sexta, 19 de julho de 2019
Música
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Aos 81 anos e quase 70 de carreira, João Donato lança CD com músicas inéditas

Kubitschek Pinheiro / 23 de abril de 2016
Foto: Caroline Bittencourt/divulgação
O novo álbum que João Donato, “Donato Elétrico”, em edição do Selo Sesc surgiu de uma visita que o músico recebeu do escritor e pesquisador Ronaldo Evangelista em 2013, na Urca, Rio - ele que assina a produção do CD e o encarte, no qual o artista apresenta dez músicas inéditas.

Na verdade, o CD traz à tona a sonoridade de álbuns da década de 1970 como “A Bad Donato” (Blue Thumb Records, 1970) e “Donato/ Deodato” (Muse Records, 1973). O próprio Donato confirma em entrevista ao CORREIO.

“É isso. Os discos ‘A Bad Donato’ e ‘Donato Elétrico’ são irmãos, são bons, com os mesmos instrumentos de sopros e teclados elétricos. Usamos a mesma a forma: um lá no Estados Unidos e esse novo aqui Brasil. Esse trabalho já vinha sendo pensando desde 2013 e tudo foi se formando nos ensaios lá em São Paulo com parte da Banda Bexiga 70”, afirmou o músico.

O bom é que aos 81 anos, com quase 70 de carreira, João Donato se reinventa e traz esse presente para os fãs - um álbum novo (seu primeiro de composições inéditas em quase 15 anos).

Está aí o novo João Donato tocando vários instrumentos como o piano elétrico Fender Rhodes, sintetizadores e teclados analógicos, acompanhado de músicos da cena contemporânea de São Paulo, como quem abraça o oficio da sonoridade para se encontrar com o que ele mais gosta de fazer na vida. “Gosto mesmo e ainda vou fazer outras coisas boas. Muitas”.

“Donato Elétrico” foi gravado o ano passado, com participação de parte músicos integrantes do Grupo Bixiga 70, em estúdios como Traquitana, Minduca e Navegantes, produzido por Ronaldo Evangelista e mixado por Victor Rice.

“Essa banda é muito boa, como falei são integrantes do Bixiga 70, gostei muito de trabalhar com eles. Foram muitos ensaios em São Paulo e desses encontros surgiram até os nomes das músicas. Cada dia o disco crescia e isso foi muito importante. Realizamos esse trabalho junto, por isso deu certinho”, disse João, que em 2014 fez show com esses músicos numa retomada do clássico “Quem é quem” (de 1973) “Foi ai que começamos a trabalhar”.

A primeira faixa “Here´s JD tem seis minutos e treze segundos e já dá o tom do bom CD. “Eu gosto dessa música, nela estão todos os instrumentos eletrônicos. Já aí a pessoa percebe que o disco é bom, que cresceu como falei nos ensaios. Eu queria fazer algo diferente de Rã, Lugar Comum, Emoriô, queria temas novos”.

“Urbano”, a segunda faixa seduz de cara. Tem uns barulhinhos que lembra o som de pássaros. “São essas sons eletrônicos modernos, eu gostei, dá até para pensar que é uma intervenção e é”, registra. Já “Frequência de Onda”, lembra uma viagem. “Tudo vem e cresce como uma onda, novas ideias”.

“Espalhado”, a quarta faixa, é uma musica suave.Já “Tartaruga”, é mais embalada. “Essa faixa é bem ritmada, tem um sonoridade muito boa, e nos leva para onde gostamos de caminhar, por isso o nome dela é tartaruga e podemos pensar ao contrário, em avançar”, argumenta. “Combustão espontânea”, não poderia ter nome melhor. “Eu sei, é uma que pega fogo”, disse rindo.

No ano passado com seu conjunto elétrico, apresentou-se no Rock in Rio (mesmo festival em que em esteve ao lado da cantora Céu em 2011) e participou do show da Banda Bixiga 70 no festival Sonoridades, em show aberto no Parque Laje, no Rio de Janeiro.

Parceiro musical de nomes como João Gilberto, Tom Jobim, Eumir Deodato, Mongo Santamaria, Chet Baker, Gilberto Gil, Cal Tjader, Tito Puente, Sergio Mendes, e compositor gravado por músicos e cantores como Cannonball Adderley, Wes Montgomery, Gal Costa, Elza Soares, Nana Caymmi, Caetano Veloso, Emilio Santiago, entre muitos outros, João Donato é fundamental na história do jazz latino, da Bossa Nova e de toda a música brasileira dos últimos 60 anos. De seu começo nos anos 50 até hoje, centenas de temas e canções e de discos solo depois, Donato se destaca sempre.

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