quinta, 26 de novembro de 2020

Literatura
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Uma diva em fotos: Sandra Pêra fala sobre a fotobiografia de Marília Pêra

Kubitschek Pinheiro / 20 de fevereiro de 2016
Foto: Divulgação
“O livro tem a cara de Marília”. É assim que Sandra Pêra abre a conversa com o CORREIO pelo telefone sobre Marília Soares Marzullo Pêra, a fotobiografia da atriz, que morreu em dezembro passado. “Ela adorou o livro e chegamos a marcar a data do lançamento para dezembro passado”, lembra Sandra, irmã de Marília e que organizou a obra com mais de 750 imagens. As duas escreveram juntas as legendas que contam a história.

O livro tem projeto gráfico de Victor Burton e conta a história da saga não só de Marília, mas da família Marzullo Pêra, abordando os pais de Marília e Sandra, Manuel Pêra e Dinorah Marzullo, nos palcos e depois a infância e carreira das duas, passando pelo nascimento de Marília e depois Sandra. Marília não tinha o sobrenome da mãe em seu registro oficial, mas decidiu incluí-lo no título do livro como homenagem a uma das linhagens artísticas que a originou.

“Na verdade, eu que tenho a mania de guardar tudo. Comentei com ela que ia organizar tudo em álbuns e ao primeiro demos o nome de 'Família em cena', e aí começou esse livro", conta Sandra, que foi uma das intergrantes das Frenéticas. "Tem muita coisa de nossos pais e, se não fosse esse livro, eles iriam para o esquecimento”.

De repente foram chegando centenas de fotografias e documentos que Marília enviava para se juntar ao material que Sandra já tinha. Mas o estalo veio quando Marília mandou higienizar as fotografias e o pessoal sugeriu um livro nos moldes do da escritora Nélida Piñon, que publicou um nesse padrão. Amiga da família, Nélida escreve o prefácio do livro, que tem capa dura, papel couché matte 150g e fioi impresso na gráfica paraibana Santa Marta.

As fotografias expõem a versatilidade da atriz, que representou personalidades como Carmen Miranda, Dalva de Oliveira, Maria Callas, Coco Chanel, além de inúmeras personagens de ficção memoráveis graças à sua atuação. O livro inclui também depoimentos e bilhetes carinhosos recebidos por Marília.

Marília Pêra não expôs publicamente a doença, mas sofreu até em consultas médicas. Sandra lembra quando acompanhou a irmã para para fazer uma radiografia e ficou perplexa com reação do médico. “Viu que a medicação não estava mais fazendo efeito e disse a ela coisas horríveis, que minha irmã não queria saber: que ela iria sentir faltar de ar, que ela tinha pouco tempo de vida, essa coisas que não se diz a um paciente. E ela questionava: 'Por que ele precisou me dizer isso?'. Ele só fez atrapalhar o resto dos dias dela. De uma frieza, poderia ter dito a nós da família e não a ela”.

Sandra fecha esse ciclo lembrando que Marília manteve a dignidade e autonomia até o fim. “De repente me vi frente ao velório de Marília. Mas a comoção do país nos conforta, nos alegra, em saber que Marília vive na memória do povo brasileiro”.

Frenéticas. Sandra diz que não tem saudades, mas boas lembranças da época em que integrou As Frenéticas, um sucesso estrondoso no final dos anos 1970 e começo dos 1980, com hits como "Dancin' days" e "Perigosa". “Ainda somos amigas até hoje. Da formação inicial gravamos quatro discos, depois saí. Era um bando de mulheres cantando e se divertindo por aí”, recorda.

Mas há uma novidade: o produtor Rodrigo Faour está terminando o projeto da caixa que vai sair este ano pela Warner reunindo todos os discos do grupo. “Ele disse que encontrou gravações incríveis, que vão sair num disco de raridades”, disse Sandra.

Sandra é mãe de Amora, de seu casamento com Gonzaguinha. A filha integra o grupo Chicas, do Rio de Janeiro. “Amora tinha dez anos quando o pai se foi - hoje está com 34. É incrível como ela tem muito dele, do avô Gonzagão, o jeito de cantar. A voz dela vem deles e tem uma presença forte no palco, que é de Marília. São muito parecidas, é como se ela fosse filha de minha irmã e não minha, tamanha a identificação”.

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