mar com a noite, traz várias reflexões a beira-mar e foi criado para ser escutado a noite”, completa o vocalista.

O disco contou com algumas colaborações de colegas músicos da banda. Pablo Ramires, da Cabruêra, contribui com a percussão de "Honey", enquanto Sergio Aires executa a flauta ouvida na mesma faixa. João Yor, do grupo paraibano instrumental Augustine Azul é o responsável pela guitarra solo em “Fancy”.

Nas nove faixas, é possível sentir a presença forte da música dos anos 1970 e 1980. No lugar do violão tropical, entram em cena o baixo elétrico e a guitarra grooveados, resultado da inspiração declarada pelo grupo no artista de soul Bill Withers ou da releitura moderna dessa vertente feita pelo Daft Punk no disco Random Access Memories e da banda Unknown Mortal Orchestra.

Os elementos psicodélicos do primeiro disco ainda têm presença garantida no DNA da nova safra de canções, mas o uso de sintetizadores lembra bastante trabalhos como as trilhas sonoras de filmes como Blade Runner. “Eu sempre tive vontade de produzir um álbum de música eletrônica, algo mais ligado aos anos 1980 e que dialoga com essa estética presente no disco. Isso fez com que eu deixasse o violão um pouco de lado e começasse a trabalhar com sintetizadores e com uma batida mais oitentista. Falando em referências sonoras, eu tentei juntar duas que eu gosto muito: Daft Punk e Clube da Esquina”, completa Lucas Moura.

Sem apoio de selo ou gravadora, a banda lança o disco de forma independente, tendo como foco o mercado europeu e japonês, com negociações em andamento. Essa mira no mercado internacional foi algo que surgiu naturalmente. O videoclipe da canção “Elbow pain”, lançada primeiro em formato de EP e depois incluída no primeiro álbum, alcançou ouvintes de todas as partes do mundo através do YouTube. Até o fechamento desta matéria, são quase 4 milhões de visualizações.

Essa repercussão viabilizou o lançamento de Glue Trip na Europa através da Novomundo Records e no Japão através da Production Dessinée. Diante disso, a postura da banda é tentar estabelecer pontes com esse público. “Quando lançamos o disco novo, fazemos menções de todos os cantos do mundo, os comentários no nosso Youtube são os melhores e nos ajudam a querer continuar e levar o som para os quatro cantos do mundo”, evidencia o vocalista.

Para o futuro, a banda reserva dois clipes do novo disco e uma turnê que já tem datas marcadas em Belo Horizonte (12/10), Rio de Janeiro (13 e 14/10) e São Paulo (18/10).

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