domingo, 25 de outubro de 2020

Música
Compartilhar:

Adeildo Vieira faz shows com repertório do CD ‘África em mim’

André Luiz Maia / 09 de maio de 2018
Foto: Divulgação
Há exatamente um ano, Adeildo Vieira apresentou oficialmente em show o repertório de seu disco mais recente, África de Mim, lançado originalmente em 2015. Agora, o paraibano se prepara para mais uma etapa de sua carreira, com o registro em DVD deste espetáculo. As gravações acontecem no sábado e domingo, no Teatro Paulo Pontes.

O registro é realizado pela TV UFPB e pela equipe do curso de Cinema do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da instituição. O evento ainda conta com o apoio do Governo da Paraíba, por meio da Fundação Espaço Cultural (Funesc). “Sem eles, seria quase impossível eu conseguir fazer esse registro da maneira como eu queria”, pontua o cantor e compositor.

Além disso, ele conta com uma banda afiada, formada pelos filhos Rudá (guitarra e violão) e Uaná Barreto (teclados), além de Gilson Machado (bateria), Rainere Travassos (baixo), Chiquinho Mino (percussão), Costinha (sax) e Emanoel Barros (trompete). O músico Alesson Jacinto, responsável pelo trombone, teve de ser substituído pelo músico Cassio Vieira Lima.

O repertório de África de Mim, composto majoritariamente por músicas de autoria própria, evocam a ancestralidade da cultura dos países africanas presente de maneira vívida na música brasileira. Ritmos como jongo, samba e ijexá brilham com uma cama percussiva generosa. O disco foi lançado primeiramente no fim de 2015, levando pelo menos um ano e meio para ganhar os palcos.

Adeildo Vieira justifica esse “delay” entre o disco e os primeiros shows. “Queria subir no palco só quando pudesse levar um show à altura, que demonstrasse toda a riqueza sonora que o público pôde ouvir no CD”, explica. As primeiras performances foram realizadas em um fim de semana, também nos dias 12 e 13 de maio, no Teatro Santa Roza. Agora, é a vez de levar este show para o palco do Paulo Pontes, no Espaço Cultural.

Questões

A escolha das datas também é significativa. Por se tratar de um disco com referências afroculturais evidentes, Adeildo aponta para questões da vivência do negro do Brasil. “Como é de conhecimento geral, no dia 13 de maio é celebrada a abolição da escravatura. No entanto, minha ideia é desmistificar essa ideia de que o negro foi liberto. Essa abolição aconteceu por conta de conveniências políticas e esconômicas”, salienta o cantor e compositor.

Ao longo do último ano, ele aproveitou o convite de escolas e professores para levar essa discussão para dentro das salas de aula. “O negro saiu da senzala e se libertou dos grilhões, de fato, mas até hoje continua sendo escravizado de alguma forma, com empregos precários e vivendo em comunidades sem o mínimo de estrutura básica para viver”, completa Adeildo.

Viagem à África foi decisiva

A conexão de Adeildo Vieira com a música africana não é de hoje. No início da década de 2000, ele participou do projeto Mamma Jazz. Lá, ele teve a oportunidade de experimentar ritmos e uma musicalidade nova para ele, sendo guiado pelo músico Guilherme Semmedo, de Guiné-Bissau.

No entanto, sua ida ao continente foi decisiva para a criação do projeto África de Mim. Isso acontece através de seu envolvimento com o projeto Berimbaobab, um experimento de intercâmbio cultural e artístico entre Brasil e Senegal. Além de duas viagens a países africanos, Adeildo e outros artistas como Tribo Éthnos, Soraia Bandeira, Gláucia Lima eErivan Araújo fundaram o projeto Berimbaobab Brasil, trazendo para João Pessoa músicos e grupos do outro lado do oceano.

Essa interação gerou frutos em África de Mim. A vocalista do grupo senegalês Toll Bi, a gabonesa Claire Mbeng, participa da faixa “De volta a Gorée”. Outra canção que faz link direto com a África é “Bapalaye”, a única não-autoral do disco.

Durante sua visita À região de Casamança, no Senegal, Adeildo aprendeu a música durante a visita ao país, com o músico Joel Bassene. “É uma música sobre amizade, cantada no idioma diola” complementa o paraibano.

Participações

Nos shows, ele conta com colegas e amigos de longa data no palco. Os músicos e bailarinos do Berimbaobab Brasil estão integrados às performances do show, proporcionando uma experiência expandida, para além de um show musical.

Representando a nova geração de músicos locais, estão Nathalia Bellar, na canção “De volta a Gorée" (“uma artista que admiro muito”, declara Adeildo), e Pedro Índio Negro, da banda Flor de Pedra, em “João Balula”, em homenagem ao falecido ativista negro paraibano.

Relacionadas