domingo, 17 de janeiro de 2021

Música
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190 anos de morte do compositor alemão Ludwig van Beethoven

Audaci Junior / 26 de março de 2017
Foto: Divulgação
Quando ouvimos a tensão dramática do “pa-pa-pa-pam!” de uma das mais famosas aberturas de uma música erudita – a “Quinta Sinfonia” de Ludwig van Beethoven – não precisamos saber quem era o compositor alemão (já surdo na época dessa criação) ou a origem dessas notas musicais. Está no inconsciente coletivo popularizado pelo cinema, publicidade, televisão e vários outros meios de comunicação.

Exatamente neste domingo, há 190 anos Beethoven deixava sua vida para se tornar imortal através de suas partituras, seja pelas salas de concertos pelo globo, seja pela narrativa dinâmica nos desenhos animados ou seja pelos comerciais televisivos de barbeadores.

Acerca da popularidade, “Roberto Carlos todo mundo no Brasil conhece. Mas se você sai pelo mundo, vai perceber que Beethoven é mais popular que o Roberto Carlos aqui”, compara o maestro da Orquestra Sinfônica de João Pessoa, Laércio Diniz.

Para o regente da Orquestra Sinfônica da Paraíba, Luiz Carlos Durier, poucos imprimiram a sua marca como o alemão, trazendo para a nossa realidade o exemplo da obra do rei do baião, Luiz Gonzaga (1912-1989). “Beethoven foi importantíssimo para criar um estudo e forma de fazer música”, conta Durier. “Essencialmente a grande marca de ritmos e efeitos abruptos para a sua música”.

À frente do seu tempo, Beethoven representa o mais importante divisor de águas na história da música orquestral, segundo o maestro da Orquestra Sinfônica da UFPB, Thiago Santos.

“Beethoven expandiu a orquestra. Foi ele o primeiro compositor a colocar flautim, contrafagote e trombones em uma sinfonia – e no fim de sua produção, em sua ‘Nona Sinfonia’, também pela primeira vez na história acrescentou um grande coro com solistas”, explica. “Imagine a reação das pessoas em sua época”.

Laércio Diniz atenta que o compositor está em um filtro de mais de dois séculos. “Para chegar neste patamar é muito complicado”, aponta. “Gênio é gênio em qualquer época. A música – a arte em si – consegue vencer essas barreiras e pertencer ao nosso inconsciente coletivo”.

Pernalonga. “Se considerarmos apenas suas nove sinfonias – todas compostas já no período de surdez –, em cada uma delas encontraremos alguma inovação, seja formal, harmônica, instrumental”, analisa Thiago Santos. “Por outro lado, curiosamente, sua música pré-surdez é ainda bastante conformada com os padrões do classicismo, embora já apresentando algumas características de seu gênio inquieto e inovador”.

A obra de Beethoven provoca emoções esfuziantes quando Durier rege uma das suas composições. “A orquestra precisa pensar com uma imensa energia, quase atômica, de tão potente e tanta força que tem”.

Ainda sobre a herança geracional, o maestro Laércio Diniz diagnostica que qualquer camada da população, mesmo não tendo a consciência da sua origem, gosta de música clássica. “Se Beethoven aparece num desenho do Pernalonga, o público vai apreciar, mesmo achando que é ‘uma música do Pernalonga’. Isso só prova o quanto profunda ela é”.

“Tenho um busto dele em tamanho real na minha casa”, confessa Thiago Santos (como, aliás, Schroeder, o fã de Beethoven da tira Peanuts). “Sua música, ainda hoje, me remete a quando eu era criança e meu pai me levava ao Theatro Municipal (do Rio de Janeiro) no ‘dia de portas abertas’, quando a coro, solistas e orquestra tocavam a ‘Nona Sinfonia’”.

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