terça, 25 de junho de 2019
Música
Compartilhar:

Adeildo Vieira lança novo CD no Teatro Santa Roza nesta sexta e sábado

André Luiz Maia / 12 de maio de 2017
Foto: Milena Medeiros/ DIVULGAÇÃO
Adeildo Vieira já havia apresentado o disco África de Mim no fim de 2015, mas até então não tinha feito um show de lançamento propriamente dito. Praticamente um ano e meio depois, ele faz dupla apresentação no recém-inaugurado Teatro Santa Roza, quase dez anos após gravar seu DVD Chega Junto no mesmo local. Após o show, ele fará uma noite de autógrafos, uma oportunidade de entrar em contato direto com os admiradores de seu trabalho.

Acompanhado pelos filhos Rudá (guitarra e violão) e Uaná Barreto (teclados), além dos músicos Gilson Machado (bateria), Rainere Travassos (baixo), Chiquinho Mino (percussão), Costinha (sax), Alesson Jacinto (trombone) e Emanoel Barros (trompete), Adeildo não economizou esforços para transpor a experiência do disco para o ao vivo. "Foi por isso que eu demorei esse tempo todo para fazer esse lançamento, queria que tivesse toda a estrutura, repetir a experiência do estúdio ali no palco. Queria fazer com calma, sem atropelos", explica o cantor e compositor.

O repertório integral do disco será apresentado nos shows de hoje e amanhã. Para democratizar o acesso às suas canções, Adeildo as disponibilizou atráves do YouTube gratuitamente (ouça em https://youtu.be/l3RWZPXdM48), além de incluir algumas das novas canções na programação das rádios Tabajara e Senado. Contudo, os fãs de seu repertório mais clássico também serão contemplados, com a execução de músicas como "Amorério", "Alegria de farol" e "Chega junto".

Com um mix de metais e percussão, a força da sonoridade do repertório é completada pela participação de músicos do grupo Berimbaobab Brasil, do qual também faz parte. "Eles são músicos excepcionais e que estão em consonância com essa minha busca pela ancestralidade africana", explica. O grupo, composto por artistas como Soraia Bandeira, Gláucia Lima, Erivan Araújo e o coletivo de hip-hop Tribo Éthnos, viajou em 2012 para o Senegal, na África. A semente do disco estava, então, germinada.

“Quem já conhece meu trabalho, sabe que eu tenho uma certa incursão pela música da África, meus discos anteriores também tiveram músicas ligadas aos ritmos de lá, mas depois de conhecer o Senegal, voltei com essa vontade de fazer um disco mais temático, celebrando a união de culturas”, declara Adeildo.

Ao longo das doze faixas de África de Mim, Adeildo Vieira brinca com os ritmos africanos e nacionais, especialmente aqueles de ascendência africana. Tem samba, ijexá, jongo e outras misturas que o paraibano já realizava durante os mais de 30 anos de carreira, agora potencializados pelo contato direto com a matriz sonora de alhures. Dessa viagem, uma canção em específico ficou marcada, "Bapalaye". Canção tradicional da região de Casamança, no Senegal, Adeildo aprendeu a música durante a visita ao país, com o músico Joel Bassene. Embora ela já seja conhecida por quem assistiu às performances do Berimbaobab Brasil, a versão do disco traz uma diferença. “O Joel gravou para nós uma participação. Ele gravou em um estúdio no próprio Senegal e nos mandou para acrescentarmos na pós-produção”, pontua.

A canção-título surgiu antes mesmo da viagem à África e o disco também traz composições anteriores a isso, a exemplo de “Ladeira do Tombo”. Mas, a partir da definição do projeto, ele passou a compor novas canções com inspiração em ritmos e temáticas africanas, o que também o levou a uma visitação à música brasileira de raízes negras.

Os shows são oportunidades de conferir as novas criações de um dos compositores mais respeitados do estado.

Relacionadas