segunda, 25 de janeiro de 2021

Música
Compartilhar:

Após 50 anos do lançamento, disco de Sinatra e Tom Jobim ganha nova versão

Audaci Junior / 28 de março de 2017
Foto: Divulgação
“Quero fazer um disco com você e saber se você gostou da ideia”, fazia a proposta nada mais, nada menos que Frank Sinatra (1915-1998) a nada mais, nada menos que Tom Jobim (1927-1994). Para fazer o convite, "The voice" telefonou direto para o bar Veloso, em Ipanema, onde estava Jobim na hora. O disco, Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, disco que está completando 50 anos este mês, foi um bote para o cantor norte-americano em um mar de poucas novas canções americanas à altura de seu repertório.

“Não tenho tempo para aprender canções novas e detesto ensaiar”, afirmou Sinatra a Tom, segundo o livro Chega de Saudade — A História e as Histórias da Bossa Nova, do jornalista Ruy Castro. “Vamos ficar com as mais conhecidas – os clássicos”. O resultado levou o nome completo dos dois na pia batismal. O disco, agora, ganha uma nova edição remasterizada no começo do próximo mês.

As gravações aconteceram na Western Recorders, em Hollywood, Estados Unidos, entre os dias 30 de janeiro e 1° de fevereiro de 1967. Foi convidado para fazer os arranjos o maestro alemão Claus Ogerman – mencionado por Sinatra ainda na primeira prosa telefônica – o mesmo que fez os arranjos do The Composer of “Desafinado” Plays, lançado três anos antes.

No repertório dos "clássicos" já apontados por Sinatra, entraram as músicas “Garota de Ipanema”, “Dindi”, “Corcovado”, “Meditação”, “Inútil passagem”, “Insensatez” e “O amor em paz”.

Juntando-se às “100% bossa nova”, passaram pela transformação orquestral as norte-americanas “Change partners” (de Irving Berlin, lançada por Fred Astaire no filme Dance Comigo), “I concentrate on you” (de Cole Poter, também cantada por Astaire em Melodia da Broadway de 1940) e “Baubles, bangles and beads” (de Robert Wright e George Forrest, d o musical Kismet).

“A inclusão de canções norte-americanas era para tirar do disco um caráter exclusivamente latino”, justificou Ruy Castro em Chega de Saudade.

Para esta edição especial, além das 10 músicas originais, foram adicionadas duas faixas bônus: um medley das músicas “Quiet nights of quiet stars” (versão em inglês de "Corcovado"), “Change partners”, “I concentrate on you” e “The girl of Ipanema”, gravado para o especial de TV A Man and His Music + Ella + Jobim, e uma gravação de estúdio inédita de “The girl from Ipanema”, de 31 de janeiro de 1967.

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (50th Anniversary Edition) será lançado pela Universal Music em 7 de abril e estará à venda exclusivamente no Sinatra Shop (shop.sinatra.com) e na UDiscover Music (www.udiscovermusic.com). Será lançada também uma edição limitada do projeto em vinil azul de 180g.

A antológica capa mostrava Sinatra ao microfone e Tom ao violão, em segundo plano, envoltos numa névoa de cigarros. “Por que Tom ao violão, e não ao piano, que era o seu instrumento?”, indagou Ruy Castro numa coluna da Folha. E ele já sabia a resposta: “Porque, como ele me contou, os norte-americanos de 1967 ainda não estavam preparados para um mortífero ‘latin lover’ – como tentaram vendê-lo – que não tocasse violão”.

Quem ficou aborrecido foi João Gilberto, que não foi convidado. “Mas Tom nunca se arriscaria a que João Gilberto tentasse corrigir a afinação de Sinatra ou quisesse obrigar o homem a gravar uns 50 takes de ‘Dindi’”, sentenciou Ruy Castro.

Relacionadas