sexta, 21 de setembro de 2018
Literatura
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Proeza Santos Dumont é recontada na nova biografia escrita por Fernando Jorge

Renato Félix / 27 de março de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
Pergunte quem inventou o avião e qualquer brasileiro que se preze vai responder “Santos Dumont”. Se a mesma pergunta for feita nos Estados Unidos, a resposta, também quase automática, muda: “Os Irmãos Wright”. Para Fernando Jorge, biógrafo do brasileiro pioneiro da aviação, não há dúvidas nesse embate: a glória é nossa. Seu livro As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont ganha uma nova edição e traz, agora, fotos históricas do aeronauta.

“Os irmãos Wright construíram um planador”, sentencia. “O aparelho só conseguiu ganhar o espaço após percorrer um trilho de madeira com mais de 30 metros de comprimento e impulsionado por uma catapulta”.

Para o autor, este é um dos motivos pelos quais Santos Dumont merece esse reconhecimento: seu 14 Bis, em outubro de 1906, levantou voo por conta própria e na frente de mais de mil pessoas em Paris, incluindo a diretoria do aeroclube da França – os testes dos Wright em 1903 tiveram poucas testemunhas, no interior da Carolina do Norte, nenhuma oficial.

“O voo dele ganhou o espaço com seus próprios meios, voou cinco metros acima do solo, percorrendo uma distãncia de 220 metros”, conta. “Um ano depois, o areroclube da França convidou os irmãos Wright para executar seus voos na capital daquele país. O avião deles só conseguiu decolar com a ajuda desse trilho de madeira e a catapulta. A mesma coisa que botar uma pedra num estilíngue, puxar o elástico e jogar a pedra”.

Fernando Jorge mostra que o voo dos Wright em Paris foi comentado pela imprensa local. “Um jornalista disse: ‘Dessa maneira, até uma locomotiva voaria’”, conta.

Ele também desmente, sem preconceito, a história de que Santos Dumont tivesse sido gay. Segundo seu livro, ele era até mulherengo. “Ele amou a Yolanda Penteado (integrante da aristocracia paulista e mecenas), uma moça francesa chamada Janine Voison, apaixonou-se por uma mulher casada que era esposa de um grande jornal de Paris”.

Sétima edição. As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont foi lançado pela primeira vez nos anos 1970. Fernando Jorge havia conhecido Amadeu Saraiva, então com 90 anos, que havia sido amigo de Santos Dumont em Paris.

“Esse livro me custou quase 10 anos de pesquisa”, conta o autor. “A documentação eu coinsegui na França contratando um pesquisador lá em Paris para tirar cópias xerográfica de tudo o que apareceu sobre Santos Dumont na imprensa de Paris”.

Ele contatou o cônsul da França para pedir o contato de alguém que ele pudesse contratar em Paris para realizar esse trabalho por ele, já que Jorge não poderia viajar. “Eu quis pagar a pesquisa, que é enorme, durou cinco ou seis meses, mas não aceitaram: me deram de graça”, lembra. “Então eu tenho em meu poder tudo o que saiu sobre Santos Dumont nos jornais francesas entre 1901 e 1910”.

Alberto Santos Dumont realizou todos os seus voos na capital francesa. Em 1901, contornou a Torre Eiffel a bordo de um balão dirigível, a primeira vez em que alguém cumpriu um circuito pré-determinado na presença de testemunhas. E nos anos seguintes, dedicou-se a desenvolver o “mais pesado que o ar”, que culminaria no voo do 14 Bis, em 1906.

O livro tem um capítulo final reservado a erros sobre Santos Dumont citados na imprensa e em livros. Houve até quem dissesse que ele havia cometido suicídio com um tiro na cabeça. “Isso é mentira! Santos Dumont se enforcou com uma gravata! Essas palavras podem ser lidas na página 210 do livro Suicídio Típico, de 1954, da autoria de dois advogados: Américo Marco Antônio e Eloy Franco Oliveira”, conta o biógrafo.

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