quarta, 14 de novembro de 2018
Literatura
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Pollyana Ferrari lança livro sobre as redomas de opinião na internet

André Luiz Maia / 17 de abril de 2018
Foto: Divulgação
Na era da informação, conhecimento é poder. A distorção da realidade se torna um fenômeno recorrente nesse contexto e acontece em velocidade frenética. Curiosa para entender o processo, Pollyana Ferrari, professora, escritora, professora, jornalista e doutora em Comunicação Digital, decidiu escrever Como Sair das Bolhas, um livro que reflete sobre os problemas que surgem no meio virtual e afetam diretamente a realidade.

A obra é lançada oficialmente amanhã em cerimônia na Livraria Cultura, em São Paulo e poderá ser adquirido online. Pollyana é conhecida no meio acadêmico e também fora dele por conta de sua obra Jornalismo Digital (2004), uma referência para a análise de notícias produzidas e disseminadas na internet. Sua popularidade se deu por conta da linguagem mais acessível, evitando vícios da academia.

O novo livro segue uma linha similar. A ideia de criá-lo surge em seu pós-doutorado, em 2016. "Teve a eleição do Donald Trump e os veículos tradicionais de jornalismo começaram a falar sobre fake news. Decidi então estudar sobre as notícias falsas. No início, achei que se tratava apenas de um problema nas discussões políticas, mas percebi que era algo mais amplo", explica Pollyana, em entrevista ao CORREIO. Ela começou a se aproximar das agências de notícias no Brasil que tinham algum setor dedicado à checagem da veracidade das informações, como o jornal O Globo e a Agência Lupa.

Mas mesmo com essas agências de checagem de fatos, há uma cultura ao redor do compartilhamento de informações. "Se a gente pegar o caso do assassinato da Marielle Franco, quando houve uma enxurrada de informações falsas, dá para perceber que o fator humano conta bastante. As pessoas compartilham algo porque acreditam que aquilo vai reforçar suas ideologias ou crenças. Então a maioria não checa no Google se aquela informação é verdadeira", explica a pesquisadora.

A resposta do título do livro, de acordo com a autora, está em repensar as relações sociais no contexto da hiperconectividade.

‘É preciso ouvir o contraditório’

Pollyana Ferrari defende que é preciso repensar as relações entre as pessoas, buscar uma maneira mais natural. "Há um comodismo e também uma dinâmica cruel das redes, que nunca param. Essa velocidade insana, que nos obriga a acompanhar. No livro, eu falo sobre a importância do silêncio e do desacelerar do tempo, da gente se reconectar com o outro, com a natureza ao redor", justifica.

No fim das contas, o livro não é um tratado de repúdio à tecnologia ou à troca instantânea de informação, mas um alerta para que saibamos lidar melhor com essas ferramentas. "Existem discussões valorosas que não existiriam sem as redes sociais. O problema é que as pessoas não querem mais se ouvir, elas estão falando para espelhos. É preciso se esforçar para criar diálogos", finaliza Pollyana.

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