segunda, 25 de janeiro de 2021

Literatura
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Yara Amaral, morta na tragédia do Bateu Mouche, em 1989, ganha livro

Kubitschek Pinheiro / 29 de abril de 2017
Foto: Roberto GuimarÃes/ DIVULGAÇÃO
A atriz Yara Amaral tinha 52 anos quando saiu de cena ao se afogar no mar carioca na noite de réveillon de 1989, quando o barco Bateau Mouche naufragou. Eduardo Rieche lança agora a biografia da atriz: Yara Amaral, a Operário do Teatro. A atriz foi responsável por despertar o interesse do hoje escrutor pelo teatro.

“Como espectador, assisti aos últimos cinco espetáculos dos quais ela participou, todos no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro. Anos depois, quando o caso Bateau Mouche completou 10 anos, comecei a perceber que o nome de Yara Amaral começava a cair no esquecimento, e que ela merecia uma homenagem à altura do seu talento”, revela o autor em entrevista ao CORREIO. Ele tinha 17 anos quando Yara morreu.

Yara representou em mais de 30 espetáculos, 17 novelas e 13 seriados de TV, especiais e/ou minisséries, além de 11 filmes. “Na tevê, sua trajetória lhe rendeu mais visibilidade, embora tenha sido relativamente curta”, conta o autor.

Seu primeiro papel de destaque na TV veio em 1978, na novela Dancin’ Days, de Gilberto Braga, na Globo. “Ali Yara já estava com 41 anos, e isso também acabou determinando a escalação para os papéis que interpretaria a partir de então. A atriz teve atuação bastante elogiada em Anos Dourados (1986), do mesmo Gilberto Braga, e brilhou também na primeira versão da novela Guerra dos Sexos (1983), de Sílvio de Abreu, em um papel cômico que lhe rendeu o Prêmio APCA de Melhor Atriz”, resume Eduardo.

Uma faceta marcada na vida da atriz era sua luta para que o teatro brasileiro fosse fortalecido. “Yara não era uma militante no sentido estrito da palavra, mas, como artista, estava consciente do papel que lhe cabia em nossa sociedade. Sua forma de resistir à ditadura foi, basicamente, engajar-se no teatro dito 'marginal' e organizar vários seminários de textos censurados durante os anos 1970”.

O capitulo que envolve o Bateau Mouche é uma tristeza profunda, quando Yara e sua mãe, Elisa Amaral, aceitaram o convite da empresária Dirce Grotkowski para fazer o passeio do Bateau Mouche IV. “O caso Bateau Mouche continua sendo, até hoje, um dos maiores símbolos da impunidade em nosso país – 55 pessoas tiveram suas vidas precocemente interrompidas”.

“Yara Amaral, a operária do teatro”

De Eduardo Rioche

Editora: Tinta Negra

Páginas: 736

Formato: 20,5 x 26 cm

Preço: R$ 89,90

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