sábado, 12 de junho de 2021

Música
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Ângela Maria fala sobre seu novo disco, em que canta sucessos de Roberto Carlos

Kubitschek Pinheiro / 14 de julho de 2017
Foto: Murilo Alvesso/DIVULGAÇÃO
A primeira cantora a dedicar um disco às canções de Roberto e Erasmo Carlos foi Maria Bethânia, em 1993 (As Canções que Você Fez pra Mim). Depois, vieram a sambista Teresa Cristina e a sertaneja Roberta Miranda. Agora chegou a vez de Ângela Maria, em Ângela Maria e as canções de Roberto e Erasmo. Com 87 anos e 70 de carreira, Ângela exibe uma voz invejável ao interpretar as canções do Rei. Comente no fim da matéria.

Voltando no tempo, em 1996, a artista lançou o CD Amigos e convidou Roberto para cantar com ela a canção “Desabafo”, que ela regravou nesse novo trabalho. Anos depois, em 2001, Ângela laçou o álbum Eu Voltei, depois de oito anos longe dos estúdios, e gravou “O portão” de Roberto, que ela canta até hoje.

“Canto, sim. Adoro essa canção e nunca mais deixei de incluir no repertório de meus shows. Mas aí senti a vontade de gravar um disco inteiro com canções de Roberto, ideia sugerida pelo empresário Manoel Poladiam, responsável por minhas turnês. Ele sugeriu a Daniel D’Angelo (marido e produtor da cantora) e ao Thiago Marques Luis, responsável pela produção de outros discos meus discos, mas para isso eu precisava falar com Roberto”.

Aproveitando um show que Roberto Carlos deu em São Paulo, a artista foi ao camarim e, claro foi muito bem recebida. “Ele me abraçou, me beijou e disse que estava feliz com minha presença e que eu cantasse tudo que quisesse. Foi muito gentil comigo, como sempre", conta ela ao CORREIO, por telefone. "E antes que você me pergunte: eu estou mais feliz e realizada com disco. Ficou como eu queria”.

O disco tem 10 faixas gravadas originalmente por Roberto nas décadas de 1960 e 1970. A produção é de Thiago Marques Luiz, paulistano que tem feito um trabalho merecedor de palmas ao valorizar artistas um pouco esquecidas, que não é caso de Ângela. Foi Thiago quem esteve ao lado de Cauby Peixoto, nos últimos anos e produziu o tributo a Roberto Carlos na voz de Cauby.

Na ultima faixa do CD, Ângela canta “Como é grande o meu amor por você”, a única faixa assinada apenas por Roberto, num dueto com Cauby, cuja voz foi retirada de uma gravação de 2013, feita para o CD Reencontro, o terceiro que uniu a dupla Cauby e Ângela. “Mas ficou perfeito, não é?”, indaga ela.

Os arranjos de piano, violões e orquestra nesse disco de Ângela mostram uma sofisticação e elevam as canções do Rei. Claro, bem longe dos agudos da interpretação Babalu, pois, hoje, Ângela hoje é dona de um grave capaz reaquecer o clima de "Sua estupidez", a segunda faixa do CD em que ela repete o refrão “eu te amo, eu te amo”, inovando. “Eu fiz isso para ficar diferente. Essa canção é muito intensa e eu quis fazer algo que emocionasse”, disse.

O tom de melancolia extravasa neste tributo. As interpretações de “Eu disse adeus” e “Despedida” parecem feitas para Ângela cantar. E a oitava faixa “Jovens tardes de domingo”, não ficam atrás.

Ângela Maria e Erasmo Carlos vão além da beira do caminho. Belas vozes juntas em “Sentado à beira do caminho”. “Eu disse logo ao meu produtor: tem que ter Erasmo, já gravei com Roberto (a segunda vez foi atendendo ao convite do Rei, num especial da Globo) e quero Erasmo nesse disco. Meu produtor resolveu tudo. Eu gravei a minha parte e ele colocou a voz dele”.

A eterna Sapoti (apelido dado a ela pelo presidente Getúlio Vargas) canta e encanta e vai impressionando com sentimentalidades, porque “O show já terminou”, mas não terminou para Ângela Maria. “Eu quero cantar até meu ultimo suspiro. Nasci para isso”, fechou.

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