segunda, 11 de dezembro de 2017
Literatura
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Miguel de Cervantes e Shakespeare morreram quase no mesmo dia, há 400 anos

Renato Félix / 10 de abril de 2016
Foto: Reprodução
Quando celebridades morrem em datas próximas, as pessoas costumam se surpreender com a coincidência. Imagine, então, artistas da dimensão de mitos definidores da literatura ocidental como o espanhol Miguel de Cervantes e o inglês William Shakespeare. Pois a morte do autor de Dom Quixote de La Mancha e também a do dramaturgo de Hamlet completam 400 anos este mês – um no dia 22, outro no dia 23.

Há uma pegadinha aí: enquanto a Espanha já havia adotado o calendário gregoriano (que havia dado um salto de dez dias em outubro de 1582 para ajustar as estações do ano), a Inglaterra só viria a adotá-lo em 1752. Ou seja: apesar das datas seguidasm na verdade, Shakespeare morreu nove dias depois de Cervantes.

Ainda assim, o mundo perdeu dois autores fundamentais em nove dias. Para muitos especialistas, Dom Quixote é o mais importante livro já publicado, com uma dupla de personagens que explicita a dualidade da humanidade entre o devaneio e a realidade: o próprio Dom Quixote e Sancho Pança, respectivamente.

Por sua vez, Shakespeare dissecou a essência humana em suas principais peças, passando por tragédias como Macbeth e Rei Lear, romãnticas como Romeu e Julieta e comédias como A Megera Domada e Muito Barulho por Nada. Se Cervantes tem a glória de assinar o livro mais importante, Shakespeare é largamente considerado o maior autor.

A aspiração pela aventura e heroísmo que Dom Quixote levava consigo podia ser reflexo da juventude de Cervantes. Aos 22 anos, depois de ferir um homem em duelo, fugiu para a Itália. Participou de batalhas, foi ferido e preso por corsários (por cinco anos). Morou em Portugal antes de voltar à Espanha. A primeira parte de O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha foi publicada em 1605, quando Cervantes tinha já 58 anos.

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